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Fruta-pão, araçá, guaco e biribiri: religiosas de Salvador produzem licores com sabores inusitados para festejos juninos

As religiosas produzem as bebidas para os festejos juninos, em uma tradição que dura pelo menos 300 anos

Foto: Divulgação.

Fruta-pão, guaco, araçá, biribiri e gerânio são alguns dos sabores inusitados dos licores produzidos pelas freiras do Convento de Santa Clara do Desterro, localizado no bairro de Nazaré, em Salvador. As religiosas produzem as bebidas para os festejos juninos, em uma tradição que dura pelo menos 300 anos.

Até chegar às prateleiras da pequena loja, que fica dentro do convento, os licores passam por um processo de infusão e filtração. Esse é o diferencial do produto, que é feito ao longo do ano, de forma totalmente artesanal.

São 32 sabores produzidos com todo o carinho pelas irmãs, como anis, limão, maracujá, cacau, pitanga, hortelã, erva-doce, canela, goiaba, carambola, caju e jabuticaba.

O licor de rosa, por exemplo, leva em média de 8 meses a 2 anos em infusão, sendo filtrado por volta de sete vezes. A flor usada na produção é a rosa Rainha Elizabeth, que vem de uma pequena plantação das próprias irmãs.

“A procura é muito grande e os licores são cultivados aqui”, contou a irmã Lurdinha, freira do convento.

Entre os meses de maio e junho, são produzidos cerca de mil litros da bebida, uma das preferidas dos nordestinos durante as festas de São João e São Pedro. O sabor campeão de vendas é o jenipapo.

A loja fica aberta de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. Os preços variam entre R$ 10 e R$ 50. Os valores arrecadados com a venda dos licores são revertidos para projetos sociais mantidos pelo Convento do Desterro.

“Tem pessoas que vêm comprar e levam 10, 20, 30 garrafas de uma vez e quem vem por último não encontra. É tudo feito com muito amor e carinho”, disse irmã Lurdinha.

O principal deles é o projeto “Por um mundo melhor”, que promove oficinas de teatro, música e dança para estudantes de escolas da rede pública de Salvador e familiares. As aulas acontecem dentro do convento e são realizadas sempre no turno oposto ao da escola.

O Convento de Santa Clara do Desterro foi o primeiro convento feminino do Brasil, fundado em 1677, por um grupo de religiosas Clarissas, vindas do Convento de Santa Clara, em Évora, Portugal.

O Convento foi criado a pedido dos oficiais da Câmara da Cidade de Salvador, da nobreza e do povo ao Rei de Portugal e Algarve, D. Afonso VI. O objetivo inicial do local era abrigar as filhas dos vassalos quando eles estivessem em viagens.

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