As periferias não se calam. Diante da ameaça de suspensão do Carnaval da comunidade do Nordeste de Amaralina, em Salvador, moradores se mobilizaram para garantir a realização da festa e terminaram a disputa com duas vitórias.

Além de manter viva uma manifestação cultural construída coletivamente há mais de duas décadas, a comunidade também conquistou o prêmio da 1ª Mostra Nós 2026, representando a região Nordeste em uma competição nacional de audiovisual e fotografia.1
A iniciativa é promovida pelo Ministério das Cidades, por meio da Secretaria Nacional de Periferias, e tem como objetivo incentivar moradores de favelas e periferias a retratar, através da fotografia e do audiovisual, os territórios onde vivem e constroem suas histórias.
Logo em sua primeira edição, a Bahia saiu na frente. A imagem vencedora foi registrada pela fotógrafa Tainan Medeiros, da mídia comunitária O Que Fazer no Nordeste. A fotografia mostra crianças e famílias participando do Bloco Favelinha Kids, que celebrou os 22 anos do Carnaval do Nordeste de Amaralina, considerado o maior carnaval realizado dentro de uma favela em Salvador.
O registro revela a alegria, a união e a potência cultural da comunidade, transformando a tentativa de interromper a festa em um símbolo de resistência e reconhecimento nacional.
Historicamente, os moradores do Nordeste de Amaralina têm buscado fortalecer a identidade local e o sentimento de pertencimento em um território que, apesar de ser um dos mais potentes culturalmente da cidade, também enfrenta processos constantes de marginalização.
Há cerca de sete anos, iniciativas de comunicação comunitária e produção audiovisual passaram a integrar as estratégias de mobilização da comunidade, ampliando a visibilidade das narrativas produzidas a partir da própria favela.
Dessa vez, a luta e a celebração foram eternizadas em uma fotografia que atravessou fronteiras e garantiu reconhecimento nacional.
Na favela, cultura também é resistência.



