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Festival Bahia em Cena premia produtores do cinema estudantil

Foto: Claudia Correia

A segunda edição do Festival Bahia em Cena exibiu as produções audiovisuais realizadas por estudantes de instituições públicas e privadas da Bahia. As obras foram apresentadas na segunda-feira (26) e na terça-feira (27), no Cineteatro 2 de Julho, em Salvador. O encontro de celebração dos prêmios aconteceu na quinta-feira (29), no Cine Glauber Rocha, e reuniu mais de 200 estudantes, além de professores, gestores escolares, convidados e representantes de instituições parceiras e da Secretaria Estadual de Educação.

Criado em 2022, no Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) Formação e Eventos Isaías Alves (ICEIA), neste ano o festival recebeu 213 inscrições de produções enviadas por estudantes de 38 municípios baianos, número recorde para o projeto. Do total, 66 obras foram selecionadas para a mostra oficial, sendo 22 produções do Ensino Médio, 28 do Ensino Técnico e 16 do Ensino Superior. Segundo os organizadores, em 2025 foram inscritos 150 filmes, e o festival vem avançando em qualidade artística, o que contribui para que possa ampliar a captação de recursos públicos e privados. Esta edição contou com a parceria para premiação e estrutura da Escola SAGA e da IgluLoc, das prefeituras municipais e com o apoio institucional das escolas da rede da Secretaria Estadual de Educação e do ICEIA.

As sessões atraíram educadores e grupos de estudantes de escolas da capital e do interior, que torceram por suas produções, alguns deles estreando na produção cinematográfica.

Mathew Lopez, estudante do Colégio Estadual Alberto Valença, no bairro de São Gonçalo, em Salvador, integrou a equipe do documentário sobre a Casa de Alaká, situada no Ilê Axé Opô Afonjá. “Foi uma experiência enriquecedora produzir este audiovisual. Além de desenvolver nosso conhecimento técnico, também aprendemos muito com a história do terreiro”, afirmou.

Para Jonathan Sampaio, idealizador e coordenador-geral do festival, a participação de estudantes de diferentes municípios demonstra o potencial da educação pública e da educomunicação para estimular a expressão e o protagonismo juvenil. A proposta é possibilitar que os próprios alunos contem histórias a partir de suas perspectivas e experiências.

Premiados

O curta-metragem “Novity: ele gosta de menino” rendeu o prêmio de Melhor Ator para Júlio César dos Santos, de 18 anos, do Colégio Estadual Carlos Marighella, no STIEP, em Salvador.

O filme “Lírio Azul” foi premiado nas categorias de Montagem, Fotografia e Menção Honrosa, além de garantir o prêmio de Melhor Atriz para Camilla Vieira (ICEIA).

Foto: Divulgação

Já “A Criada”, produção de estudantes de Anagé, conquistou o prêmio de Melhor Curta-Metragem fora da capital.

A coordenadora de Arte e Cultura Estudantil da Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), Djenane Silva dos Santos, representando o secretário da Educação, Marcius Gomes, reafirmou o compromisso do Governo do Estado com o investimento em arte e cultura na rede estadual de ensino. “Estou muito feliz de estar aqui testemunhando as conquistas dos nossos estudantes. Na nossa rede, temos também os projetos artísticos, entre os quais o Produção de Vídeos Estudantil (PROVE). A Bahia produz arte, cultura, e eu sempre digo que arte é projeto de vida. O Festival Bahia Ensina e todos que dele participaram estão de parabéns por esta contribuição para a nossa cultura.”

Impacto social

As temáticas abordadas nos filmes selecionados reforçam o pertencimento ao território, as tradições da cultura regional e as questões vivenciadas pelos jovens no contexto social baiano, como o racismo, a violência contra as mulheres e a diversidade religiosa. Os documentários e curtas “Reisado Vivo”, “As belezas de ser pescador”, “Pega de boi”, “Elas sobre elas”, “Escolhas de céu”, “O peso de ser eu”, “As consequências de seus atos” e “Religiões afro-brasileiras” representam bem essa tendência de foco em pautas sociais e psicológicas.

Os estudantes destacaram os ganhos que a experiência gera na formação profissional e cidadã e as oportunidades de profissionalização para o mercado de audiovisual.

Foto: Divulgação

“Eu ainda estou sem acreditar que fui premiado como melhor ator ao dar vida a dois personagens que passaram em uma tela e atravessaram o peito de muita gente, conquistando muitos corações. É muito gratificante saber que a minha arte conquistou este prêmio”, comemorou Júlio César, que interpretou Pedro e Nino no curta premiado “Novity: ele gosta de menino”.

Camilla Vieira contou que não imaginou ganhar o prêmio de Melhor Atriz ao interpretar Melina, no curta-metragem “Lírio Azul”. “Ela é uma garota que não tem muitas perspectivas, está presa ao passado. Eu me identifiquei muito com ela, me ajudou a entender que todo mundo tem uma segunda chance na vida e que o futuro, apesar de ser incerto, guarda para a gente coisas lindas, porque a gente pode escrever a nossa própria história”, relatou.

“A gente está ocupando esse lugar do cinema, e isso é representativo demais para nós. Conseguimos produzir um evento com a qualidade como este e com a presença de estudantes talentosos, fazendo coisas muito bacanas. É muito especial estar aqui, hoje, contribuindo para que os nossos estudantes produzam arte e cultura”, celebrou a diretora Maribel Costa e Silva.

Foto: Claudia Correia

O coordenador Jonathan Sampaio destacou que a inscrição de tantos filmes é fruto da semente plantada dentro de uma escola pública e que rendeu um festival que veio para dar visibilidade às produções de estudantes, que têm a oportunidade de contar suas histórias a partir do próprio ponto de vista. “O resultado evidencia a potência da educação pública e da educomunicação como ferramentas de expressão e valorização do protagonismo estudantil. E, hoje, com produções vindas de toda a Bahia, vemos a força do audiovisual baiano surgindo a partir das nossas escolas”, comemorou.

Além de abrir novas janelas de oportunidades para os estudantes, o festival fortalece o trabalho pedagógico do corpo docente. “Os professores interagem com a gente desde o início da inscrição. Há uma troca sobre as temáticas e a logística para a participação na mostra. Nós aconselhamos monitorarem esse processo, e eles nos enviam as autorizações dos pais nos casos de alunos menores de idade”, afirmou Maia Kelly, uma das coordenadoras do festival.

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