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Feminicídios que assolam o país têm como principal vítimas mulheres negras, aponta pesquisa

68% das vítimas de feminicídio são mulheres negras. O Brasil ocupa o primeiro lugar em número absoluto de feminicídios na América Latina e no Caribe

Foto: Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Uma década após a sanção da Lei do Feminicídio, o Brasil enfrenta o avanço dos assassinatos de mulheres motivados por gênero. Dados da pesquisa “Quem são as Mulheres que o Brasil não protege”, da Fundação Friedrich Ebert no Brasil, apontam um crescimento de 176% nos casos em dez anos, passando de 527 registros em 2015 para 1.455. Do total de vítimas, 68% eram mulheres negras.

O levantamento revela que, enquanto houve leve redução nos feminicídios de mulheres brancas, os casos entre mulheres pretas e pardas aumentaram, evidenciando a necessidade de políticas públicas que considerem raça e classe social. Especialistas alertam ainda que os números oficiais são subestimados e que dados da saúde indicam entre 3.500 e 4 mil mortes violentas de mulheres por ano no país, sendo cerca de 2.500 classificadas como feminicídio.

Na Bahia, o estado ocupa a terceira posição no ranking nacional em 2025, com 57 casos registrados entre janeiro e julho, segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Apesar da redução em relação ao mesmo período de 2024, a taxa estadual (0,66 por 100 mil habitantes) segue acima da média nacional.

Para a assistente social Roseli Oliveira de Barbosa, da organização feminista Tamo Juntas, o cenário reflete falhas estruturais na proteção às mulheres.

“Quando o Estado não consegue defender as mulheres, significa que as políticas públicas não estão sendo implementadas como deveriam”, afirma.

Em Salvador, dados do Núcleo de Defesa das Mulheres (Nudem) apontam aumento superior a 50% nos atendimentos a mulheres em situação de violência em 2025, em comparação com o ano anterior. O cenário reforça a urgência de fortalecer a rede de enfrentamento à violência contra as mulheres e garantir a efetiva implementação das políticas públicas já existentes.

Informações da Revista Afirmativa.

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