
O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta terça-feira (15), que trabalha em uma investigação para apurar se políticas adotadas pelo Brasil estão dificultando ou prejudicando o comércio norte-americano. A informação foi publicada pelo perfil do Representante Comercial dos Estados Unidos na rede social X, antigo Twitter.
For decades, USTR has detailed Brazil’s unfair trade practices that restrict the ability of U.S. exporters to access its market in the National Trade Estimate Report.
— United States Trade Representative (@USTradeRep) July 15, 2025
USTR’s Section 301 investigation will hold Brazil accountable for its unfair trading practices and ensure U.S.… pic.twitter.com/ec1oU29TgI
“Por décadas, o Representante Comercial dos Estados Unidos detalhou as práticas comerciais desleais do Brasil, que restringem a capacidade dos exportadores americanos de acessar seu mercado, no Relatório Nacional de Estimativa de Comércio. A investigação da Seção 301 do USTR responsabilizará o Brasil por suas práticas comerciais desleais e garantirá que as empresas americanas sejam tratadas de forma justa”, publicou a pasta.
A investigação pretende avaliar práticas do Brasil em áreas como comércio eletrônico e tecnologia, taxas de importação e desmatamento.
A medida é um novo passo do governo de Donald Trump contra o Brasil e acontece depois que o presidente Lula assinou decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Comercial, que pode ser usado para responder à imposição da tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos (EUA), a partir do dia 1º de agosto.
No último dia 9, o presidente dos Estados Unidos anunciou a tarifa sobre produtos brasileiros e citou, como justificativa, o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Entre os pontos que serão analisados estão:
- O desmatamento promovido pelo agronegócio brasileiro, o que tornaria a carne e a madeira nacionais mais baratas que as produzidas nos EUA; farmers deles.
- Falhas na proteção da propriedade intelectual, ou seja a pirataria, representariam ameaça à segurança econômica estadunidense;
- Cobrança de tarifas na importação do etanol à base de milho dos EUA, considerada injusta e sem reciprocidade;
- Restrições para transferência e proteção de dados pessoais para fora do Brasil representariam uma vantagem para o serviço de pagamento eletrônico gratuito desenvolvido pelo governo, ou seja, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o Pix não são bem vistos pelos EUA.
No campo da investigação da pirataria e proteção de propriedade intelectual, chama atenção que a Rua 25 de Março, tradicional região de comércio popular de São Paulo, seja mencionada como alvo por sua relação com o comércio de produtos falsificados. “A região da Rua 25 de Março permanece há décadas como um dos maiores mercados para produtos falsificados, apesar das operações de fiscalização direcionadas a essa área”, criticando a falta de punições eficazes. Para os estadunidenses, “essa pirataria continua disseminada porque as operações de fiscalização não são seguidas por medidas ou penalidades dissuasivas e pela interrupção a longo prazo dessas práticas comerciais ilícitas”.
O documento americano sugere ainda que empresas dos EUA estariam sendo prejudicadas por decisões brasileiras que restringem serviços e penalizam redes sociais que não removem conteúdos de teor político. Embora o relatório não mencione diretamente decisões do Supremo Tribunal Federal, esse tema foi destacado por Trump quando anunciou a tarifa.
Com informações de Folha de S. Paulo e Correio



