Enquanto rede municipal de Salvador anuncia 28 novas escolas e bolsa frequência, governo estadual reúne 409 municípios para integrar políticas de leitura na primeira infância

Foto: André Fofano
O desafio de consolidar a alfabetização na idade certa e combater a evasão escolar pautou as agendas educacionais do Estado e do Município nesta quarta-feira (11), em Salvador. As duas esferas governamentais promoveram encontros estratégicos com gestores e educadores, anunciando desde expansão na infraestrutura física até novos programas de incentivo financeiro e formação docente.
Salvador: expansão física e inclusão
Com cerca de 170 mil alunos matriculados para o início das aulas na próxima segunda-feira (16), a rede municipal de ensino de Salvador realizou sua Jornada Pedagógica no bairro do Itaigara. O encontro foi marcado pelo anúncio de reestruturação física e propostas de retenção de alunos.
O secretário municipal de Educação (Smed), Thiago Dantas, confirmou o início da construção de 28 novas escolas ainda este ano, além da entrega de outras 12 unidades já em fase de conclusão. No campo pedagógico e social, a gestão destacou ações voltadas à equidade, como a implementação de bibliotecas antirracistas e a criação de uma “bolsa frequência” para estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), modalidade historicamente afetada pelo abandono escolar em virtude da necessidade de inserção no mercado de trabalho.
“Vamos estruturar as propostas a partir de bons diagnósticos e organizar visões sistêmicas em torno desses assuntos para não atacar cada ponto de maneira isolada. A alfabetização precisa do suporte que é construído na Educação Infantil, importante para que essas aprendizagens se consolidem”, afirmou Dantas. O secretário também informou o envio de um projeto de lei à Câmara Municipal para garantir o cumprimento do piso nacional do magistério, com reajuste de 5,4% retroativo a janeiro.
O gestor da Escola Municipal Jardim Santo Inácio, Arivaldo Bispo, que atende 690 alunos, resumiu o desafio das escolas em áreas periféricas. “A ideia é promover uma educação de qualidade, trazendo esperança e paz para aquela comunidade que enfrenta grandes desafios relacionados à violência e a questões sociais”.
Bahia: articulação em rede e formação docente
Em paralelo, o Governo do Estado focou na articulação institucional. O 1º Encontro Presencial de Articuladores Regionais reuniu representantes de 409 municípios no bairro de Jardim de Alah, em Salvador, para fortalecer o programa Bahia Alfabetizada.
A estratégia estadual aposta no regime de colaboração com as prefeituras e as universidades para melhorar os índices de aprendizagem logo nos anos iniciais do Ensino Fundamental. O evento também marcou a abertura do Programa Leitura e Escrita na Educação Infantil na Bahia (ProLEEI), em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).
A coordenadora do ProLEEI na Bahia, professora Silvanne Ribeiro Velázquez, explicou o impacto prático do programa. “Tem um escopo muito relevante para quem atua na Educação Infantil, pois trabalha com leitura, escrita e oralidade. A proposta amplia as experiências das professoras com literatura, cultura e diferentes narrativas presentes nos territórios baianos”.
Para Anderson Passos, presidente da Undime, a eficácia do letramento depende diretamente da colaboração entre os entes federativos. “A alfabetização é construída em sinergia e os programas que fortalecem o trabalho na Educação Infantil ajudam a preparar melhor os estudantes”, pontuou.


