...
Pular para o conteúdo principal

Portal UMBU

Espetáculo paraense “Quando a Folha Dança” estreia temporada na Bahia

Solo de dança contemporânea de Rô Colares aborda identidade indígena, ancestralidade e processos de cura em apresentações em Salvador e na Aldeia Coroa Vermelha

Foto: Divulgação

O espetáculo paraense “Quando a Folha Dança” inicia sua quarta temporada na Bahia com apresentações e vivências em Salvador e na Aldeia Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, entre os dias 14 e 18 de outubro. O solo de dança contemporânea, criado e protagonizado por Rô Colares, parte de uma investigação sobre identidade indígena, ancestralidade, memória e território.

A obra percorre o caminho de retorno ao território indígena Arapiun, no Baixo Tapajós, no Pará, origem de Ana dos Anjos, avó da artista. A relação com esse território e com as histórias familiares está no centro da criação. Em 2024, a própria artista já havia descrito a obra como resultado de um processo pessoal de retomada da identidade indígena e de aproximação com suas raízes.

Programação em Salvador

Na capital baiana, a programação começa nos dias 14 e 15 de outubro, com uma vivência destinada aos estudantes da disciplina Dança e Saberes Indígenas, do curso de Licenciatura em Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

No dia 15 de outubro, às 19h, o espetáculo será apresentado ao público no Teatro do Movimento, da Escola de Dança da UFBA, no campus de Ondina. A atividade também contará com um intercâmbio artístico, que reunirá a obra “Imoguatá”, do artista Joseh Jara, e “Quando a Folha Dança”. Após as apresentações, os realizadores participam de uma roda de conversa com o público.

A passagem pela Bahia integra a circulação nacional do espetáculo pelo Programa Funarte de Difusão Nacional 2025, Circuito Klauss Vianna de Dança. A proposta foi selecionada pela Funarte na modalidade Grande Circuito, com circulação prevista pelos estados do Pará, Bahia, Rondônia e Ceará.

Apresentação na Aldeia Coroa Vermelha

Em Santa Cruz Cabrália, no extremo sul da Bahia, as atividades serão realizadas no Comércio Indígena Pataxó, na Aldeia Coroa Vermelha, no dia 18 de outubro.

A programação começa às 16h, com uma vivência prática aberta à comunidade. Às 19h, será realizado um intercâmbio artístico, com apresentação de um grupo local, seguido pelo espetáculo “Quando a Folha Dança”. A noite também termina com uma roda de conversa entre artistas, realizadores e público.

Para Rô Colares, iniciar a circulação pela Bahia tem um significado particular por causa da relação histórica do estado com a colonização portuguesa e com os povos indígenas.

“A proposta de começar pela Bahia tem um simbolismo muito grande. Foi na Bahia que os primeiros colonizadores portugueses pisaram, foi o primeiro território invadido. Para mim, é muito importante o contato com esse primeiro território e esses primeiros povos, povos de primeiro contato.”

A artista relaciona ainda a passagem pela Bahia à ideia de retomada do território no campo do imaginário e da memória indígena. “É requerer fazer a retomada imagética do território de volta para os povos indígenas do Brasil”, afirma.

Corpo, ancestralidade e cura

Rô Colares é mulher indígena Arapiun, pesquisadora, mestra e doutora em Artes pela UFPA. No espetáculo, ela reúne investigação artística e trajetória pessoal em torno das relações entre corpo, território, ancestralidade e movimento.

Com 50 minutos de duração, a obra atravessa mais de um século de existência de mulheres curadoras até transformar o espaço cênico em um território ritual. Elementos como identidade, morte e cura aparecem como parte desse percurso.

Além de interpretar o espetáculo, Rô Colares assina a direção da obra ao lado de Mateus Moura. A criação também integra uma trajetória de pesquisa sobre a retomada da identidade indígena. A Fundação Cultural do Pará já destacou que o processo de criação surgiu de um mergulho pessoal da artista em suas raízes e na relação com o território de origem de sua família.

Após a temporada baiana, “Quando a Folha Dança” seguirá para Rondônia, com apresentações em Porto Velho e na Aldeia Central do povo Karitiana, e depois para o Ceará, passando pelo Território Indígena Jenipapo Canindé, em Fortaleza, e pelo Território Indígena Tremembé da Barra do Mandaú, em Itapipoca.

Nas três temporadas anteriores, o espetáculo realizou dez apresentações nos estados do Pará, Piauí e Rio de Janeiro.

A circulação é realizada por meio do Programa Funarte de Difusão Nacional 2025, Circuito Klauss Vianna de Dança, com apoio do Tekó Coletivo de Artivismo Indígena, da Escola de Dança da UFBA e da Associação de Comerciantes do Parque Indígena Pataxó da Aldeia Coroa Vermelha.

Serviço

“Quando a Folha Dança” – Salvador
Data: 15 de outubro
Horário: 19h
Local: Teatro do Movimento, Escola de Dança da UFBA, Campus Ondina
Programação: intercâmbio artístico, apresentação de “Imoguatá” e “Quando a Folha Dança”, seguida de roda de conversa.

“Quando a Folha Dança” – Aldeia Coroa Vermelha
Data: 18 de outubro
Local: Comércio Indígena Pataxó, Aldeia Coroa Vermelha, Santa Cruz Cabrália
16h: vivência aberta à comunidade
19h: intercâmbio artístico, apresentação de grupo local e “Quando a Folha Dança”, seguida de roda de conversa.

Instagram: @quandoafolhadanca

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado

POSTS RELACIONADOS