
Depois de passar por Belo Horizonte (MG) e realizar apresentações na Nigéria, o espetáculo de dança-teatro “Maria Vermelha” desembarca em Salvador no próximo dia 18 de junho. A apresentação acontece às 19h, no Espaço Xisto Bahia, nos Barris, com entrada gratuita e proposta de conscientização sobre a violência contra a mulher e as diferentes formas de opressão ao feminino.
Interpretado pela artista da dança Bel Sôuza, o solo utiliza a linguagem do corpo para discutir dores, desafios, afetos e os processos de reconstrução vividos pelas mulheres. A montagem tem como inspiração o livro “Inventário Vermelho”, organizado por Danielle Andrade, que reúne correspondências entre 21 mulheres de diferentes regiões do país. Nas cartas, elas compartilham experiências marcadas pela violência e pela desigualdade, recebendo, em resposta, palavras de acolhimento e possibilidades de cura.
No palco, essas narrativas ganham vida por meio da figura da Pombogira, entidade presente nas religiões de matriz africana e associada à força do feminino. No Candomblé, a Pombogira está ligada a Exu, orixá responsável pela comunicação entre o mundo espiritual e o terreno. Já na Umbanda, é compreendida como uma manifestação feminina dos Exus.
“Entre palavras, cantigas e movimentos faz-se a ponte entre o mundo invisível e o dos sentidos, tecendo uma trama de vidas e reconstruções do que já foi despedaçado”, destaca Bel Sôuza.
A artista, natural de Belo Horizonte e radicada em Salvador, apresentou o espetáculo neste ano no Festival Lagos Fringe e na Universidade de Ibadan, ambos na Nigéria. Doutoranda pela Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Bel desenvolve pesquisas e trabalhos autorais que articulam dança, teatro, audiovisual e ciências da saúde. A direção de “Maria Vermelha” é assinada por Rosa Antuña, com colaboração coreográfica de Aline Caldeira.
A apresentação em Salvador integra as atividades do projeto “Maria Vermelha – Circulação Nigéria”, contemplado pelo Edital de Mobilidade Cultural 2025/2026 da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA).
Antes do espetáculo principal, o público poderá conferir o solo “Megê – aquele dividido em 7”, do bailarino e coreógrafo Matias Santiago. A obra propõe uma leitura afrofuturista da essência de Ogum, orixá associado ao ferro, às guerras e à tecnologia.
Além da experiência artística, a noite terá caráter solidário. Embora a entrada seja gratuita, a organização solicita contribuições voluntárias para auxiliar o percussionista Bira Monteiro, referência na formação de profissionais da dança em Salvador. O artista precisa arrecadar recursos para realizar uma cirurgia oftalmológica de alto risco em Brasília.
Serviço
Espetáculo: “Maria Vermelha”, com Bel Sôuza
Abertura: “Megê – aquele dividido em 7”, com Matias Santiago
Data: 18 de junho
Horário: 19h
Local: Espaço Xisto Bahia, Complexo da Biblioteca Pública dos Barris – Rua General Labatut, 27, Barris, Salvador
Entrada: Gratuita, com sugestão de contribuição para a cirurgia de Bira Monteiro
Duração: 33 minutos
Classificação indicativa: 14 anos.



