
O acompanhamento psicológico é um dos fatores essenciais para garantir uma adaptação mais tranquila e saudável no processo de adoção, tanto para quem adota quanto para crianças e adolescentes acolhidos. De acordo com dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2025, 3.140 crianças e adolescentes passaram a viver em novos lares no Brasil.
A adoção representa uma nova etapa para todas as partes envolvidas e, por isso, exige preparação emocional. Para a psicóloga Aline Santana, o suporte psicológico ajuda futuros pais a refletirem sobre esse momento de transformação. “É uma etapa muito importante porque a pessoa poderá pensar melhor nesse novo momento da vida, refletindo sobre suas motivações e expectativas em relação à maternidade e à paternidade por meio da adoção”, explicou.
Segundo a especialista, compreender que crianças e adolescentes chegam com uma história de vida própria é fundamental para enfrentar os desafios que podem surgir no processo de adaptação. Essa percepção levou o casal Paulo e Andreia Mensoni a buscar acompanhamento psicológico durante a habilitação para adoção.
Andreia conta que a decisão de adotar surgiu após tentativas frustradas de engravidar e uma perda gestacional. “Quando entendemos que a adoção era uma forma de construir a família que desejávamos, procuramos uma psicóloga”, relatou. Hoje, eles são pais de Letícia, Larissa e João.
O acompanhamento profissional ajudou o casal a lidar com dúvidas e inseguranças iniciais. “Tínhamos muitas dúvidas em relação à ficha que precisávamos preencher com os dados da criança. Aquilo parecia estranho para a gente. A psicóloga clareou nossos pensamentos e entendemos que era legítimo fazer algumas escolhas. Além disso, nos preparamos para a chegada das crianças, mesmo sem conhecê-las. O apoio foi essencial e tornou tudo mais leve”, afirmou Andreia.

Paulo reforça a importância desse suporte desde o início do processo. “Já acompanhávamos alguns relatos de adoção pela internet e, desde a preparação, tínhamos certeza de que o acompanhamento psicológico seria importante. Eu diria que foi imprescindível para entender o que viria”, destacou.
De acordo com Aline Santana, o acompanhamento psicológico também ajuda os pretendentes à adoção a compreenderem melhor suas próprias expectativas. “Independentemente da idade, a criança ou o adolescente chega com uma história marcada por rompimentos de vínculos e vai precisar que os pais estejam dispostos a dedicar tempo, paciência e amor”, explicou.
A psicóloga ressalta ainda que a autonomia física da criança é diferente da autonomia emocional, o que exige disponibilidade por parte dos responsáveis. Outro ponto que precisa ser trabalhado é a expectativa de gratidão. “A adoção não é um favor. A criança não precisa ser grata por estar em uma família”, pontuou.
Impactos emocionais no processo de adoção
O processo de adoção envolve compreender que muitas crianças e adolescentes passaram por perdas e rupturas significativas. Segundo Aline, o acolhimento ocorre porque direitos fundamentais foram violados, o que pode gerar impactos emocionais profundos. “Essas crianças vivenciaram mudanças constantes, perderam previsibilidade e referências, o que interfere diretamente no modo como se relacionam”, explicou.
Para minimizar esses impactos, a especialista destaca a importância de uma comunicação adequada. “É fundamental utilizar uma linguagem adaptada para explicar o que está acontecendo, tanto sobre as rupturas quanto sobre a chegada a uma nova família. Saber o que aconteceu e o que vai acontecer gera mais segurança e contribui para o sucesso da adoção”, afirmou.
A psicóloga também ressalta que os pais precisam construir um ambiente seguro, com previsibilidade, permanência e constância. “É preciso acolher a história da criança, entendendo que muitos comportamentos são formas de expressar emoções que ainda não conseguem ser elaboradas”, concluiu.



