
O debate sobre a extinção da jornada de trabalho 6×1 atingiu um novo patamar de tensão política em Brasília. Enquanto os presidentes do PL, Valdemar Costa Neto, e do União Brasil, Antonio Rueda, sinalizam forte resistência à proposta junto ao setor produtivo, o Governo Federal recalibra sua estratégia, estudando desistir de enviar um projeto próprio para concentrar esforços na tramitação que já corre na Câmara dos Deputados.
Atualmente, duas propostas principais tramitam de forma conjunta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ): a da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que prevê a redução da jornada para 36 horas semanais em quatro dias de trabalho, e a do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). O ponto central de conflito reside no impacto econômico: em reuniões com lideranças empresariais nesta segunda-feira (23), Valdemar e Rueda foram enfáticos ao afirmar que trabalharão para barrar o avanço da medida. Segundo os líderes, o fim da escala 6×1 pode gerar um aumento insustentável nos custos operacionais, especialmente nos setores de comércio e serviços, resultando em inflação e risco de demissões.
Apesar do posicionamento, as lideranças, conforme informações do Valor Econômico, admitem que será difícil convencer congressistas que buscam a reeleição a votarem contra uma pauta que conta com forte apelo popular. Juntos, PL e União Brasil somam 145 deputados. Do outro lado, o Palácio do Planalto monitora o cenário e condiciona o recuo de sua proposta autoral ao conteúdo do parecer do relator, Paulo Azi (União Brasil-BA), anunciado na manhã desta terça-feira (24). Para o governo, são inegociáveis a adoção da escala 5×2, a jornada máxima de 40 horas semanais e a garantia de que não haverá redução salarial.
A escolha de Paulo Azi para relatar a matéria na CCJ ocorreu após articulação conduzida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, e pelo presidente da comissão, Leur Lomanto. Azi, que presidiu a CCJ em 2025, integra a ala moderada de seu partido e, embora atue na oposição ao PT, sua escolha é vista como uma tentativa de equilibrar um tema que mobiliza a base governista e setores empresariais.
O caminho, contudo, ainda é longo. Após a análise de admissibilidade conduzida por Paulo Azi na CCJ, o texto deverá passar por uma comissão especial criada especificamente para discutir o mérito e possíveis alterações na proposta, antes de seguir para a votação definitiva em plenário.



