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Encontro Estudantil 2024: Pioneirismo e fortalecimento de jovens na iniciação científica da Bahia

Fotos: Wuiga Rubini

A Arena Fonte Nova recebeu o Encontro Estudantil da Rede Estadual da Educação da Bahia entre os dias 17 e 19 de dezembro com o tema “Arte, Ciência e Democracia: Caminhos para  Sustentabilidade”. O encontro reuniu na capital baiana cerca de 5 mil alunos, distribuídos em 700 estandes que reúnem 27 Núcleos Territoriais da Educação (NTE).

A programação contou com 06 níveis de espaços espalhados ao longo da Arena Fonte Nova divididos em Praça Sul, Palco Principal, Espaço Gamer & Maker, Espaço Arte de Rua, Auditório Feciba e Espaço Educar. Durante todos os dias o nível 06, também chamado de Lounge Premium, foi o ponto de encontro para o almoço diário e a programação do “Palco Galera” entre às 12h e 14h.

Com um investimento que já somam 1,8 bilhão em novas escolas, o Governo do Estado vem investindo nas unidades escolares da capital e no interior da Bahia contabilizando 1.052 unidades escolares, 669 anexos e 33 Escolas Família Agrícola ( EFAS). Ao todo 28 colégios indígenas com cerca de 6 mil alunos e uma Educação de Tempo Integral já expandida para 345 municípios.

“Eu tenho muita tranquilidade em dizer que nós estamos fazendo uma revolução na estrutura física na Rede Estadual da Educação da Bahia. A gente precisa avançar, pois a gente precisa chegar na parceria entre Estado e o Município para essa consolidação dos projetos de infraestrutura dos municípios .Mesmo assim o Estado da Bahia já investiu quase 8 bi em estrutura física das unidades escolares, já inauguramos 79 escolas já neste novo padrão e já reinauguramos escolas que já existem, já tinham terreno e que entramos com a infraestrutura de campo, quadra, refeitório, quadras e anfiteatro”, informou a secretária de Educação da Bahia, Rowenna Brito durante o Café da Manhã de Coletiva de Imprensa no Auditório FECIBA.

A secretaria ainda afirmou que as escolas públicas estaduais historicamente não têm o padrão para atender a Educação Integral e foi tomada a decisão de investir na infraestrutura física desse formato de educação. Para ela, não dava para garantir 07h diárias de um estudante dentro de uma estrutura que não comporta os anseios destes estudantes e também dos professores como, por exemplo, sem restaurante, sem sala de aula climatizada, sem condições de um professor fazer pesquisa ou iniciação científica ou para um professor de qualquer área.

Os projetos

Para Júlia Fernandes Dantas, do NTE 15, do Centro Territorial de Educação Profissional Profº Luiz Carlos Araújo (CETEP), em Ipirá, quando ela participa do Encontro Estudantil têm a oportunidade de conhecer os trabalhos de outras pessoas. Com a pesquisa em Eco Nutrientes, que é a conversão de resíduos sólidos em fertilizantes naturais tendo como matéria-prima restos de alimentos doados pela comunidade e retirados de dentro do ambiente escolar. Ela também tem uma parceria com a Prefeitura que a auxilia a fazer a coleta de resíduos alimentares (cascas de frutas , legumes e verduras) no Centro de Abastecimento da Cidade e é utilizado a partir da fermentação destes resíduos numa composteira.

Como aluna do Curso Técnico em Agroecologia, orientada pelo Profº Jeferson Augusto Lacerda dos Santos, são extraídos 20 litros de fertilizantes concentrados, sendo que 200 ml desse mesmo fertilizante precisa ser diluído em 2 litros de água, tamanha a sua eficácia na adubação da Terra. Desta forma, segundo Júlia Fernandes e Nathália Nascimentos dos Santos, elas também mobilizam a comunidade para que também auxiliem com essa prática na fertilização da Terra na Agricultura Familiar Local.

Após 21 anos da Lei 10.639/03, 16 anos da Lei 11.645/08 e 3 anos do Documento Curricular Referencial da Bahia que orienta a Educação para as Relações Étnicos-Raciais, as alunas Ana Kessya Nascimento e Evely Vitória Oliveira, ambas estudantes do Colégio Estadual Paulo Freire em Jequié – NTE 22 trouxeram para o Encontro Estudantil 2024 o seu projeto “Educação Modelo – Colheita de Branquitude ou Plantio de Empretecser”, tendo como orientadora a professora Angela Eça, como objetivo minimizar as opressões que a nossa minoria sofrem que estão ligadas a classe, raça, gênero e sexualidade.

Para as alunas, é importante compreender, a partir das narrativas dos alunos, como o conteúdo curricular pode auxiliar no empoderamento  de grupos minoritários.

“Olhando a nossa Escola a gente já percebe como nós conseguimos mudar algumas perspectivas dos alunos, principalmente por trabalharmos com o Manual Antirracista de Djamila Ribeiro. Promovemos seminários em outras escolas de Jequié e falamos sobre outras obras literárias como , por exemplo, Pacto da Branquitude “, afirmou Ana Kessya .

Para Evely Vitória já é visível a adesão dos professores com relação a implantação e ampliação do Projeto “Empretecser O Modelo”. “Recentemente os professores nos abordaram para relatar que lembraram das alunas do projeto a partir dos questionamentos do tema do Enem 2024, realizado em Novembro”.

“A população LGBT, homem negro, mulher negra, trans tem voz na escola. Estas pessoas não são mais objeto de pesquisa . O estudante neste lugar de falar é o seu próprio pesquisador. Ele irá entender como é a educação quilombola, a população indígena , como é feita a inclusão de uma pessoa LGBT e toda diversidade dentro do espaço escolar”, afirma Angela Eça, professora orientadora do projeto realizado no Colégio Paulo Freire, NTE 22, em Jequié.

“O Encontro Estudantil 2024 é um momento muito mágico da educação baiana e que todos nós tenhamos voz e voz que seja ouvida”, finalizou a professora.

Também do NTE 22, em Jequié, o estudante Cleiton Matos Santos apresentou a Horta Doméstica com sistema de aproveitamento de Compostagem e Sistema de Irrigação. O projeto tem a orientação da professora Karla Pedroza Oliveira, dentro das instalações do Colégio Paulo Freire.

“Nosso projeto surgiu para reduzir as altas demandas nos aterros sanitários e proporcionar o descarte correto do material orgânico.Vendo esse cenário atual climático, a gente desenvolveu uma forma de reaproveitar os resíduos orgânicos que saem da nossa cozinha e produzimos a nossa horta com insumos de graça e sem uso de agrotóxicos. Assim, produzimos um biofertilizante que é 100% natural onde utilizando na nossa própria horta como se fosse um ciclo saudável de preservação”, disse Cleiton.

Com base nos “Desafios e Oportunidades para Desenvolver uma Cultura Olímpica na Escola”, os alunos do Colégio Paulo Freire, NTE 22 em Jequié, desenvolveram ações para o fortalecimento científico de alunos e alunas que queiram participar de Olimpíadas Científicas dentro ou fora do seu município.

Para Samuel César de Oliveira Melo o Encontro Estudantil 2024 é extremamente importante para valorização da ciência para outras áreas transversais de ensino que acontecem aqui simultaneamente. “O empenho dos estudantes  pode aumentar ainda mais em 2026. Este ano somamos 5 mil , na próxima edição podemos ser muitos mais “, vibra o estudante que tem como objetivo do seu projeto estimular estudantes a participarem na prática de “Olimpíadas de Conhecimento”. Todos os materiais são sustentáveis como garrafas pet, ar comprimido e água potável na construção de foguetes para fins de pesquisa científica.

Iniciação científica

Como mulher, no cenário de estudante de iniciação científica em escola Estadual Pública, a aluna Louize Nascimento Souza destaca que foi criada a Liga Feminina de Foguetes para estimular meninas a entrar neste cenário de STEM como Engenharia, Tecnologia e Matemática por serem áreas majoritariamente ocupadas por garotos participantes e medalhistas.

“Tenho 18 anos, acabei de completar o 3º ano e minha perspectiva é ingressar na área de Biologia, em Ciências Biológicas. Acho interessante estudar de onde surgiu tudo e é uma área que não é muito valorizada”, disse Louize.

Fotos: Wuiga Rubini

Nomes de personalidades negras representativas das artes, do teatro, da música, do graffiti e do jornalismo baiano também fizeram parte do Encontro Estudantil 2024 como, por exemplo, a apresentadora da TVE, Naiara Oliveira, que bateu um papo com os alunos que fazem parte da Agência de Notícias da Rede Estadual da Educação da Bahia. A jornalista se apresentou no Palco Galera, no Nível 06, e contou aos estudantes os desafios e vitórias de como foi construída a sua trajetória profissional no jornalismo da Bahia e do Brasil .

“Esse evento é mais do que celebrar, é também agradecer. E quando eu digo agradecer por ser a gente, estar no meio dos nossos e ter a oportunidade de falar para esse tanto de gente, jovens, estudantes que por muitas vezes vivem a indecisão para qual caminho profissional irá seguir ou se aquilo que está fazendo realmente está valendo a pena e trazendo retorno para a caminhada deles. Estar aqui falando não só para estes 27 núcleos territoriais de educação, mas também para muita gente que está em casa acompanhando as transmissões on-line é reafirmar a certeza de educação, sonho, realidade e força de vontade caminham juntos quando falamos de correr atrás de algo que a gente tanto deseja” , finalizou Naiara Oliveira.

 *Texto produzido por Patrícia Bernardes Sousa, jornalista e mobilizadora de Projetos de Impacto Social na Bahia.

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