
Foto: Daniel Sena
Governo e prefeitura demonstram na prática como políticas públicas, da energia limpa à gestão de resíduos, fortalecem o protagonismo da Bahia no debate ambiental global
Na COP30, realizada em Belém, o poder público baiano marca presença em duas frentes complementares, demonstrando um compromisso com a agenda ambiental. De um lado, o Governo do Estado, liderado por Jerônimo Rodrigues, foca na transição energética e na proteção de biomas. Do outro, a Prefeitura de Salvador, sob a gestão de Bruno Reis, apresenta soluções inovadoras e premiadas para a gestão de resíduos sólidos urbanos.
Foco na Transição Energética e Biomas
A experiência da Bahia em políticas de incentivo à transição energética e o destaque do estado na produção de energia sustentável marcaram a participação do governador Jerônimo Rodrigues na COP30. Durante os encontros, ele enfatizou a urgência de acelerar as ações de enfrentamento às mudanças climáticas, destacando que os impactos de eventos extremos já são uma realidade.
“As consequências têm se intensificado. Esses fenômenos se tornam cada vez mais frequentes, e precisamos agir com maior celeridade para conter esse processo”, afirmou Jerônimo, citando o tornado que atingiu o Paraná e as fortes chuvas em Vitória da Conquista como exemplos.
Acompanhado por representantes dos outros oito estados nordestinos através do Consórcio Nordeste, o governador reforçou a atuação conjunta da região em defesa da sustentabilidade e no combate à desertificação que afeta o semiárido. “Viemos discutir transição energética e direito ambiental, mas também fortalecer a pauta da Caatinga, que precisa ser reconhecida e protegida como bioma essencial do nosso país”, completou.
Gestão de Resíduos e Reconhecimento Internacional
Paralelamente, a Prefeitura de Salvador coordenou um painel oficial da conferência com o tema “Gestão de Resíduos Sólidos como Estratégia Climática”. O prefeito Bruno Reis apresentou os cases de sucesso da gestão municipal, que renderam reconhecimento global.
Um dos destaques foi o programa Recicla Capital, recentemente premiado pela Bloomberg Philanthropies e C40 Cities como uma das cinco melhores iniciativas do mundo em tratamento de resíduos. O programa recolhe 5 mil toneladas de materiais por ano e já gerou R$ 1,7 milhão em renda para famílias cooperadas.
“O principal contrato de prestação de serviços da Prefeitura é justamente o de coleta, manejo e tratamento dos resíduos sólidos. Este é um grande desafio de toda cidade, e o único caminho para superá-lo é a inovação. De um lado, queremos uma cidade mais sustentável e com educação ambiental fortalecida; de outro, buscamos eficiência no investimento público, reduzindo custos e gerando renda através da destinação correta dos resíduos, fortalecendo a cadeia produtiva de recicladores, catadores e cooperativas”, explicou Bruno Reis.
O prefeito também ressaltou o pioneirismo do aterro sanitário da cidade, que credencia Salvador como uma das 11 cidades do mundo que mais reduziram emissões de gases de efeito estufa.
“Nosso aterro foi o primeiro do mundo a obter certificação da ONU e a emitir e comercializar créditos de carbono, ainda em 2004. Para se ter uma ideia, o Carnaval de Salvador é um evento com emissão zero de carbono, porque neutralizamos as emissões com os créditos do nosso aterro. A maior festa de rua do planeta é 100% neutralizada. Se a COP30 tivesse ocorrido em Salvador, também seria totalmente neutra em carbono”, afirmou o prefeito.
No encerramento de sua fala, Bruno Reis defendeu a importância do papel das cidades na busca por justiça climática. “Os países mais pobres são os que menos emitem gases, mas são os que mais sofrem com as consequências das mudanças climáticas. Queremos justiça climática, mais recursos e mais apoio para desenvolver políticas públicas inovadoras. As pessoas vivem nas cidades, e nós, prefeitos, temos as condições e a responsabilidade de transformar o mundo”, concluiu.


