Em discurso na sessão “Clima e Natureza”, resultados como a redução recorde do desmatamento foram destacados, e novas metas, como a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, foram anunciadas pelo presidente.

Foto: Ricardo Stuckert/Secom-PR
A necessidade de a humanidade transformar promessas em resultados concretos diante da crise climática foi defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira (6), durante a Cúpula de Líderes da COP30. Ao discursar na mesa redonda “Clima e Natureza: Florestas e Oceanos”, em Belém (PA), uma série de ações e compromissos do Brasil foi apresentada, seguida por um chamado à cooperação global.
“Nenhum país poderá enfrentar a crise climática sozinho. Os incêndios que consomem nossas florestas não respeitam fronteiras. Nem o plástico que polui nossos oceanos e elimina a vida marinha”, afirmou Lula, que presidiu a sessão. “Somente um multilateralismo revigorado pode equacionar esses dilemas de ação coletiva.”
Um pacto pela vida das florestas, dos oceanos e da humanidade foi proposto por Lula naquilo que chamou de “COP da verdade”. “É hora de transformar ambição em ação e de reencontrar o equilíbrio entre crescimento e sustentabilidade”, disse.
Resultados na Amazônia e Recuperação de Pastagens
Uma série de conquistas e marcos do Brasil para a preservação ambiental foi listada pelo presidente. Foi destacado por Lula que o desmatamento na Amazônia foi reduzido em mais de 50%, alcançando a menor taxa dos últimos 11 anos. O compromisso de zerar o desmatamento até 2030 também foi reiterado. “Esse é um dos principais compromissos do meu governo”, afirmou.
Além disso, foi anunciada a meta de recuperar 40 milhões de hectares de pastagens degradadas na próxima década, medida que deve impulsionar a restauração florestal e a produção sustentável.
Proteção dos Oceanos e da ‘Amazônia Azul’
O compromisso do Brasil com a proteção dos oceanos e da biodiversidade marinha foi reafirmado por Lula. Segundo o presidente, o Tratado do Alto Mar, que estabelece regras para o uso sustentável dos recursos em águas internacionais, será ratificado pelo país até o fim de 2025.
A “Amazônia Azul” também será fortalecida com planejamento espacial marinho e proteção de ecossistemas costeiros, como mangues e recifes de corais, que são fundamentais para a regulação climática. Outra ação prevista é a ampliação de 26% para 30% da cobertura de áreas marinhas protegidas no país.
Fundo Inovador para Remunerar a Conservação
Entre as iniciativas, o inovador Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) foi destacado por Lula. O mecanismo cria um novo modelo de financiamento em que países que preservam suas florestas tropicais são recompensados financeiramente por um fundo de investimento global, que, por sua vez, remunera os investidores com taxas de mercado.
Na prática, uma nova economia baseada na conservação é criada pelo fundo, tornando a floresta em pé uma fonte de desenvolvimento. “Somente uma arquitetura financeira robusta e equitativa pode garantir que a conservação dos nossos maiores ecossistemas tenha recursos”, disse Lula.
Investidores e 53 países já endossaram a Declaração de Lançamento do fundo, anunciando um montante inicial de mais de US$ 5,5 bilhões. A expectativa é que um aporte de US$ 25 bilhões seja garantido nos primeiros anos.


