Público pode conferir obras de seis artistas baianos da nova geração até o mês de julho em Salvador

A abertura da exposição “Iniciadas: Ancestralidades Contemporâneas”, na noite desta terça-feira (2), foi marcada pela forte presença do público que se reuniu na Galeria Contemporânea do MAC Bahia para conferir o trabalho de seis artistas baianos que despontam como talentos da nova geração.
Reunindo a diversidade e vibração de pinturas e fotografias de Tiago Sant’Ana, Rebeca Carapiá, Glicéria Tupinambá, Pedro Marighella, Anderson Ac. e Isabel Seifarth, a exposição segue aberta até julho deste ano gratuitamente, de terça a sábado das 10h às 22h e domingos e feriados das 10h às 20h.
O museu contou, além do grande público, com a presença de nomes da produção cultural como Piti Canella, diretora Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), Luciana Mandelli, diretora-geral do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) e Daniel Rangel, diretor do Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC Bahia) e curador da exposição.
Em entrevista ao repórter Jadson Luigi, Rangel contou que o processo de seleção dos artistas foi mais difícil que a escolha das obras. “É difícil tentar fazer uma exposição que represente os jovens baianos e a produção contemporânea da Bahia dos jovens de hoje. Então pensar em fazer um recorte que represente isso é um desafio muito grande, eu acho que a gente não consegue fechar questões, não conseguimos chegar numa totalidade, mas aqui tem uma representação, de fato, do que é arte contemporânea da Bahia hoje em diferentes vertentes”.
Uma das artistas com obras expostas na ‘Iniciadas’, Glicéria Tupinambá, em entrevista ao Portal Umbu, declarou estar em um momento de “uma grande alegria, uma satisfação”. “Estar nesse espaço aqui, que é acolhedor, e trazendo aqui o feitiço do fio, que é do Manto Tupinambá, trazendo essa trama pra entramar, envolver, enfeitiçar todas as pessoas porque essa história nos pertence, pertence aos povos originários, pertence aos seus descendentes”.

“A gente precisa resgatar esses fragmentos da nossa história e repensar tudo isso. O MAC está dando esse espaço para gente poder fazer essa reflexão, então eu fico muito feliz, muito agradecida e encantada”, comentou.
Frequentadora assídua do MAC Bahia, Vanessa Correia contou que visita o local desde quando era o Palacete das Artes e compartilhou sua alegria com a mostra. “A exposição [está] muito linda. O lugar ajuda muito também. Eu acho muito bom que esse espaço esteja aqui, aberto para todo mundo, gratuito e todo mundo tem acesso”, declarou a servidora pública.
A exposição traz obras de seis artistas, sendo três homens e três mulheres, como forma de apresentar equidade e representação de gênero, tendo em vista a massiva presença masculina nas artes. “A gente tem uma maioria de artistas negros e indígenas dentro da exposição, refletindo também o que é a Bahia […] que também é majoritariamente negra, indígena e não-branca. A exposição reflete também isso na seleção, então primeiro foi esse desafio de ter essa representatividade em termos de gênero, de equidade, da representatividade cultural, da gente ter as nossas tradições populares representadas, as nossas tradições afrodiaspóricas representadas, nossas tradições indígenas representadas”, contou Daniel Rangel.
“O termo ‘iniciadas’, aqui, é utilizado para se referir a artistas que já têm uma trajetória, que já foram iniciados, digamos, no meio das artes. Então são artistas que têm obras em coleções, participam de exposições coletivas importantes pelo Brasil e aqui na Bahia, bienais, são artistas que têm galerias que representam os trabalhos deles”, explicou o curador, apontando que os autores das obras em exposição já são reconhecidos pelo sistema da arte e que esse momento de reunião entre eles serve para mostrar a potência artística da Bahia.



