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Dinheiro não aceita desaforo

Foto: José Cruz/Agência Brasil

 O bom de trabalhar viajando é que você acaba tendo a oportunidade de observar, conversar, ouvir muitas histórias e assim acaba aprendendo um pouco mais da vida através da observação do cotidiano. Aprende sobre a vida na prática e experiências vividas por pessoas que você nunca viu e certamente nunca mais vai ver outra vez. Como dizia o escritor, jornalista e cronista Nelson Rodrigues, experimentando a VIDA COMO ELA É.

Dentre as inúmeras histórias que já ouvi, lembrei de uma conversa com um jovem motorista de aplicativo que relatou como a sua vida mudou da água para o vinho e como foi doloroso viver o fundo do abismo para aprender o que todas as pessoas que tem a vida organizada sabe e que ninguém encontrará nas páginas dos livros.

Dinheiro não aceita desaforo e foge de quem não sabe como cuidar dele.

O drama do nosso amigo ilustrou exatamente isso. Como o dinheiro cobra caro a falta de zelo e organização de quem teve a oportunidade de tê-lo e deixou que ele escorregasse entre os dedos!

Vamos chamá-lo de Alan Harper (Two and Half Man), nosso jovem que começou a trabalhar cedo, conseguiu um bom emprego e casou-se com uma jovem talentosa e cheia de sonhos como ele. Até aí, tudo bem, não tem nenhum problema em se divertir, viajar e comprar roupas novas, desde que seja de forma organizada, planejada e necessária. Não dá para viver um eterno conto de fadas. O problema é que eles não eram herdeiros e sim trabalhadores que precisam labutar todos os dias para financiar esse estilo de vida sofisticado.

O grande problema é que nenhum dos dois pensava em ter uma vida previdente. Viviam a vida como se o dinheiro nunca fosse acabar ou que nada de errado pudesse acontecer para acabar com esse estilo de vida de restaurantes sofisticados, baladas, roupas da moda e nenhum, nenhum investimento pensando no futuro. Todo dinheiro que ganhavam no mês era revertido para pagar a fatura do cartão de crédito e os boletos de prestação dos dois carros novos e aluguel do apartamento com piscina em um bairro bacana. 

Quando o cenário político mudou, a economia brasileira declinou e a crise bateu à porta do nosso casal. O desemprego apareceu, o padrão de vida não mudou com a redução da renda e eles não tinham nenhuma reserva. Que delícia! Tudo que tinham era financiado em um milhão de parcelas e como não tinham nenhum centavo de reserva financeira, começaram a atrasar o pagamento do aluguel, atrasar a prestação dos dois carros e cometeram o pior dos pecados, resolveram pagar o mínimo do cartão de crédito. Essa decisão foi a pá de cal na vida de conto de fadas do nosso jovem casal.

Não deu outra, o desespero fez morada na mente dos dois. Um dos carros foi tomado pela financeira no meio da rua e o outro precisou ser vendido às pressas por um valor muito abaixo do mercado. Boa parte desse dinheiro ficou com a  financeira porque era parcelado e o pouco que sobrou não deu nem para pagar a dívida com o cartão de crédito.

Resultado, os nomes dos dois no SPC/SERASA devido a dívida com o cartão, despejo de onde moravam por falta de pagamento do aluguel e ficaram sem crédito no cartão até mesmo para comprar comida. Falência total de um estilo de vida dos sonhos. 

Aí, meu filhote, não tem relação que sustente um revés desta magnitude e rapidamente tudo que alicerçava o amor dos pombinhos foi caindo por terra como um caminho de dominó. De repente não tinha mais baladas no final de semana, não tinha mais jantares, os convites para os eventos deixaram de chegar e os milhares de amigos da rede social simplesmente desapareceram. O casal foi cancelado e o casamento acabou.

Essa é uma história real que descreve exatamente a vida de muitas pessoas que vivem ou sobrevivem sem planejamento, sem previdência e sem zelo com o dinheiro que ganharam como fruto do trabalho e como a conta dessa negligência é alta. Assim como o Alan Harper da série, o dinheiro que deu todo glamour, também tirou tudo que eles entendiam como valor.

Entendeu o risco que é viver uma vida sem planejamento?  Não dá para levar a vida no improviso. É necessário ter um plano! Não sabemos quando uma crise, uma urgência ou uma enfermidade vai bater à porta. Se não tiver uma reserva, infelizmente você terá a mesma sorte do nosso amiguinho festeiro.

Como depois da tempestade sempre vem a bonança para quem suporta o processo, o nosso amigo afirma que aprendeu a dolorosa lição e que hoje ele vive uma vida muito mais segura e feliz, mesmo sem tantas festas, com jantares em casa e sem ostentação e amigos de rede sociais. Hummm… doeu, mas aprendeu!!!

Um forte abraço e até a próxima!

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Ana Patrícia
Ana Patrícia
22 minutos atrás

Muitos pontos para reflexão, finanças, relacionamento… Bases que precisam ser sólidas, conscientes para suportar as adversidades vindas. Sem o devido fundamento logo de dissipa como castelos de areia…

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