Estudo foi conduzido pelo Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo
Neste domingo (15) é comemorado o Dia do Professor. A data foi oficializada há 60 anos, por meio de um decreto assinado pelo então presidente do Brasil, João Goulart. Com informações da Agência Senado.
Antes da oficialização, durante o período conhecido como Brasil Império,
Dom Pedro I assinou, no dia 15 de outubro de 1827, o decreto que criava o ensino elementar no Brasil. A data fazia referência a Santa Teresa de Ávila, que pela tradição católica foi educadora e amante dos livros. Anos se passaram e os desafios enfrentados pelos professores continuaram.
O Brasil tem hoje 2,5 milhões de professores, sendo que 2,2 milhões estão na educação básica e 386 mil estão na graduação. Os números são do Censo Escolar de 2021 e do Censo da Educação Superior de 2020.
Apesar de serem muitos, em 2040 é provável que o país enfrente uma escassez desses profissionais, é o que aponta um estudo da Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp). Segundo o levantamento, até 2040 o país pode enfrentar uma carência de cerca de 235 mil professores na educação básica.
O estudo revela um desinteresse dos mais jovens de seguir a profissão. Segundo o estudo, o crescimento no número de ingressantes em cursos de licenciatura foi menor do que no restante do ensino superior. De 2010 a 2020, houve um crescimento de 53,8% no ingresso em graduações que têm como carreira no ensino, já os demais cursos o aumento ficou em 76% no período.
A pesquisa evidencia ainda um outro problema, a evasão nos cursos de licenciatura. Nos dez anos seguintes, o percentual de estudantes que concluiu os cursos de licenciatura aumentou somente 4,3%.
A pesquisa mostra que o percentual de novos alunos em cursos de licenciatura com até 29 anos de idade caiu de 62,8%, em 2010, para 53%, em 2020. Ou seja, a carreira vem registrando um envelhecimento dos profissionais.
Entre 2009 e 2021, o número de professores em início de carreira, com até 24 anos de idade, caiu de 116 mil para 67 mil, uma retração de 42,4%. Ao mesmo tempo, o percentual de docentes do ensino básico com 50 anos ou mais cresceu 109% no período.
A baixa remuneração e a valorização de professores, talvez sejam uns dos principais desafios enfrentados pela classe. Com o custo de vida alto, é preciso elevar o salário da categoria para que eles possam viver com o mínimo de dignidade.
O excesso de trabalho é outro fator importante. Imagine que os professores recebam durante as horas em que dão suas aulas nas escolas, no entanto, não são remunerados quando levam o trabalho para casa, ou seja, aquelas horas extras em correção de provas, testes e atividades dos alunos não são computadas como parte do trabalho.
Outro exemplo da sobrecarga desses profissionais, são as turmas cada vez mais cheias. É injusto delegar a um professor, a tarefa de dar aula para uma classe com 40 ou 50 alunos. Com a tecnologia cada vez mais inserida na rotina dos alunos, o professor precisa ainda disputar a atenção do discente com os celulares, tablets, etc.
Esses são alguns dos muitos desafios enfrentados pela categoria todos os dias. Os caminhos para superar a evasão e a falta de interesse pelos cursos de licenciatura são complexos. Mas que tal começarmos a pensar, juntos, em soluções para esse problema. Vem comigo?
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