
A poucos dias do início da Copa do Mundo de 2026, comerciantes de Salvador já vivem a expectativa de um aumento significativo nas vendas. O torneio, que começa em 11 de junho, nos Estados Unidos, Canadá e México, promete aquecer setores como bares, restaurantes, supermercados, vestuário e comércio de artigos temáticos, ampliando o movimento econômico na capital baiana e em todo o país.
De acordo com projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a Copa deve injetar cerca de R$ 4,32 bilhões no varejo brasileiro durante o período da competição. O valor representa crescimento real de 6,5% em relação à edição de 2022, realizada no Catar. Os supermercados devem concentrar a maior fatia desse montante, com movimentação estimada em R$ 3,97 bilhões, impulsionada pelo consumo de alimentos e bebidas para reuniões entre amigos e familiares durante os jogos.
Em Salvador, o clima de Copa já começou a transformar vitrines e estoques. Lojas especializadas em artigos festivos, decoração e produtos temáticos registram aumento na procura por bandeiras, camisas, copos personalizados, vuvuzelas e itens nas cores verde e amarela. O movimento ocorre simultaneamente aos preparativos para o São João, criando uma combinação considerada favorável para o comércio local.
Segundo estimativas do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado da Bahia (Sindilojas), o varejo soteropolitano deve registrar crescimento de aproximadamente 5% nas vendas em junho na comparação com o mesmo período do ano passado. A expectativa é que o desempenho seja impulsionado justamente pela coincidência entre a Copa do Mundo e os festejos juninos, duas datas tradicionalmente fortes para o consumo.
Além do varejo tradicional, bares e restaurantes apostam em uma forte elevação do movimento durante os jogos da Seleção Brasileira. Empresários do setor já preparam promoções, telões e programações especiais para atrair torcedores. Em Salvador, a expectativa é de que a combinação entre Copa do Mundo, São João e Dia dos Namorados resulte em um dos períodos de maior faturamento do ano para os estabelecimentos de alimentação e entretenimento.
Dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostram que 52% dos estabelecimentos do país pretendem transmitir as partidas do Mundial. Entre aqueles que vão exibir os jogos, 80% esperam registrar aumento no faturamento em comparação aos dias sem partidas. A maior parte desse grupo (59%) projeta crescimento de até 20% nas receitas durante o período da competição.
O levantamento aponta ainda que a adesão é maior justamente nos segmentos mais ligados ao consumo coletivo, como cervejarias e choperias (85%), churrascarias e espetarias (77%), bares (68%), restaurantes à la carte (65%) e hamburguerias (65%). Além dos jogos do Brasil, 59% dos estabelecimentos afirmam que também pretendem transmitir partidas de outras seleções para manter o fluxo de clientes ao longo do torneio.
A expectativa é sustentada também pelo comportamento dos consumidores. Pesquisa do Centro de Estudos Aplicados de Marketing (CEAM/ESPM) mostra que 21,2% dos brasileiros pretendem assistir aos jogos da Seleção em bares e restaurantes. Entre esses torcedores, 63,8% estimam gastar pelo menos R$ 100 por partida, o que pode representar um incremento importante para o faturamento do setor.
Ainda no cenário nacional, uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) aponta que mais de 99 milhões de brasileiros pretendem realizar algum tipo de compra relacionada ao Mundial. O levantamento estima um gasto médio de R$ 619 por consumidor, valor que pode superar R$ 780 entre pessoas das classes A e B. Entre os produtos mais procurados estão alimentos, bebidas, artigos de decoração, roupas temáticas e acessórios ligados à Seleção Brasileira.
A pesquisa também mostra que cerca de 74% dos consumidores tendem a valorizar marcas associadas à Seleção Brasileira durante a competição, o que tem levado empresas a investir em campanhas promocionais e ações de marketing temáticas.
Outro segmento beneficiado deve ser o de eletrônicos. Embora o crédito mais caro tenha reduzido o ritmo de compras de televisores em comparação a edições anteriores, especialistas ainda projetam aumento na demanda por TVs, caixas de som e equipamentos voltados para a experiência de assistir aos jogos em casa.
Para a Fecomércio-BA, a Copa também deve potencializar os efeitos positivos do São João na economia estadual. A entidade estima crescimento médio de 4% nas vendas dos segmentos mais diretamente ligados ao período junino, como supermercados, vestuário, tecidos, bebidas e artigos típicos. No turismo, a expectativa é de alta de 3% em relação ao ano passado.



