
O Congresso do Peru aprovou, nesta terça-feira (17), a destituição do presidente José Jeri, encerrando abruptamente seu mandato e aprofundando a crise política que assola o país andino. A votação, realizada por ampla maioria, afastou Jeri de suas funções executivas em meio a acusações de suposta incapacidade moral permanente, um instrumento legal frequentemente utilizado no país para substituição de chefes de Estado.
A sessão no Parlamento peruano, dominado por forças de oposição, resultou na aprovação de um pedido de vacância contra Jeri, que já enfrentava forte desgaste político desde sua posse há poucos meses. Os parlamentares argumentaram que o presidente havia perdido condições de governabilidade e confiança para liderar o país, apesar de Jeri rejeitar as alegações e afirmar sua inocência diante de críticas crescentes.
A destituição ocorreu em um contexto de instabilidade institucional no Peru, que vive sucessivas mudanças de liderança nos últimos anos, com vários presidentes deixando o cargo antes do término do mandato. A movimentação no Congresso reflete a polarização entre o Legislativo e o Executivo, em um país marcado por tensão entre poderes e desafios econômicos e sociais persistentes.
José Jeri, de 38 anos, é filiado ao partido conservador Somos Perú e presidente do Congresso peruano desde julho. Ele foi o oitavo presidente do Peru em 10 anos. Agora, a linha de sucessão constitucional estabeleceu a transferência do poder à vice-presidência ou a outro responsável definido pelo Parlamento, conforme os dispositivos legais peruanos para garantir a continuidade do governo. A transição imediata será acompanhada por protestos e manifestações nas ruas de Lima e outras cidades, em um momento em que diversos setores clamam por reformas e estabilidade política.
Organizações internacionais e governos estrangeiros acompanharam de perto o desenrolar dos fatos e reforçaram apelos por respeito às instituições democráticas e ao Estado de direito no Peru, onde a conjuntura política segue em rápida mutação.



