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Compra parcelada – A armadilha perfeita

Foto: Reprodução

Em outras oportunidades, eu escrevi sobre o parcelamento das compras através do cartão de crédito e que essa é uma característica muito comum nos países da América Latina e, em especial, aqui no Brasil, uma vez que o parcelamento sem juros caiu no gosto da população e acabou virando cultura.

Quando olhamos na perspectiva de acesso a bens duráveis, como eletrodomésticos, viagens de família ou passagens aéreas, ou no investimento em cursos profissionalizantes ou de aperfeiçoamento da carreira, o parcelamento se torna uma ferramenta não só de compra, mas sim de inclusão social.

Essa possibilidade é confortante, principalmente para uma população que, de uma forma geral, foi privada do acesso a uma educação de qualidade e, principalmente, da educação financeira nas escolas e, com isso, acabou sendo aprisionada no ciclo infinito de trabalho, consumo, endividamento e trabalho para pagar a conta do consumo.

Imagine aí: quando é que uma pessoa assalariada iria conseguir andar de avião, comprar uma TV ou uma geladeira se tivesse que pagar à vista? NUNCA!!!!!!

Mas é aquilo: por essas terras aqui, quando se trata do rico dinheirinho, nada vem de graça e, com certeza, é você, meu jovem, que ousou beber uma água gelada em casa, quem vai pagar essa conta do parcelamento sem saber.

E é sobre essas armadilhas do parcelamento que comentarei este mês.

A primeira coisa que precisamos saber é que essa conversa de parcelamento sem juros só é verdade se existir a possibilidade de pagamento à vista com desconto real. Se não houver desconto, esse “sem juros” nada mais é do que uma jogada de números e marketing para te convencer a consumir, pois os custos do parcelamento já estão inclusos na formação do preço apresentado como sendo à vista nas vitrines e anúncios.

Outro ponto é que você precisa ter critério e atenção com o que vai escolher parcelar. Essa possibilidade de parcelamento foi criada para antecipar o acesso a itens duráveis ou a compras esporádicas que não se conseguiria pagar à vista, como é o caso de uma geladeira, um fogão ou uma TV. Esses itens não são comprados todos os meses, e o número de parcelas, com certeza, será menor que o tempo que você precisará para comprar outro item como esse.

Agora que você entendeu para que serve o parcelamento no cartão de crédito, vou te alertar para que você não caia no que, para mim, é a maior, mais perigosa e cruel armadilha financeira de todas: parcelar as compras de lazer, prazer ou status. Não façam isso!

Nada de sair com o cartão comprando em tudo que é loja e parcelando em cinco, seis ou dez vezes sem juros porque a parcela cabe no seu bolso. Isso é um erro. Isso é cilada, Binho!

O cartão é uma ferramenta de compras fácil, rápida e que não gera memória mecânica.

Nesse tipo de compra, você não precisa abrir a carteira ou a bolsa, pegar o dinheiro, contar o dinheiro, pagar ao vendedor e nem precisa calcular o troco. Tudo fica simples, rápido, e você vai esquecer em segundos. E, se por acaso lembrar, vai lembrar apenas do valor da parcela e não do valor total da compra. Exemplo: se você compra um tênis de corrida em 12 x R$ 100,00, só vai lembrar dos R$ 100,00 da parcela, quando, na verdade, você acabou de comprar um tênis de R$ 1.200,00 para correr nas Olimpíadas.

Entendeu por que parcelar sem critério é tão perigoso? Certamente, os R$ 100,00 do exemplo você conseguirá pagar, mas, se forem somados a outra parcela de R$ 50,00 que você fez na loja anterior, mais outra parcela de R$ 80,00 no outro dia e mais aquela parcela de R$ 300,00 para aquela compra que era uma oportunidade, e por aí em diante, quando você perceber, o valor da fatura, que é igual à soma de todas as parcelinhas do mês, ficou maior que a sua capacidade de pagamento. Aí, filhote, lamento te informar que você foi fisgado igual a um peixinho dourado no anzol do endividamento.

Então, meus amigos, se precisar comprar algum item durável ou que vá fazer diferença na sua qualidade ou na melhoria de vida, vá em frente, porque o parcelamento tem que ser usado para isso mesmo: criar acesso, dar dignidade e ajudar na evolução pessoal e profissional de quem não pode pagar tudo de uma só vez.

Agora, se sua ideia é usar o cartãozinho para financiar e parcelar as comprinhas da moda, para financiar um acesso e um estilo de vida que você ainda não tem condições de bancar, minha recomendação é que você não siga por esse caminho, porque não faz sentido e vai dar errado uma hora ou outra.

Mas entendo também que sua cabeça é seu guia! Se você acredita que vale a pena investir de forma parcelada para farmar aura, boa sorte. Custa bastante, no momento, as suas curtidas nas redes sociais, mas não se esqueça de curtir as mensagens do cartão e não deixe de atender às ligações dos seus queridos amigos dos bancos. Eles adoram quando você fica com a aura iluminada.

Boa sorte e até a próxima!

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