A saída ocorre após Cristina Junqueira divulgar um evento da produtora de extrema-direita

Cristina Junqueira, cofundadora e atual vice-presidente do Nubank, anunciou sua saída do conselho do site Ranking dos Políticos, uma iniciativa que avalia o desempenho de deputados e senadores brasileiros. O site é mantido pela Brasil Paralelo, uma produtora conhecida por suas inclinações à extrema-direita.
A saída dela do Ranking dos Políticos ocorreu na última quinta (20), dias após a polêmica. A informação de que Junqueira fazia parte do conselho do site foi revelada pelo Sleeping Giants Brasil.
A decisão ocorre após Cristina Junqueira divulgar um evento da produtora de Brasil Paralelo, conhecida por posicionamentos negacionistas e conteúdos difundidos pela extrema-direita. Como resultado, o Nubank ficou entre os assuntos mais comentados do X (ex-Twitter) nesta terça-feira (16) e internautas promovem boicote ao banco nas redes sociais.
O diretor-geral do Ranking dos Políticos, Juan Carlos, à coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, disse que a executiva “solicitou seu desligamento devido à baixa participação e à falta de tempo para se dedicar plenamente às suas responsabilidades”. Ele negou que tenha sido uma saída política.
Entenda o caso:
As ações do Nubank fecharam em queda na última terça-feira (18) após uma polêmica envolvendo a CEO e cofundadora da empresa, Cristina Junqueira. A controvérsia começou quando Junqueira publicou no Instagram um agradecimento por um convite para o evento de lançamento do livro “We Who Wrestle With God” de Jordan B. Peterson, psicólogo canadense associado à extrema-direita e crítico do movimento LGBTQIA+.
A publicação gerou indignação entre os clientes, que começaram a anunciar o encerramento de suas contas, o que coincidiu com a queda das ações da Nu Holdings, controladora do Nubank, que fecharam em baixa de 1,18%, valendo US$ 11,69. No dia seguinte, as ações continuaram em queda.
O evento promovido por Peterson é apoiado pela Brasil Paralelo, produtora conhecida por disseminar desinformação e vídeos antivacina, e fundada por Konrad Scorciapino, ex-engenheiro do Nubank. A conexão entre Junqueira e Brasil Paralelo causou críticas devido ao histórico da produtora e ao envolvimento de Scorciapino em atividades controversas.
Cristina Junqueira afirmou que o Nubank não tem vínculos com a Brasil Paralelo. Internamente, Youssef Lahrech, presidente e diretor de operações do Nubank, minimizou a situação em uma nota, declarando que a publicação de Junqueira não violava o Código de Conduta da empresa. No entanto, a nota gerou insatisfação entre os funcionários, que consideraram inadequada a associação com a Brasil Paralelo.


