”A arte e a cultura apresentam a eles uma diversidade de formas como eles podem falar e ser ouvidos”, diz o coordenador de projetos Leandro Cunha
Seja estimulando a consciência crítica, criando senso político e social pela comunicação e pela arte, ou promovendo integração social pela prática musical, organizações de todo o Estado têm se aliado à Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBa) na missão de nortear de forma positiva crianças e jovens para o futuro.
“A juventude possui formas distintas de expressão e tem a necessidade de se expressar”, pontua o coordenador de projetos da Cipó Comunicação Interativa (@cipocomunicacao ), Leandro Cunha. “Eles querem que o mundo os enxergue enquanto pessoas com suas devidas importâncias em seus vínculos sociais – e a arte e a cultura apresentam a eles uma diversidade de formas como eles podem falar e ser ouvidos, seja por meio de música, poesia, literatura, fotografia, vídeo e o que mais houver”.
Com 24 anos de atuação e parceria de longa data com a Secult estadual, a Cipó – localizada nos Barris, em Salvador – tem como missão criar oportunidades para o pleno desenvolvimento e participação social, cultural e política dos jovens, por meio da democratização da comunicação e da educação. “Muitas pessoas erroneamente enxergam a arte e a cultura apenas como entretenimento, mas essa é só a primeira etapa”, explica Cunha. “Depois, é preciso haver fruição, diversificação do universo simbólico, construção de saberes e disseminação.”
Monitor da juventude do programa Corra para o Abraço da Cipó, o poeta Pedro Blues (@pedro .blues) entrou como aluno na instituição. “Na Cipó você conhece pessoas iguais a você, que são capazes de transformar a vida de jovens periféricos”, relata. “Comigo, tudo começou com uma pequena biblioteca no meu bairro e olha o quão longe estou chegando”, afirma o jovem, que já recitou a própria poesia para MV Bill.
Vinculada à Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos e gerida pelo Instituto de Desenvolvimento Social Pela Música, a Orquestra Neojiba é mais um dos parceiros de longa data da SecultBA. Com status de política pública, a Neojiba hoje beneficia 2,3 mil integrantes diretos e 6 mil indiretos em ações de apoio e iniciativas privadas. Para o maestro da orquestra, Marcos Rangel, a Neojiba ultrapassa a linha de um projeto musical e atinge em cheio a parte social.
“Se a gente pensar que uma orquestra é uma miniatura da sociedade e que nós estamos trabalhando todo dia para melhorar essa pequena sociedade desde que eles têm 8, 9, 10 anos, quando eles se tornam homens e mulheres, fica nítido que foram criados na percepção de melhorar a pequena sociedade onde vivem”, avalia. “E se nós somos capazes de melhorar nossa pequena sociedade, quer dizer que nós também somos capazes de melhorar grandes sociedades.”
MOBILIZAÇÃO:
Criado há cerca de 30 anos por um grupo de mulheres, o Centro de Referência Integral de Adolescentes (Cria), que fica próximo ao Terreiro de Jesus, é outro exemplo de organização que, em parceria com a Secult estadual, faz uso da arte – neste caso, o teatro – como ferramenta de mobilização e sensibilização dos jovens. Atualmente, o Cria reúne 60 jovens de 24 comunidades da cidade, que recebem aulas de teatro e fazem intercâmbio artístico com outras cidades no Recôncavo Baiano.
Coordenadora-geral do centro, Beth Vieira explica que esses jovens compreendem o espetáculo do qual participam, vivenciam a arte e são provocados a enxergar o território em que vivem. “Esses jovens vêm de um contexto familiar e comunitário fragilizado e nós os acolhemos, respeitando sua diversidade e o que cada um é, sente ou traz como questões”, explica. “Na nossa metodologia do ‘quem somos nós’, ele vai se descobrindo e empoderando.”
A arte educadora do Cria Beatriz Santana – que já foi aluna do centro e hoje atua ainda como assistente de comunicação da instituição – enaltece a relação entre o acolhimento do projeto e a ajuda para afastar os jovens da criminalidade e de situações de vulnerabilidade.
“Alguns jovens do Cria passam por situações de vulnerabilidade até com suas famílias”, pontua. “O Cria apresenta uma perspectiva de futuro e possibilidades infinitas, que, normalmente, são negadas para nós, jovens negros e negras das comunidades.”
Na foto, equipe Cipó: Magalhães Romao Fernandes , Eva Brenda Soares, Paloma Lacerda, Robson Oliveira, Neusinea Maciel, Tatiane Queiroz, Dhara Teixeira, Genilson Costa e Djean Ribeiro – Foto: Denisse Salazar
Fonte: Portal A Tarde




