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	<title>Arquivo de Espelho de Festa - Portal UMBU</title>
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	<title>Arquivo de Espelho de Festa - Portal UMBU</title>
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		<title>Entre tretas e disputas os espaços carnavalescos mostram que valem ouro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cleidiana Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Feb 2026 12:35:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Espelho de Festa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Carnaval concluído, é hora do ano realmente começar para nós, baianas e baianos. Não sinta culpa porque, na verdade, é apenas a festa fazendo valer um dos seus poderes sobre nós, ou seja, um calendário mágico pressionando o calendário oficial. E, durante o Carnaval, quem não imaginou que chegaríamos a esse primeiro dia da nossa [&#8230;]</p>
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<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="799" height="533" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2026/02/55100865807_fcfbd13d7e_c.jpg" alt="" class="wp-image-63678" style="width:719px;height:auto" srcset="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2026/02/55100865807_fcfbd13d7e_c.jpg 799w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2026/02/55100865807_fcfbd13d7e_c-300x200.jpg 300w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2026/02/55100865807_fcfbd13d7e_c-768x512.jpg 768w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2026/02/55100865807_fcfbd13d7e_c-750x500.jpg 750w" sizes="(max-width: 799px) 100vw, 799px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Wuiga Rubini/GOVBA</figcaption></figure>
</div>


<p>Carnaval concluído, é hora do ano realmente começar para nós, baianas e baianos. Não sinta culpa porque, na verdade, é apenas a festa fazendo valer um dos seus poderes sobre nós, ou seja, um calendário mágico pressionando o calendário oficial. E, durante o Carnaval, quem não imaginou que chegaríamos a esse primeiro dia da nossa roda do ano festivo &#8211; o Carnaval é apenas o marco zero, pois vamos agora em sequência para Semana Santa, Festa Junina etc. &#8211; com a tal da discussão de qual foi a música do Carnaval. Mas estamos é de queixo caído com as tretas por conta de um outro elemento que  a festa mobiliza de várias formas: o espaço. Então, pega aquela água de coco bem geladinha, dá uma respirada e vamos de fuxico temperado com papo sério.  </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" width="416" height="416" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2026/02/coconut-cheers-1.gif" alt="" class="wp-image-63663" style="width:394px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Gif: Tenor</figcaption></figure>
</div>


<h6 class="wp-block-heading">1.Tira o pé da chão que lá vem histórias de tretas</h6>



<p>Tudo começou com a decisão de uma das soberanas da festa, Dona Daniela Mercury, a Primeira do Seu nome, que, ao recorrer à Justiça para iniciar os desfiles na Barra, ensaiou um “Dracarys”, semelhante aos da nossa eterna musa poderosa em todo o Westeros e terras nerds e geeks, Daenerys Targaryen. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" width="398" height="222" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2026/02/game-of-thrones-khaleesi.gif" alt="" class="wp-image-63666" style="aspect-ratio:1.792805577836737;width:530px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Gif: Tenor</figcaption></figure>
</div>


<p>Daniela, que invocou como caminho de trabalho neste carnaval as Padilhas &#8211; uma das forças femininas poderosas das ruas nas culturas religiosas afro-brasileira, como a umbanda -, com esta medida iniciou o debate sobre a polêmica já há alguns anos fila de desfiles no Carnaval. Antes essa discussão era no Circuito Osmar (Campo Grande), mas com o sucesso do Circuito Dodô as tretas nesta linha seguiram para lá. </p>



<p>Poderosa na sua habilidade de cantar e dançar naquele espaço mínimo da frente do trio &#8211; uma pausa para dizer que a criatura broca mesmo &#8211; ela ganhou liminar e botou ainda mais lenha na fogueira para embalar os bastidores de quem sai antes de quem nos desfiles e, que não é de hoje motivo de muita treta, correria, gritaria e fuxicos babadeiros com lances mais impactantes que a  disputa pelo trono de ferro de <em>Game Of Thrones</em>, a saga de R.R. Martin, de onde saiu a poderosa Daenerys. </p>



<p>La Mercury, com a liminar, atraiu a irritação do poderoso Comcar. Logo, em seguida, a liminar caiu, ela ficou sem o lugar na fila, mas essas forças da própria festa lhe fizeram outra forma de justiça mostrando que esse negócio de quem sai na frente de quem não é assunto encerrado: primeiro foi a reclamação de Bell para cima do Olodum e, no dia seguinte, lá veio uma reedição do entrevero dele com o afoxé Filhos de Gandhy que reclamou de atraso. Bell retrucou de forma, digamos, britânica, afirmando que ainda tinha sete minutos. Ah, se fosse assim cronometrado como é no futebol este tempo de Carnaval&#8230; mas não é. E quando a turma do deixa disso respirou aliviada, afinal, há 20 anos, a treta entre Filhos de Gandhy e Bell, ainda na banda Chiclete com Banana, alcançou decibéis bem mais altos, lá veio mais treta. Com quem? Quem? Daniela Mercury, na Barra, de novo!</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="498" height="465" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2026/02/chico-anysio-urubulino.gif" alt="" class="wp-image-63670" style="width:420px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Gif: Tenor</figcaption></figure>
</div>


<p>Era pra Daniela sair depois de Carla Visi, mas aí o trio da cantora quebrou e, segundo a maioria das versões, o trio do Psirico passou no vácuo e atrasou a Rainha. Tensão, agonia, arerê, mas lá foi Daniela em toda a sua majestade. Reclamou, afinal não dá para perder a pose de soberana no circuito que ela reivindica e, com razão, o pioneirismo de atrair visibilidade, deu um leve puxão de orelhas nos coleguinhas da Psirico, recebeu de voltas elogios em forma de afagos do líder da turma, Márcio Victor, e aí estamos aqui já imaginando os novos contornos dessa história para além da Quarta-Feira de Cinzas ou entrar em remissão até o próximo Carnaval&#8230;&nbsp;</p>



<h6 class="wp-block-heading">2. Uma lição do mestre Milton Santos</h6>



<p>Milton Santos, o grande intelectual baiano que revolucionou o estudo da geografia, nos ensinou que o espaço não se limita ao que ele ocupa como forma física. Um espaço ou um território está marcado pelo seu uso, as relações sociais que nele ocorrem, ou seja, o que articula de questões cotidianas, mas também simbólicas. Um circuito de Carnaval ganha uma dimensão que, no dia a dia, ele tem apenas como via de mobilidade, mas aí em uma festa como essa transforma-se em um lugar com outros significados, como local oficial e regulamentado da celebração.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Para tentar ser mais explícita: entrar no Circuito Osmar às 19 horas de terça não tem o mesmo peso que estar nele às 13 horas. Neste horário, as principais atrações já passaram pelo Circuito e, neste horário, nesta edição de 2026, por exemplo, na Barra, era possível encontrar Léo Santana e Timbalada, ou seja, a mobilidade midiática e de público estava toda voltada para o circuito vizinho, ou seja, as chances maiores de aparecer nas TVs, nos sites e nos registros do Instagram. </p>



<p>Os circuitos de Carnaval, nos últimos anos, têm sido gerenciados, aparentemente, por uma tentativa de organizar o fluxo de pessoas, especialmente aquelas que estão fora das acomodações oficiais, como blocos com cordas e camarotes. É aquela categoria chamada de “pipoca”. Com a queda de negócios nos blocos de trio, inclusive pelos investimentos de mais artistas no agora mais rentável modelo de trio independente, pois ela ou ele&nbsp; capta diretamente os recursos, sem muitos intermediários, esse grupo de festeiros aumentou exponencialmente em número. E isso sem diminuir a outra demanda que é a de mais artistas, inclusive de outros ritmos, que correm para ao menos um dia faturar no Carnaval soteropolitano: e aí tem Anitta, sertanejo universitário, ou como dizia meu grande mestre Roberto Albergaria, emerge&nbsp; um Carnaval cada vez mais em estilo festival. E ainda tem a multidão de famosos de várias categorias nos camarotes, hoje bem menos do que nos anos 2000 quando o cachê era, ao que se dizia, satisfatório mesmo. Ainda assim há muito dinheiro circulando via a exposição de marcas que consideram a visibilidade destes locais bons investimentos.&nbsp;</p>



<p>Portanto, sair em horário X do que no Y é briga realmente de foice. E criar circuito não parece ser uma saída. Quem vai deixar um espaço super consolidado como o Barra-Ondina, com todas estas variáveis &#8211; camarotes, artistas de visibilidade nacional e internacional, disputa de marcas para aparecer nas transmissões, principalmente as dos famosos “ao vivo” -, para ir se aventurar em um novo espaço? Daniela Mercury foi há 30 anos, mas será que agora tem alguém com força experimental para tanto? Vale ressaltar que no período em que ela se mandou com o seu bloco para a Barra estava começando a entrada da <em>axé music</em> em uma esfera, digamos, mais “pop” e Daniela alçava voos no mercado nacional com performance de artistas do segmento no período &#8211; coreografia, melodias mais independentes do estilo “trio elético” e, óbvio, videoclipes no estilo daquela época. </p>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="O Mais Belo Dos Belos (part. Banda Didá) - Canibalia: Ritmos do Brasil - Daniela Mercury" width="1300" height="731" src="https://www.youtube.com/embed/M33o-Drs0eM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Mas vai que&#8230;apostas na mesa&#8230;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="278" height="498" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2026/02/poker-chips.gif" alt="" class="wp-image-63671" style="width:348px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Gif: Tenor</figcaption></figure>
</div>


<h6 class="wp-block-heading">3. Um novo circuito? </h6>



<p>É bem possível que a saída apareça com a criação de um novo circuito. Eu, particularmente, não vejo futuro em um novo local onde vai acontecer a mistura de estios musicais diferentes e agremiações com propostas bem divergentes, como acontece agora na Barra. Talvez, tenha sentido, se for algo no estilo da proposta interessante de Carlinhos Brown elaborada e viabilizada há alguns com o nome de Afrodrómo, um espaço para que a diversidade do Carnaval, em sua maioria significativa dada por entidades negras, tivesse maior visibilidade.  A proposta não durou quase nada, mas era, em tese, bem legal, ou seja, oferecer um Carnaval, digamos, “diferenciado”, especialmente para quem está em busca de variedade e para além da sequência de músicas iguais, figurino super parecido, estilos artísticos  idem&#8230;enfim&#8230;teremos aí mais 365 dias para saber se este assunto ganha força ou se vai aguardar a próxima treta. </p>



<p>Aproveito para desejar a todas e todos um bom Novo Ano Baiano. E que nesse início da nossa nova roda festiva tenhamos motivos para festejar muito!  </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="360" height="255" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2026/02/feliz-ano-novo-felizanonovo-1.gif" alt="" class="wp-image-63677" style="width:532px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Gif: Tenor</figcaption></figure>
</div><div class="gsp_post_data" data-post_type="post" data-cat="espelho-de-festa" data-modified="120" data-title="Entre tretas e disputas os espaços carnavalescos mostram que valem ouro" data-home="https://portalumbu.com.br"></div><p>O post <a href="https://portalumbu.com.br/entre-tretas-e-disputas-os-espacos-carnavalescos-mostram-que-valem-ouro/">Entre tretas e disputas os espaços carnavalescos mostram que valem ouro</a> apareceu primeiro em <a href="https://portalumbu.com.br">Portal UMBU</a>.</p>
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		<title>Semana Santa tem penitência e ações disfarçadas, mas que a quebram</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cleidiana Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Apr 2025 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Espelho de Festa]]></category>
		<category><![CDATA[Espelho de Festas]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Chegamos à Semana Santa, um dos períodos mais importantes para os católicos porque consiste na preparação para a sua maior festa: a Páscoa. Isso mesmo. Eu, durante muito tempo, imaginei que seria o Natal, mas como diz São Paulo: “Se Jesus não ressuscitasse, a fé [dos cristãos] não teria sentido” (1 Coríntios 15:12-23).&#160; Nesta semana [&#8230;]</p>
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<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-canva-1-Coroa-de-Espinhos-e-Pano-Roxo-1024x576.png" alt="" class="wp-image-47662" style="width:716px;height:auto" srcset="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-canva-1-Coroa-de-Espinhos-e-Pano-Roxo-1024x576.png 1024w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-canva-1-Coroa-de-Espinhos-e-Pano-Roxo-300x169.png 300w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-canva-1-Coroa-de-Espinhos-e-Pano-Roxo-768x432.png 768w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-canva-1-Coroa-de-Espinhos-e-Pano-Roxo-1536x864.png 1536w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-canva-1-Coroa-de-Espinhos-e-Pano-Roxo-2048x1152.png 2048w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-canva-1-Coroa-de-Espinhos-e-Pano-Roxo-600x338.png 600w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-canva-1-Coroa-de-Espinhos-e-Pano-Roxo-750x422.png 750w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-canva-1-Coroa-de-Espinhos-e-Pano-Roxo-1140x641.png 1140w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Reprodução</figcaption></figure>
</div>


<p>Chegamos à Semana Santa, um dos períodos mais importantes para os católicos porque consiste na preparação para a sua maior festa: a Páscoa. Isso mesmo. Eu, durante muito tempo, imaginei que seria o Natal, mas como diz São Paulo: <em>“Se Jesus não ressuscitasse, a fé [dos cristãos] não teria sentido” </em>(1 Coríntios 15:12-23).&nbsp;</p>



<p>Nesta semana que antecede o domingo considerado o dia em que Jesus levantou do próprio túmulo, invertendo completamente a equação do começo X fim da vida e submetendo a única certeza humana, que é a morte, são adotadas diversas ações voltadas para a conversão dos pecados, como as vigílias e caminhadas penitenciais. A mais conhecida é a via sacra, onde os passos de Jesus até a morte na cruz, seguida pela ressurreição, são lembrados.&nbsp;</p>



<p>Os eventos da Semana Santa ganham ênfase a partir da Quarta, que é chamada de Maior, seguida pela Quinta Maior e a Sexta-Feira da Paixão. Em tese, neste dia, todas e todos os integrantes da comunidade católica deveriam fazer jejum e sequer ouvir música. Houve um tempo em que se cobriam até os espelhos e nem se ligava TV. Nas igrejas, ainda é comum, as imagens amanhecerem na Sexta-Feira Santa cobertas por panos roxos em sinal de luto.&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="683" height="1024" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-2-Jesus-Crucificado-1-683x1024.png" alt="" class="wp-image-47665" style="width:398px;height:auto" srcset="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-2-Jesus-Crucificado-1-683x1024.png 683w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-2-Jesus-Crucificado-1-200x300.png 200w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-2-Jesus-Crucificado-1-768x1152.png 768w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-2-Jesus-Crucificado-1-600x900.png 600w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-2-Jesus-Crucificado-1-750x1125.png 750w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-2-Jesus-Crucificado-1.png 960w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /><figcaption class="wp-element-caption">Está terminado, ilustração para A Vida de Cristo, c.1886-94 (wc e guache sobre papelão) | Obra: James Jacques Joseph Tissot/Brooklyn Museum of Art, New York, EUA/Bridgeman Images</figcaption></figure>
</div>


<p>Mas o passar do tempo é um grande desafio para as tradições continuarem na mesma marcha e com certeza alguém já ouviu avós resmungarem quando não apenas o vinho ganha o espaço na mesa, mas a cerveja e outras bebidas. Os tempos modernos fizeram grandes inovações no protocolo da Semana Santa, mas aqui vão alguns elementos que mostram que o povo do passado também adotava umas certas licenças nestes dias quebrando o silêncio, o recolhimento e toda essa esfera de penitência.&nbsp;</p>



<p>Vamos listar aqui umas coisinhas que fazemos por aqui pela Bahia e que podem também acontecer em outros lugares, como a Queima de Judas, mas das nossas tenho mais propriedade para meter a colher e fazer fuxico, atualizando sempre o maravilhoso  meme de Ó Paí Ó:  <em>“É a Bahia”</em>.     </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/E-A-BAHIA-GIF-1-1024x576.gif" alt="" class="wp-image-47679" style="width:653px;height:auto" srcset="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/E-A-BAHIA-GIF-1-1024x576.gif 1024w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/E-A-BAHIA-GIF-1-300x169.gif 300w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/E-A-BAHIA-GIF-1-768x432.gif 768w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/E-A-BAHIA-GIF-1-1536x864.gif 1536w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/E-A-BAHIA-GIF-1-600x338.gif 600w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/E-A-BAHIA-GIF-1-750x422.gif 750w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/E-A-BAHIA-GIF-1-1140x641.gif 1140w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
</div>


<h6 class="wp-block-heading">Jejum à Moda Baiana</h6>



<ol class="wp-block-list"></ol>



<p>Essa aqui nem é coisa dos tempos modernos e nossos avós podem até meio que tentar contestar, mas é bem raro que se eles nasceram e cresceram em território baiano, sobretudo na capital, Recôncavo e Piemonte do Paraguaçu, não esperaram assiduamente o meio-dia da Sexta-Feira da Paixão para degustar um banquete. Isso mesmo.&nbsp;</p>


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		<figure>
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				</div>
								</figure>
	</div>
	


<p>Os pratos variam de acordo com a região. No Piemonte do Paraguaçu, o cardápio costuma ser mais contido: vatapá, caruru, arroz, galinha de ensopado, moqueca de peixe, salada de bacalhau ou em forma de ensopado. A miraguaia,&nbsp; de vez em quando, frequenta algumas mesas da região.&nbsp;</p>



<p>Já na capital, a variedade deixa a todas e todos próximos do pecado da gula: caruru, vatapá, arroz, farofa de dendê, peixe de moqueca, ensopado, galinha de xinxim, frigideira de bacalhau, de marisco, de maturi e nem vou entrar no campo das sobremesas. De bebida, nas três regiões, o vinho governa, mas tem quem prefira até uma cachacinha.&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="320" height="240" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Magali-gulosa-1.gif" alt="" class="wp-image-47667" style="width:474px;height:auto"/></figure>
</div>


<h6 class="wp-block-heading">Judas vai para  a fogueira, mas antes encarna o boca de bocapiu </h6>



<p>Tenho que reconhecer que esse jogo anda sendo abandonado, mas aqui e ali ainda sobrevive. Trata-se da Queima de Judas, que sempre ocorria no sábado após a Sexta-Feira da Paixão. O objetivo é mostrar que ser traíra com um amigo é um crime que não merece perdão, ainda mais em meio à falsidade. Segundo o que contam os evangelistas, Judas Iscariotes traiu não apenas o seu mestre, mas também um amigo, porque a relação de Jesus com os discípulos era de ensino, porém tinha os momentos de&nbsp; dividir comida e alegrias. Tem uma parte lá nos Evangelhos que até chamaram o Filho do Homem de “beberrão e comilão” (Confiram Mateus, 11, 18-20 e Lucas 7, 33-35), o que dá um grau de que nem tudo era falar de religião e política no grupo de Jesus e seus 12 discípulos. Pois, Judas Iscariotes não contou conversa e diante da proposta de receber 30 moedas de prata, deu o beijo que selou sua fama por mais de dois mil anos como o pior dos traiçoeiros.&nbsp;</p>


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<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-3-O-Beijo-de-Judas-1-1024x576.png" alt="" class="wp-image-47669" style="width:707px;height:auto" srcset="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-3-O-Beijo-de-Judas-1-1024x576.png 1024w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-3-O-Beijo-de-Judas-1-300x169.png 300w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-3-O-Beijo-de-Judas-1-768x432.png 768w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-3-O-Beijo-de-Judas-1-1536x864.png 1536w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-3-O-Beijo-de-Judas-1-2048x1152.png 2048w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-3-O-Beijo-de-Judas-1-600x338.png 600w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-3-O-Beijo-de-Judas-1-750x422.png 750w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-3-O-Beijo-de-Judas-1-1140x641.png 1140w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">O Beijo de Judas | Foto: Reprodução</figcaption></figure>
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<p>Ah, o povão! Essa entidade deu um jeito de contar a história por meio de uma forma, digamos, mais divertida que até esconde a ideia reprovável de justiçamento. Mas se nas narrativas evangélicas Judas tirou a própria vida, na Bahia e em outros Estados do Nordeste, o rei das e dos falsianes acaba na fogueira. Antes da vingança contra o traidor todo mundo vai se divertir com a leitura do seu testamento que, como herança de um boa traíra, entrega “segredos” de todo mundo.&nbsp;</p>



<p>A leitura do testamento de Judas é o ponto alto da festa. Em outros tempos, o boneco que representa o discípulo do beijo mortal era levado em um jegue e exposto em seu lugar de castigo &#8211; a fogueira &#8211; até a leitura do testamento. E aí tome-lhe dizer que ele deixava uma serra para Fulano serrar algo que estava crescendo em sua testa; uma moedinha de prata para dona Coisinha metida a rica pagar a conta da padaria e coisas do gênero. Imagine o bafo nas comunidades de bairro e cidades do interior onde todo mundo ouvia, em alto e bom som, em público, o que se dizia à boca pequena.&nbsp;</p>


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<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="480" height="270" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-259.png" alt="" class="wp-image-47671" style="width:504px;height:auto" srcset="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-259.png 480w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-259-300x169.png 300w" sizes="(max-width: 480px) 100vw, 480px" /></figure>
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<p>Detalhe: o Judas costumava ter a cara de alguém famoso que todo mundo estava a fim de esculhambar, especialmente autoridades. Vários personagens que cometeram algum tipo de “pecado” contra o povo emprestaram sua cara a Judas. Em ano de confisco econômico, lá na década de 1990, por exemplo, o então presidente Fernando Collor de Mello ocupou muitas destas fogueiras com faixa presidencial e tudo.&nbsp;</p>



<h6 class="wp-block-heading">O Gato da Misericórdia e a pedrada que quase acertou o chefe da polícia</h6>



<p>E vai aqui um exemplo de que o povo guarda a Semana Santa, mas tem uns altos e baixos na compostura desde os tempos remotos. João da Silva Campos, em seu maravilhoso livro <em>Procissões Tradicionais da Bahia</em> conta, consternado, como o que chama de “populacho” aprontava na Procissão do Fogaréu, um dos muitos eventos na Semana Santa de Salvador desde o período colonial.&nbsp;</p>



<p>A Procissão do Fogaréu na capital baiana começou a ser realizada, segundo Silva Campos, em 1618. As pessoas acompanhavam a procissão vestidas de preto, sem joias ou adornos, afinal o objetivo era lembrar os eventos que levaram à prisão de Jesus. A de Salvador tinha uma regra: era preciso visitar, a partir do final da tarde, sete igrejas que tivessem armando o que era chamado de Santo Sepulcro. O autor não entra em detalhes, mas imagino que poderia ser uma réplica do túmulo de onde Jesus ressuscitou, semelhante aos presépios que imitam o estábulo onde ele nasceu, segundo as versões dos evangelhos.&nbsp;</p>


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<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-4-Santo-Sepulcro-1-1024x576.png" alt="" class="wp-image-47673" style="width:699px;height:auto" srcset="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-4-Santo-Sepulcro-1-1024x576.png 1024w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-4-Santo-Sepulcro-1-300x169.png 300w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-4-Santo-Sepulcro-1-768x432.png 768w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-4-Santo-Sepulcro-1-1536x864.png 1536w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-4-Santo-Sepulcro-1-2048x1152.png 2048w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-4-Santo-Sepulcro-1-600x338.png 600w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-4-Santo-Sepulcro-1-750x422.png 750w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Foto-Canva-4-Santo-Sepulcro-1-1140x641.png 1140w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Santo Sepulcro | Imagem: Reprodução</figcaption></figure>
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<p>Quando anoitecia era a hora da saída da procissão da Igreja da Misericórdia, que fica no Centro Histórico de Salvador. O povo estava o dia todo na rua. Dá para imaginar o cansaço, mas também quem, entre um jejum e outro, sucumbia a um ou dois copinhos de vinho. Podia também ter gente que não estava lá de muito bom humor, pois a vida na Salvador colonial para a maioria do povão não era nada fácil.&nbsp;</p>



<p>Na procissão saía tanto o Cão, como o Gato da Misericórdia. Os personagens eram encarnados por pessoas reais e, possivelmente, representavam o mal. O Gato da Misericórdia levava a matraca, uma espécie de tábua que tem um gancho de metal para produzir um efeito sonoro. Nas procissões da Sexta-Feira da Paixão, ela, geralmente, é tocada após o cântico da personagem Verônica. Não dá para saber o porquê, mas o povo adorava perturbar o pobre do Gato da Misericórdia. Era um tal de jogar pedra, assoviar… sempre segundo João da Silva Campos. Parece que o pobre do Gato absorvia a catarse popular contra os seus males e, que na verdade, apenas disfarçava o desejo de que os xingamentos atingissem as autoridades.&nbsp;</p>


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<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="550" height="360" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ssstwitter.com_1744831622235.gif" alt="" class="wp-image-47674"/></figure>
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<p>Pois bem. “Cuidado com o que se deseja” é um provérbio bem resistente ao tempo e a diversas situações. Em 1872, as pedras direcionadas ao Gato chegaram perto do chefe da polícia. Resultado: a procissão foi proibida.&nbsp;</p>



<p>Isso é só para a gente lembrar que a Semana é Santa, mas as pessoas nem tanto. Mas isso é o sentido mesmo dessa festa, gente. Lembrar das nossas fragilidades como pessoas humanas e, para os católicos, é uma ocasião de lembrar o amor de seu Deus por elas, afinal ele assumiu a nossa natureza e até aceitou morrer para mostrar desapego em favor do outro.&nbsp;</p>



<p>A história da celebração católica pelo menos tem um final feliz que é a Páscoa e a gente, de novo, deu um jeito de misturar cristianismo, festa para uma deusa nórdica e o protagonismo para um coelho e&nbsp; chocolates. Bem, essa história é&nbsp; para contar em outro momento. Por hora desejo que celebrem esses dias santos, especialmente em família, mas vale lembrar que o vinho em sua doçura arma umas situações que podem virar momentos dignos de grandes penitências. Portanto, moderação e os meus votos de uma Santa Semana para todas e todos.&nbsp;</p>


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<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/semana-santa-gif-1-1024x576.gif" alt="" class="wp-image-47677" style="width:751px;height:auto" srcset="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/semana-santa-gif-1-1024x576.gif 1024w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/semana-santa-gif-1-300x169.gif 300w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/semana-santa-gif-1-768x432.gif 768w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/semana-santa-gif-1-1536x864.gif 1536w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/semana-santa-gif-1-600x338.gif 600w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/semana-santa-gif-1-750x422.gif 750w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/04/semana-santa-gif-1-1140x641.gif 1140w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
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<p></p>
<div class="gsp_post_data" data-post_type="post" data-cat="espelho-de-festa,espelho-de-festas" data-modified="120" data-title="Semana Santa tem penitência e ações disfarçadas, mas que a quebram" data-home="https://portalumbu.com.br"></div><p>O post <a href="https://portalumbu.com.br/semana-santa-tem-penitencia-e-acoes-disfarcadas-mas-que-a-quebram/">Semana Santa tem penitência e ações disfarçadas, mas que a quebram</a> apareceu primeiro em <a href="https://portalumbu.com.br">Portal UMBU</a>.</p>
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		<title>Quando o assunto é aniversário de Salvador, sobra treta e fuxico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cleidiana Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Mar 2025 17:09:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coluna]]></category>
		<category><![CDATA[Espelho de Festa]]></category>
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<p>Uma das identidades que Salvador reivindica e preserva é a de cidade festiva. As provas são muitas e delas me ocupei mais detalhadamente para a elaboração da minha tese intitulada <em>Festa de Verão em Salvador</em>. E olhem que, na pesquisa, eu só me dediquei a analisar um pequeno conjunto de celebrações pré-Carnaval, que, parafraseando o universo de R.R. Martin, é a <em>“mãe de todas as festas”</em> da cidade.</p>



<p>Entretanto, a roda festiva da Cidade da Baía de Todos-os-Santos é bem azeitada e, neste sábado, ela vai festejar seus 476 aninhos de fundação. Mas como tudo que se refere a Salvador não é exatamente o que parece e dá panos para manga, saia, babado e o que mais for preciso vou destacar três informações&nbsp; sobre o 29 de março que mostram como esta data tem potencial para&nbsp; as tretas seguirem aí por mais centenas de anos.&nbsp;</p>



<h6 class="wp-block-heading">1) O dia 29 de março é uma data apenas simbólica em relação ao nascimento da cidade</h6>


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<p>É isso mesmo. A data de celebração do aniversário da cidade é uma convenção. A história é bem longa, mas o problema é que Tomé de Souza não registrou quando colocou uma pedra fundamental ou um marco sinalizando o dia em que começaram as obras dos primeiros prédios da cidade. Na verdade, parece que o objetivo de Seu Tomé era mesmo cumprir as ordens do rei e voltar o mais depressa que pudesse para Portugal. Ele fez vários pedidos neste sentido e sempre resmungando, em cartas para a mulher, por estar passando mais tempo do que queria. Finalmente voltou quase quatro anos depois da chegada em 1549.</p>



<p>Então como é que se fez para celebrar com pompa e circunstância os 400 anos de fundação da cidade em 1949 com uma festa que até nos 450 anos ainda era notícia?</p>


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<p></p>



<p>Uma comissão de pesquisadores (a ciência é tudo) do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), da Academia de Letras da Bahia (ALB) e do Centro de Estudos Baianos sugeriu 29 de março. Esse, com certeza, foi o dia de desembarque de Tomé de Souza e comitiva no Porto da Barra, antiga Vila do Pereira. Vale ressaltar que a chegada deste povo abriu a era de tragédias para o povo tupinambá em uma parte nada dignificante dessa história de ocupação do território onde foi erguida a cidade.&nbsp;</p>



<p>Já Pedro Calmon defendia o dia 1º de maio alegando que foi nesta data que os trabalhadores envolvidos na construção receberam seu primeiro pagamento.&nbsp; E se esta tese tivesse prevalecido? Íamos festejar o Dia do Trabalho, data mais moderna, e o aniversário de Salvador. Vale lembrar que não perderíamos dois feriados em um, pois o 29 de março não é dia de pausa. O calendário de feriados municipais já está lotado e não se pode criar novos.</p>


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<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="409" height="512" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Pedro-Calmon-1.png" alt="" class="wp-image-46524" style="width:321px;height:auto" srcset="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Pedro-Calmon-1.png 409w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Pedro-Calmon-1-240x300.png 240w" sizes="(max-width: 409px) 100vw, 409px" /><figcaption class="wp-element-caption">Pedro Calmon | Foto: Reprodução</figcaption></figure>
</div>


<p>Teodoro Sampaio, um dos mais geniais intelectuais negros que a Bahia deu ao mundo, defendeu ardorosamente o dia 13 de junho. Com uma abordagem que deixa quentinhos os corações de quem envereda pela antropologia seu argumento foi poderoso: neste dia aconteceu a primeira festa na cidade. Isso mesmo.</p>



<p>Em dois meses e alguns dias da chegada de Tomé de Souza e companhia,  já rolou festa em Salvador. Vale dizer que era religiosa e bem solene para a liturgia católica: a procissão de Corpus Christi, mas era o que se tinha e logo, logo esta e outras procissões ganhariam corpo de grande evento na cidade. E 13 de junho ainda é dia de Santo Antônio, pois Corpus Christi é uma festa móvel e a cada ano cai em data diferente. Mas eu volto à história dessa festa daqui a pouco porque tem é babado histórico. </p>


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<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="796" height="1024" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-563-796x1024.png" alt="" class="wp-image-46527" style="width:305px;height:auto" srcset="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-563-796x1024.png 796w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-563-233x300.png 233w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-563-768x988.png 768w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-563-1195x1536.png 1195w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-563-600x772.png 600w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-563-750x964.png 750w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-563-1140x1466.png 1140w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-563.png 1200w" sizes="(max-width: 796px) 100vw, 796px" /><figcaption class="wp-element-caption">Teodoro Sampaio | Foto: Reprodução</figcaption></figure>
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<h6 class="wp-block-heading">2) E agora? Salvador pode ser de Áries, Touro ou Gêmeos&#8230;  </h6>



<p>Que Salvador é de todos os Inquices, Orixás, Voduns, Caboclos, Santos e Encantados, a gente já sabe. Mas com tantas possibilidades de “nascimento”, qual é o signo da cidade?</p>



<h6 class="wp-block-heading">Sob a regência de Marte</h6>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="573" height="573" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-567.png" alt="" class="wp-image-46547" style="width:411px;height:auto" srcset="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-567.png 573w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-567-300x300.png 300w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-567-150x150.png 150w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-567-100x100.png 100w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-567-75x75.png 75w" sizes="(max-width: 573px) 100vw, 573px" /><figcaption class="wp-element-caption">Imagem: Reprodução</figcaption></figure>
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<p>Pela data convencional, Salvador é de Áries. A regência dos nativos deste signo fica com Marte, o planeta da confusão. Então é porrada, grito, correria e&#8230; é melhor parar aqui porque a frase no original fica pesada até para o baianês. Mas se tem gente que chama este povo pela natureza difícil de <em>Satanáries</em> (que maldade), as virtudes dessa turma são muito valiosas e tem a ver com esta preciosa cidade: coragem, determinação, lealdade, senso de justiça. O problema é a impulsividade, mas que os move para os desafios.</p>



<h6 class="wp-block-heading">A comida, mô pai</h6>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="850" height="850" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-565.png" alt="" class="wp-image-46545" style="width:380px;height:auto" srcset="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-565.png 850w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-565-300x300.png 300w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-565-150x150.png 150w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-565-768x768.png 768w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-565-650x650.png 650w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-565-600x600.png 600w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-565-100x100.png 100w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-565-75x75.png 75w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-565-750x750.png 750w" sizes="(max-width: 850px) 100vw, 850px" /><figcaption class="wp-element-caption">Imagem: Reprodução/Sou eu na vida/Facebook</figcaption></figure>
</div>


<p>Tá. O povo de Touro é leal, sensível e gosta de contato com a natureza. Ok. Tudo a ver com Salvador, se persistisse a hipótese de 1º de maio de Pedro Calmon. Mas quando&nbsp; se fala em gente desse signo, vamos ser sinceras e sinceros, todo mundo lembra da sua habilidade para consumir o quanto de comida aparecer na sua frente. Não tem gente mais gulosa que esse povo, não. Então faz sentido, né? Afinal, Salvador dá nome e sobrenome quando o assunto é comida especialmente aquela regada a dendê.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<h6 class="wp-block-heading">Nascida na festa</h6>


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<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-569-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-46549" style="width:369px;height:auto" srcset="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-569-1024x1024.png 1024w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-569-300x300.png 300w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-569-150x150.png 150w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-569-768x768.png 768w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-569-650x650.png 650w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-569-600x600.png 600w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-569-100x100.png 100w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-569-75x75.png 75w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-569-750x750.png 750w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-569.png 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Imagem: Reprodução/Facebook/Astroloucamente</figcaption></figure>
</div>


<p>Se a data de aniversário de Salvador fosse fixada em 13 de junho, a capital baiana não apenas estaria ainda mais próxima de Santo Antônio, que já teve um período como seu padroeiro, mas também seria do signo do pessoal da festa por excelência. O povo de Gêmeos parece que vive ligado em corrente de 220 volts, domina a comunicação e a inteligência como ninguém e gosta de liberdade sem se apegar a muitas regras. Isso bate com a aura da cidade, não é mesmo?</p>



<p>Mas vamos combinar né, gente? Salvador é tão múltipla que pode não apenas ser desses três signos, mas do zodíaco inteiro. Não é à toa que tem essa energia tão poderosa.</p>



<h6 class="wp-block-heading">3) Procissão como primeira festa</h6>



<p>Em 13 de junho de 1549 já teve festa em Salvador. Foi a procissão de Corpus Christi e, que mesmo, com apenas dois meses de obras da cidade, foi um evento e tanto.&nbsp; Segundo o relato de João da Silva Campos, um maravilhoso pesquisador das festas religiosas autor do livro <em>Procissões Tradicionais da Bahia</em>, a celebração foi digna para a estreia:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>“mui solene, em que jogou toda a artilharia que estava na cerca, as ruas muito enramadas, houve danças e invenções à maneira de Portugal”</em>. (Procissões Tradicionais da Bahia- João da Silva Campos, p.326).</p>
</blockquote>



<p></p>



<p>Esta se tornou uma das procissões oficiais da cidade com participação obrigatória principalmente das autoridades. Ainda hoje há uma ligação forte com a Câmara Municipal de Salvador na celebração, inclusive com a tradição da confecção na frente do prédio da instituição do tapete de serragem que forma figuras religiosas.</p>



<p>Corpus Christi é uma das mais solenes festas da Igreja Católica e o único dia em que Jesus, na forma de Pão (a Hóstia), sai às ruas. É tão solene que o recipiente em que se leva a hóstia (ostensório ou custódia) segue debaixo de uma cobertura chamada pálio e o celebrante (padre ou bispo) usa um manto para segurar o objeto.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="819" height="1024" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Corpus-Christi-1-2-819x1024.png" alt="" class="wp-image-46537" style="width:355px;height:auto" srcset="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Corpus-Christi-1-2-819x1024.png 819w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Corpus-Christi-1-2-240x300.png 240w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Corpus-Christi-1-2-768x960.png 768w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Corpus-Christi-1-2-600x750.png 600w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Corpus-Christi-1-2-750x938.png 750w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Corpus-Christi-1-2.png 1080w" sizes="(max-width: 819px) 100vw, 819px" /><figcaption class="wp-element-caption">Corpus Christi | Foto: Canva/Divulgação</figcaption></figure>
</div>


<p>Pois mesmo com toda esta solenidade, a festa em Salvador tem um histórico de&nbsp; tretas.</p>



<p>Froger, membro de uma esquadra francesa que visitou a capital baiana em 1696,  deixou um relato sobre a procissão que é considerada a segunda notícia mais antiga sobre a celebração. O relato começa com um elogio pela presença de objetos religiosos, andores, paramentos ricos, presença de tropa, confrarias e outras representações semelhantes, mas há crítica a uma parte lúdica composta da seguinte forma:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>“os bandos mascarados, músicos e dançarinos que com as posturas lúbricas perturbavam inteiramente a ordem da santa cerimônia”.</em></p>
</blockquote>



<p>Imaginem que nesta Cidade da Baía nada, nem mesmo o rito mais solene, fugia a um toque, digamos, de invenções locais. Mas é difícil superar, com base nos relatos de João da Silva Campos, o que aprontou o bispo Dom Pedro da Silva caracterizado pela crônica histórica simplesmente como “brutamontes”.&nbsp;</p>


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	</div>
	


<p>Acreditem. Dom Pedro da Silva não andava em boas relações com o governador Antônio Teles da Silva nem com o Senado da Câmara. Já sabemos que a Câmara tinha lugar especial na procissão. Pois bem. Quando percebeu que o governador e  representantes da Câmara se aproximavam da procissão cuja saída ele havia apressado, o bispo, em 1643, saiu deixou o pálio e largou a custódia com a hóstia (imaginem!) nas mãos de um outro sacerdote, o que já era motivo de escândalo.</p>


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<p></p>



<p>Não satisfeito, Dom Pedro da Silva agarrou um vereador pelo braço e com violência o fez passar adiante, aos berros, mandando que ele seguisse&nbsp; sob pena de excomunhão em direção a uma outra ala. O pobre homem seguiu intimidado e envergonhado para espanto e disse me disse dos acompanhantes da procissão.</p>



<figure class="wp-block-video aligncenter"><video height="850" style="aspect-ratio: 478 / 850;" width="478" controls src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Video-2025-03-28-at-12.01.32.mp4"></video><figcaption class="wp-element-caption">Vídeo: Reprodução/Tiktok/@todesnoacervo</figcaption></figure>



<p>Como não amar essa cidade maravilhosa? O que vale é a festa e&nbsp; não importa essa imprecisão sobre a data de fundação. Salvador ama um fuxico e&nbsp; com tantos deles as histórias relacionadas ao seu aniversário ficam ainda melhores.</p>



<p>No mais, parabéns Salvador, sua linda e continue assim: fechando, mesmo com o seu aniversário não sendo feriado.     </p>



<p></p>
<div class="gsp_post_data" data-post_type="post" data-cat="opiniao-colunistas,espelho-de-festa,espelho-de-festas" data-modified="120" data-title="Quando o assunto é aniversário de Salvador, sobra treta e fuxico" data-home="https://portalumbu.com.br"></div><p>O post <a href="https://portalumbu.com.br/quando-o-assunto-e-aniversario-de-salvador-sobra-treta-e-fuxico/">Quando o assunto é aniversário de Salvador, sobra treta e fuxico</a> apareceu primeiro em <a href="https://portalumbu.com.br">Portal UMBU</a>.</p>
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		<title>Na festa de 40 anos da axé music, a contribuição negra está quase invisível</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cleidiana Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Feb 2025 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Documentários, homenagens, reportagens extensas e mais e mais informações dão conta de uma data considerada marco da indústria cultural baiana de forma massacrante na repetição.  Mas são 40 anos mesmo de qual música baseada em axé? Possivelmente só Butch Wilmore e Suni Williams, em meio ao perrengue de estarem presos literalmente no espaço, passam um [&#8230;]</p>
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<p><em>Documentários, homenagens, reportagens extensas e mais e mais informações dão conta de uma data considerada marco da indústria cultural baiana de forma massacrante na repetição.  Mas são 40 anos mesmo de qual música baseada em axé?</em></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-1-1024x682.jpeg" alt="" class="wp-image-44893" style="width:602px;height:auto" srcset="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-1-1024x682.jpeg 1024w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-1-300x200.jpeg 300w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-1-768x512.jpeg 768w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-1-1536x1023.jpeg 1536w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-1-600x400.jpeg 600w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-1-750x500.jpeg 750w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-1-1140x760.jpeg 1140w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-1.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Circuito Osmar, Campo Grande | Data: 19/02/2023. Foto: Manu Dias/Secom/Governo da Bahia</figcaption></figure>
</div>


<p>Possivelmente só Butch Wilmore e Suni Williams, em meio ao perrengue de estarem presos literalmente no espaço, passam um dia sem esbarrar em algum conteúdo sobre os 40 anos da axé music. Documentários, homenagens, reportagens extensas e mais e mais informações dão conta de uma data considerada marco da indústria cultural baiana de forma massacrante na repetição.&nbsp; Mas são 40 anos mesmo de qual música baseada em axé? Se for a alicerçada em contribuições de bases afro-brasileiras a partir do Carnaval, quatro décadas é apenas um suspiro em uma trajetória secular. &nbsp;</p>


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<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-2-1024x682.jpeg" alt="" class="wp-image-44894" style="width:604px;height:auto" srcset="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-2-1024x682.jpeg 1024w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-2-300x200.jpeg 300w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-2-768x512.jpeg 768w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-2-1536x1023.jpeg 1536w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-2-600x400.jpeg 600w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-2-750x500.jpeg 750w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-2-1140x760.jpeg 1140w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-2.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Circuito Dodô, Barra. Data: 19/02/2023 | Foto: Manu Dias/Secom/Governo da Bahia</figcaption></figure>
</div>


<p>Pesquisador dos elementos das festas da Bahia, Nelson Cadena, em muitos de seus artigos, tem contribuído para mostrar que o Carnaval baiano não seria a potência que é sem as mãos, invenção e ousadia de africanos e sua descendência. Em 1895, segundo Cadena, a cidade foi encantada pelo desfile majestoso da Embaixada Africana. Essa agremiação, além de recriar de forma luxuosa as cortes africanas, quebrou a mesmice, na capital da Bahia, dos desfiles de Carnaval só com música instrumental. A Embaixada Africana adotou os “enredos cantados”, ou seja, letra nas músicas.&nbsp; &nbsp;</p>



<p>Os jornais do período, porta-vozes das elites baianas, logo encontraram motivos para tentar diminuir as proezas da Embaixada Africana:&nbsp;&nbsp;</p>



<p><em>“A imprensa não enxergava com bons olhos esses cânticos. Os chamavam de “enfadonhos tlin, tlin, tlan” e qualificava os instrumentos de “bárbaros”. Não compreendia do que se tratava e o viés crítico dos escrivas rotulava todas as músicas como “batuques”, então um termo pejorativo para se referir à música dos terreiros. Incomodava a imprensa que o desfile ocorresse no mesmo espaço geográfico, entre a Praça da Sé e a Rua Chile, onde se exibiam os cortejos dos blocos de brancos”</em>, conta Cadena no artigo “O pioneirismo dos blocos afros no Carnaval não instrumental”.</p>


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<p>Em 1905, mais uma informação de Cadena, a presença dessas instituições de base cultural afro-brasileira foi banida pelo poder de polícia. Não adiantou. Ressurgiram em menor número, mas mantendo o padrão de ir para a rua em muitos modelos: cordões e afoxés, por exemplo. Estes últimos, em quase sua totalidade, constituíam-se na forma do povo de santo ir para a rua festejar. São agremiações de terreiro, ou um candomblé extensivo à rua, como gostava de destacar o grande e brilhante Jaime Sodré.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>


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<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-1024x682.jpeg" alt="" class="wp-image-44896" style="width:624px;height:auto" srcset="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-1024x682.jpeg 1024w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-300x200.jpeg 300w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-768x512.jpeg 768w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-1536x1023.jpeg 1536w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-600x400.jpeg 600w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-750x500.jpeg 750w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01-1140x760.jpeg 1140w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-12.25.01.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Filhos de Gandhy. Data:&nbsp; 19/02/2023 | Crédito: Matheus Pereira/Secom/Governo da Bahia</figcaption></figure>
</div>


<p></p>



<p>A chegada do trio elétrico sacramentou o modelo que os agentes, especialmente os do poder público, adotaram para o Carnaval de Salvador. Com essa escolha, as escolas de samba foram perdendo terreno e em 1985 foi a vez da última daquelas pioneiras desfilar no Carnaval: a Bafo de Onça.</p>



<p>O adeus da Bafo de Onça aconteceu dez anos depois da chegada de uma outra instituição negra que abalou o espaço tão disputado deste Carnaval soteropolitano: o Ilê Aiyê, criticado em 1975 por uma nota de A Tarde como elemento destoante e “racista” &#8211; vale o registro de que a praga do mentiroso racismo reverso não é de hoje -. Se de Ilê são 50 anos e 76 anos de Gandhy, por que tanta festa com 40 anos de uma música que tem como bases o terreno do Carnaval negro? Axé é um termo de língua iorubá, que é um dos marcadores litúrgicos da herança de uma das tradições do candomblé.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>


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<p>E chegamos ao nosso ponto central e que é o mesmo problema que atingia a Embaixada Africana lá em 1895. Essa invisibilidade negra na festa dos 40 anos da axé music integra muitos dos&nbsp; &nbsp;desdobramentos do racismo estrutural, estruturante e “cordial” à brasileira, mas nem por isso menos perverso, excludente e violento.&nbsp; &nbsp;A axé music só foi possível com o combustível da criatividade negra no Carnaval, um dos seus principais terrenos de embate, mas no banquete desta festa não tem lugar no primeiro escalão para as herdeiras e os herdeiros de todo esse legado.</p>



<p>Para quem duvida tem um pequeno teste. Vejam este vídeo da campanha criada por Nizan Guanaes para as Obras Sociais Irmã Dulce, em 1988. Podemos fazer uma espécie de “Onde está Wally” das nossas estrelas musicais. No vídeo de “We are the World of Carnaval” vamos procurar artistas negras e negros. Para dar um tempo a quem está me acompanhando na batida deste meu acaçá de palavras, destaco que é de se esperar uma maioria esmagadora, afinal estamos na “cidade mais negra fora do continente africano” (Não posso abrir mão totalmente dos clichês da nossa baianidade nagô). Mas vamos ao teste:</p>



<p></p>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="We Are The World Of Carnaval Original 1988" width="1300" height="975" src="https://www.youtube.com/embed/nXSu87-7jFg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Enquanto vocês procuram e se encantam, afinal o vídeo já começa com duas presenças arrasadoras: Lazzo “A Voz” Matumbi e Margareth Menezes, A Ministra de Voz Poderosa, preciso lembrar que na década de 1980 os artistas se reuniam em prol de causas sociais, como se dizia. Três anos antes de “We are the World of Carnaval”, o produtor musical Quincy Jones e o maravilhoso Harry Belafonte criaram a campanha “Usa for Africa” para combater a fome em países africanos. A canção, composta por Lionel Richie e Michael Jackson, reuniu além dos dois, um time de peso: Stevie Wonder, Tina Turner, Diana Ross, Ray Charles e muitas outras estrelas, aliás muito mais pessoas negras do que&#8230;</p>


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	</div>
	


<p>Está na hora do resultado:</p>



<p>Lazzo Matumbi e Margareth Menezes são os únicos artistas negros no vídeo de “We are the World of Carnaval”. E de 1988 para cá este número foi ampliado? Nada. Teve o acréscimo de Carlinhos Brown que é, além de artista, um empresário do setor. &nbsp;Há representantes de outros gêneros nascidos do Carnaval, como o pagode, mas quem está no patamar de visibilidade e ganhos de Léo Santana?</p>



<p>E vale ressaltar: o protagonismo ainda mantido por Lazzo foi construído a duras penas e por sua teimosia e imenso talento. Se aquela voz ressoasse de território norte-americano&#8230; ah&#8230; não sei se Sinatra manteria o título de <em>The Voice.</em> Já Margareth Menezes, além de ter ficado com o posto de anunciadora de um dos maiores clássicos da música surgida da revolução negra no Carnaval, conhecida pelo refrão “Eu falei Faraó”, encantou David Byrne que era rotulado como um produtor de “World Music”. Ou seja, a voz de Maga era para o mundo, mas não servia para a tal axé music na condição de protagonismo?</p>



<p>E tem mais enigmas nessa tal senhora de 40 anos. Diferentemente dos movimentos que surgiram disputando o posto de reinado do Carnaval da Bahia, a axé music foi a que escorregou feio tipo naquela lama malcheirosa que fica depois que o bloco de trio passa pelas passarelas.</p>



<p>Sim. Porque, por exemplo, “<em>Chame Gente”</em>, o hino do Carnaval de Trio, rendeu seu tributo à herança negra.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>A pé ou de caminhão não pode faltar a fé o Carnaval vai passar/Na Sé ou no Campo Grande somos os Filhos de Gandhy de Dodô e Osmar.</em></p>
</blockquote>



<p>Ou seja, meu caro Bell Marques: o Gandhy é que pode bater no peito e dizer que é o Carnaval da Bahia, viu? Parêntese: Quem não pegou esta referência precisa fazer especialização em tretas de Carnaval e essa, infelizmente, agora não dá para contar ou eu não termino este texto e o povo do Umbu me acaba por ficar expandindo o generoso espaço que me concedem. Sigamos, pois. &nbsp;</p>



<p>Antes da axé music, foi muita gente celebrando e analisando a revolução cultural negra no Carnaval baiano: Edil Pacheco, em 1984, com “<em>Ijexá” </em>para a bela voz de Clara Nunes, que lista as agremiações negras como Filhos de Gandhy, o potente Badauê, Ilê Aiyê, Malê De Balê e outros; Jimmy Cliff, que passou uma temporada morando em Salvador, cantou a potência sonora da Bahia e outros lugares do Brasil com <em>Samba Reggae</em> (1993) com a presença dos tambores do Olodum, óbvio. Por falar no bloco afro do Pelô, foi o Rei do Pop, Michael Jackson que veio em busca da sonoridade dos tambores e não o contrário em&nbsp; “<em>They Don&#8217;t Care About Us”</em> (1995).&nbsp; São apenas alguns exemplos de gente tão diferente que viu encanto, potência, mas a tal da axé music chegou errando rude e feio. Mas antes de falar desta escorregada da aniversariante tão terrível quanto chorume de banheiro químico no Circuito da Barra, vale conferir as homenagens citadas.</p>



<h6 class="wp-block-heading">Ijexá:</h6>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Clara Nunes - Ijexá" width="1300" height="975" src="https://www.youtube.com/embed/J3TW7zpwS3A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h6 class="wp-block-heading">Samba Reggae:</h6>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Jimmy Cliff Salvador" width="1300" height="731" src="https://www.youtube.com/embed/ahy4h8DIKs4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h6 class="wp-block-heading">They Don&#8217;t Care About Us:</h6>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Michael Jackson - They Don’t Care About Us (Brazil Version) (Official Video)" width="1300" height="975" src="https://www.youtube.com/embed/QNJL6nfu__Q?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>&nbsp;A tal considerada música- fundadora da axé music, “<em>Fricote”</em>, é um problemão em relação às questões étnico-raciais baianas. Podem prestar atenção como todo mundo, nas séries de homenagens, está passando correndo por ela.&nbsp; E nada contra Luís Caldas, que é um músico de habilidades mil.</p>



<p>Vamos à letra da canção:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>Nega do cabelo duro/que não gosta de pentear/ Quando passa na Baixa do Tubo/ O Negão começa a gritar: pega ela aí/ pega ela aí/ pra que? Pra passar batom/ De que cor? De cor azul. Na boca e na porta do céu. Pega ela aí/pra que? Pra passar batom/ De que cor? De violeta? Na boca e na bochecha.</em></p>
</blockquote>


	<div class="wp-block-jetpack-gif aligncenter">
		<figure>
							<div class="wp-block-jetpack-gif-wrapper" style="padding-top:100%">
					<iframe src="https://giphy.com/embed/S9zzUZLngFi9J8kJlU" title="vergonha alheia"></iframe>
				</div>
								</figure>
	</div>
	


<p>Minha gente: É um combo perverso com racismo raiz, sexismo, racismo ambiental e importunação sexual. Exagero? Vá, agora, &nbsp;pegar no braço de &nbsp;uma moça negra que está desfilando poderosa &nbsp;em qualquer área de Salvador e recite um negócio desses para ela ouvir. Você vai descobrir rapidinho onde mora o capiroto-três-peles chupando manga e rebolando, além do significado de ser Corrimão da Estação da Lapa, Pedra do Nina Rodrigues ou Maca do HGE.</p>



<p>Pois não pensem que o povo ficou quieto, não. Os movimentos negros organizados do período fizeram o maior barulho. Lógico que a gente defensora da indústria fonográfica, especialmente na mídia, é que se sentiu ofendidinha. Sobrou o blá, blá, blá de que era brincadeira; que no Carnaval pode tudo. Não pode, não, amigo. Carnaval não faz a realidade do cotidiano sumir, muito menos essa nossa tragédia chamada racismo.</p>



<p>Mas no frigir do churrasquinho acompanhado por um Príncipe Maluco (a Vigilância Sanitária que fique na vibe de Dionísio), a conversa que a gente precisava ter era sobre onde está o protagonismo negro nessa tal de axé music, que completa 40 anos. Aliás, por mais disposição que Bell Marques tenha para ficar “segurando” ou sobre criatividade em Daniela Mercury para as performances em cima do trio, sem percussão esse negócio funciona? Mas quem leva os louros, elogios e principalmente o dinheiro? Viu? Temos coisa, Dona Coisinha e Seu Coisinha.</p>



<p>Finalizando mesmo, e agora é pra valer, acho que as letras de “<em>Chame Gente”</em> e de “<em>Cidadão”,</em> do maravilhoso Capinam, contam bem essa história. A primeira está bem próxima do modelo vencedor do Carnaval baiano com o protagonismo daquelas e daqueles que a indústria cultural baiana promove desde sempre. A segunda se aproxima mais da saga dessa gente que descende de quem estava lá na Embaixada Africana.</p>



<p>São duas composições primorosas. Veja os vídeos, mas embarque na melodia sem perder a atenção para a letra, especialmente de “<em>Cidadão”.</em>&nbsp; O meu sonho e de muita gente, imagino, é que no Carnaval de Salvador a gente ainda possa celebrar o fim do navio negreiro, que continua operando em chagas como a exploração dos cordeiros, para que reine a galera cheia dessa gente que goza a festa mesmo sentindo as pontadas das dores da exclusão alimentada pelo racismo. &nbsp;&nbsp;</p>



<h6 class="wp-block-heading">Chame Gente:</h6>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Chame Gente" width="1300" height="975" src="https://www.youtube.com/embed/bJccnUlGBuY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h6 class="wp-block-heading">Cidadão:</h6>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Margareth Menezes - Cidadão" width="1300" height="975" src="https://www.youtube.com/embed/1bdn5rTr4to?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h5 class="wp-block-heading">OPINIÃO</h5>



<p>O texto que você terminou de ler apresenta ideias e opiniões da pessoa autora da coluna, que as expressa a partir de sua visão de mundo e da interpretação de fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal Umbu.</p>
<div class="gsp_post_data" data-post_type="post" data-cat="carnaval,opiniao-colunistas,espelho-de-festa,espelho-de-festas" data-modified="120" data-title="Na festa de 40 anos da axé music, a contribuição negra está quase invisível" data-home="https://portalumbu.com.br"></div><p>O post <a href="https://portalumbu.com.br/na-festa-de-40-anos-da-axe-music-a-contribuicao-negra-esta-quase-invisivel/">Na festa de 40 anos da axé music, a contribuição negra está quase invisível</a> apareceu primeiro em <a href="https://portalumbu.com.br">Portal UMBU</a>.</p>
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		<title>5 dados que mostram a força da Festa de Iemanjá</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cleidiana Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Jan 2025 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Espelho de Festa]]></category>
		<category><![CDATA[Espelho de Festas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estamos na contagem regressiva para homenagear Iemanjá. A festa que acontece anualmente em 2 de fevereiro tem muitas nuances. Vamos a algumas informações sobre esta festa que a tornam ainda mais interessante. Estamos na contagem regressiva para homenagear Iemanjá. A festa que acontece anualmente em 2 de fevereiro é a única no calendário de verão [&#8230;]</p>
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<p><em>Estamos na contagem regressiva para homenagear Iemanjá. A festa que acontece anualmente em 2 de fevereiro tem muitas nuances. Vamos a algumas informações sobre esta festa que a tornam ainda mais interessante.</em></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-636.png" alt="" class="wp-image-43629" style="width:776px;height:auto" srcset="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-636.png 1024w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-636-300x225.png 300w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-636-768x576.png 768w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-636-600x450.png 600w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-636-750x563.png 750w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Casa de Iemanjá no Rio Vermelho | Foto: Yasmin Cardim<br></figcaption></figure>
</div>


<p>Estamos na contagem regressiva para homenagear Iemanjá. A festa que acontece anualmente em 2 de fevereiro é a única no calendário de verão e nas comemorações públicas em todo o país em que uma divindade do Candomblé é homenageada de forma direta sem vinculação a uma santa ou santo católico, como ocorre com Santa Bárbara, por exemplo.</p>



<p>Essa celebração tem muitas nuances. Vamos a algumas informações sobre esta festa que a tornam ainda mais interessante. &nbsp;</p>



<h6 class="wp-block-heading">1) A homenageada no Rio Vermelho era Sant’Ana</h6>



<p>Sant’Ana, mãe de Maria, Nossa Senhora, é a padroeira do Rio Vermelho. Conta-se que, durante a Guerra pela Independência do Brasil na Bahia, uma mulher idosa avisou à comunidade local, formada em sua maioria por pescadores que haveria um ataque dos portugueses. O aviso serviu para preparar a defesa. A senhora do aviso foi identificada como Sant’Ana, que se tornou a padroeira do bairro.</p>



<p>Até meados da década de 1940, o Rio Vermelho abrigava uma comunidade de pescadores e era ainda um local considerado afastado da cidade e ponto de veraneio. Os veranistas celebravam a festa da padroeira no período de dezembro a fevereiro. Vale ressaltar que as homenagens à Sant&#8217;Ana &#8211; missa e procissão &#8211; eram meio tímidas, com proeminência dos ritos secundários, como os desfiles de ternos de reis, banhos de mar à fantasia, mas principalmente o Bando Anunciador. O desfile era um acontecimento com a presença de automóveis enfeitados, o que dava protagonismo aos veranistas.</p>



<p>Os pescadores estavam mais à frente das atividades religiosas, mas no início da década de 1920 houve um desentendimento entre eles e um padre. Nesse período foi também quando eles resolveram apelar para a Mãe D&#8217;Água devido à falta de peixes. Para fazer de forma correta, foram em busca de uma ialorixá, Júlia Bugã, de nação ijexá. Trinta anos depois, o Presente dos Pescadores ganhou tanta proeminência que se tornou “a Festa”.</p>



<p>Já a Festa de Sant&#8217;Ana, na década de 1970 foi transferida para 26 de julho, o dia em que a Igreja Católica a celebra. Ah sim. São Joaquim continuou um pouco invisibilizado neste contexto soteropolitano. Pai de Nossa Senhora, ele é celebrado no mesmo dia da esposa, Sant´Ana, mas quase não é mencionado pelo povo.  No encontro entre candomblé e religiões afro-brasileiras, Sant&#8217;Ana é associada a Nanã.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="864" height="864" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Gif-santaana-1.gif" alt="" class="wp-image-43632" style="width:606px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Sant&#8217;Ana é padroeira do Rio Vermelho, mãe de Maria e avó de Jesus. No encontro entre candomblé e catolicismo, ela é associada a Nanã</figcaption></figure>
</div>


<h6 class="wp-block-heading">2) A Mãe D&#8217;Água era cultuada em Monte Serrat</h6>



<p>A denominação Iemanjá abriga as devoções a muitas divindades das águas. Sabe a belíssima canção &#8220;Lenda das Sereias&#8221;, que ganha ainda mais brilho com a voz potente de Marisa Monte: <em>Ogunté, Marabô, Kayala, Sogba, Oloxum, Inaê, Janaína, Iemanjá</em>? Pois é isso mesmo. A energia relacionada às águas do mar tem muitos nomes.</p>



<p>As contribuições para estas celebrações têm origem em diferentes civilizações africanas e europeias, com as suas sereias e ninfas. Como uma cidade cercada por águas e ofícios relacionados a elas, é natural que Salvador tenha muitas formas e pontos de celebração para estas formas de sagrado.</p>



<p>Antes do protagonismo do Rio Vermelho na celebração para a rainha do mar pelos pescadores da Colônia Z-1, o local de culto mais conhecido para essas divindades das águas era a “Pedra da Sereia”, em Monte Serrat. Dois elementos da pesquisa para a minha tese apontaram a importância da localidade nesse culto: uma reportagem de 1916 na qual o repórter descreve os bilhetes que foram deixados ao lado de ofertas, como um bandolim e até um carneiro &#8211; o animal mesmo -; a outra foi uma descrição sobre o presente, em 1930, com o registro de que o cortejo marítimo do Rio Vermelho  foi até Monte Serrat.  Estas informações foram encontradas em textos do jornal A Tarde.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="864" height="864" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/gif3.gif" alt="" class="wp-image-43633" style="width:638px;height:auto"/></figure>
</div>


<h6 class="wp-block-heading">3) Oxum recebe o Presente bem antes do amanhecer</h6>



<p>A Festa é para a soberana do mar, mas Oxum, a Senhora das Águas Doces, é homenageada antes. Isso reforça a máxima de que todo mar tem um rio  e todo  rio tem um mar, afinal essas águas sempre se encontram. Em Salvador, a celebração para Oxum é no Dique do Tororó. Ela costumava acontecer nas primeiras horas da madrugada do dia 2 de fevereiro e com um certo clima de silêncio, afinal pouca gente sabia. Nos últimos anos a celebração tem ganhado maior visibilidade e, como as festas são dinâmicas e sua programação idem, o Presente está sendo levado para as águas bem mais cedo e ainda no dia 1º, como aconteceu no ano passado.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="864" height="864" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/gif-oxum.gif" alt="" class="wp-image-43634" style="width:646px;height:auto"/></figure>
</div>


<h6 class="wp-block-heading">4) Celebração a Iemanjá virou festival religioso</h6>



<p>Na Festa de Iemanjá se encontram ritos de candomblé, umbanda e Giros de Caboclos. Essa última manifestação tem crescido muito nos últimos dez anos. É possível ver nas areias da Praia do Rio Vermelho tendas e aglomerações onde chegam Marujos, mas também outros Caboclos, como Boiadeiro. E há ainda consagração nas águas de manifestações sobre as quais a gente não sabe muito e até sereismo ao longo do largo. O &nbsp;doutor em antropologia e professor da Ufba, Roberto Albergaria, que era um especialista em culturas e suas dinâmicas, costumava dizer que a Festa de Iemanjá já havia se transformado em um grande festival religioso.&nbsp;&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="864" height="864" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/gif-caboclos-1.gif" alt="" class="wp-image-43635" style="width:646px;height:auto"/></figure>
</div>


<h6 class="wp-block-heading">5) O “camarotismo” e suas variações</h6>



<p>O doutor em antropologia e professor da Ufba, Roberto Albergaria também costumava apontar como as elites baianas encontram formas de “não se misturar”. Elas sempre procuram alguma forma de estar na festa, mas mantendo a posição que signifique status elevado e demonstração de poder aquisitivo. Na Festa de Iemanjá, este elemento sempre foi muito presente. Já rolaram as feijoadas nos hotéis cinco estrelas, especialmente da região do Rio Vermelho. Há também o hábito de acompanhar o Presente nas embarcações de luxo e, por fim, as chamadas “festa de camisa”, mas de preferência com preços que deem susto até no Sultão de Brunei. Pagar dezenas de cédulas da moeda da vez em uma prato de feijoada “gourmet”, que pode ter um gosto que não chega aos pés daquela servida em São Joaquim , mas possui a assinatura de algum <em>chef </em> estrelado e com diploma da  Le Cordon Bleu é, para algumas e alguns, a  forma de se sentir parte da corte de Maria Antonieta.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="864" height="864" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/gif5.gif" alt="" class="wp-image-43636" style="width:638px;height:auto"/></figure>
</div>


<p></p>
<div class="gsp_post_data" data-post_type="post" data-cat="cultura,espelho-de-festa,espelho-de-festas" data-modified="120" data-title="5 dados que mostram a força da Festa de Iemanjá" data-home="https://portalumbu.com.br"></div><p>O post <a href="https://portalumbu.com.br/5-dados-que-mostram-a-forca-da-festa-de-iemanja/">5 dados que mostram a força da Festa de Iemanjá</a> apareceu primeiro em <a href="https://portalumbu.com.br">Portal UMBU</a>.</p>
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		<title>Espelho de Festas: Saiba mais sobre a Segunda-Feira Gorda da Ribeira e se divirta resolvendo este quiz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cleidiana Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jan 2025 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Espelho de Festa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Histórias, memes, tretas e muito mais sobre as festas que são protagonistas na diversidade do patrimônio da Bahia O Editorial Espelho de Festas, criado pela jornalista e Doutora em Antropologia Cleidiana Ramos e publicado no Portal Umbu, apresenta com humor e sagacidade alguns detalhes curiosos de festas populares e manifestações culturais da Bahia. Para abrir [&#8230;]</p>
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<p><em>Histórias, memes, tretas e muito mais sobre as festas que são protagonistas na diversidade do patrimônio da Bahia</em></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="691" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-349-1024x691.png" alt="" class="wp-image-42928" style="width:639px;height:auto" srcset="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-349-1024x691.png 1024w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-349-300x202.png 300w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-349-768x518.png 768w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-349-1536x1036.png 1536w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-349-600x405.png 600w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-349-750x506.png 750w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-349-1140x769.png 1140w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-349.png 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Acervo/Site Cultura Todo Dia</figcaption></figure>
</div>


<p>O Editorial Espelho de Festas, criado pela jornalista e Doutora em Antropologia Cleidiana Ramos e publicado no Portal Umbu, apresenta com humor e sagacidade alguns detalhes curiosos de festas populares e manifestações culturais da Bahia.</p>



<p>Para abrir o novo espaço, a colunista convida o público a conhecer a Segunda-feira Gorda da Ribeira, uma tradição soteropolitana que remonta a meados do século XVIII e que apesar das ações do tempo, segue mantida pelos moradores da Cidade Baixa.</p>



<p>Realizada na primeira segunda-feira depois da Lavagem do Bonfim, o festejo é historicamente considerado uma prévia do Carnaval. Antes conhecida por seu apelo popular capaz de encher de gente a Península de Itapagipe, a tradição parece ter perdido força.</p>



<p>A Festa da Ribeira já não tem o vigor das primeiras décadas do século XX, quando ainda era conhecida como Segunda-Feira Gorda do Bonfim e tinha até jornalista especializado em abordá-la por meio de quadrinhas: Lulu Parola, pseudônimo de Aloísio de Carvalho.</p>



<p>Na década de 1970, a comemoração continuava com vigor, mas foi decaindo especialmente por conta do discurso centrado nas ocorrências violentas que virou o foco da cobertura sobre a comemoração nas plataformas de mídias baianas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Mas a memória da Festa da Ribeira, ainda persiste, pois muita gente vai comer cozido nas barracas da orla em memória dos grandes tempos da festa local. Para saborear as lembranças desta celebração que tal fazer este quiz?</p>



<p>É fácil: associe o seu mês de nascimento com o seu signo e descubra qual “nome de guerra” você tem entre ingredientes do cozido que é a comida-protagonista da comemoração na Ribeira.&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1080" height="1351" src="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/aSem-titulo.jpg" alt="" class="wp-image-42986" style="width:502px;height:auto" srcset="https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/aSem-titulo.jpg 1080w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/aSem-titulo-240x300.jpg 240w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/aSem-titulo-819x1024.jpg 819w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/aSem-titulo-768x961.jpg 768w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/aSem-titulo-600x751.jpg 600w, https://portalumbu.com.br/wp-content/uploads/2025/01/aSem-titulo-750x938.jpg 750w" sizes="(max-width: 1080px) 100vw, 1080px" /></figure>
</div>


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<div class="gsp_post_data" data-post_type="post" data-cat="cultura,espelho-de-festa" data-modified="120" data-title="Espelho de Festas: Saiba mais sobre a Segunda-Feira Gorda da Ribeira e se divirta resolvendo este quiz" data-home="https://portalumbu.com.br"></div><p>O post <a href="https://portalumbu.com.br/espelho-de-festa-saiba-mais-sobre-a-segunda-feira-gorda-da-ribeira-e-se-divirta-resolvendo-este-quiz/">Espelho de Festas: Saiba mais sobre a Segunda-Feira Gorda da Ribeira e se divirta resolvendo este quiz</a> apareceu primeiro em <a href="https://portalumbu.com.br">Portal UMBU</a>.</p>
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