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Casa da Ponte apresenta casarão restaurado do século XVIII no Pelourinho

Espaço cultural idealizado pelo maestro Ubiratan Marques abriga a Orquestra Afrosinfônica, o Núcleo Moderno de Música e projetos de formação musical

Foto: Divulgação

A Casa da Ponte apresenta oficialmente, nesta terça-feira (15), o casarão do século XVIII que foi restaurado para abrigar projetos culturais e educacionais no Centro Histórico de Salvador. A cerimônia acontece a partir das 16h, no Largo do Pelourinho, número 10, com a participação de convidados e apresentação da Orquestra Afrosinfônica.

Presidida pelo maestro Ubiratan Marques, a instituição passa a reunir no imóvel a Orquestra Afrosinfônica, o Núcleo Moderno de Música (NMM) e outras iniciativas voltadas à produção cultural, à educação musical e à formação de público. A programação de inauguração inclui o descerramento da placa inaugural, a abertura da Galeria de Arte e a exibição de um documentário sobre as etapas de restauração do casarão.

Um dos destaques do evento será a apresentação da Orquestra Afrosinfônica no estúdio da Casa da Ponte, que passa a se chamar Sala Mateus Aleluia. O nome homenageia o cantor e compositor baiano, um dos fundadores do grupo Os Tincoãs e referência da música e da cultura afro-brasileira.

Concluída após a primeira etapa de restauração e adequação, realizada um ano antes, a obra preservou características arquitetônicas originais do imóvel, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Com 862 metros quadrados de área construída, o casarão está localizado em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, ao lado da Fundação Jorge Amado e cercado por construções históricas.

O projeto contou com patrocínio do Nubank, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com gestão do Ministério da Cultura. Entre as intervenções realizadas estão o restauro de esquadrias, forros, assoalhos e da cobertura, além da implantação de novas estruturas hidráulica e elétrica. O espaço também foi adaptado para oferecer condições de segurança, funcionalidade e acessibilidade às atividades culturais e educacionais.

Foto: Divulgação

“Esse será um momento muito especial, pois estamos devolvendo ao patrimônio histórico e, principalmente, à população um casarão que estava completamente em ruínas e que agora ganha uma nova vida”, afirma o maestro Ubiratan Marques, idealizador da Casa da Ponte.

A Sala Mateus Aleluia será destinada a ensaios, concertos e gravações da Afrosinfônica. Já o Núcleo Moderno de Música contará com salas para aulas individuais e coletivas, além de espaços para reuniões, administração e atividades do corpo docente.

Formação musical nas comunidades

A história da Casa da Ponte está ligada ao Núcleo Moderno de Música, escola idealizada por Ubiratan Marques e Gilberto Santiago. Entre 2009 e 2011, quando ainda funcionava em salas alugadas, o núcleo desenvolveu atividades que contribuíram para o surgimento da Orquestra Afrosinfônica. O espaço também foi utilizado em processos criativos e ensaios para a gravação do primeiro álbum do grupo, “Branco”.

Com a permissão de uso do casarão pela Casa da Ponte, em 2018, o núcleo passou a atuar efetivamente como escola de música, oferecendo cursos para iniciantes e pessoas já familiarizadas com a prática musical, além de formações de qualificação e especialização. No local também foram realizados os ensaios da orquestra para a gravação do álbum “Dois”.

Em 2024, a Casa da Ponte desenvolveu a primeira edição do projeto Ponte Para a Comunidade, voltado à educação e à formação musical em bairros de Salvador. A iniciativa formou oito Orquestras Afrobaianas, que foram entregues para serem administradas por organizações como Ilê Aiyê, Banda Didá, Olodum, Pracatum, Cortejo Afro, Filhos de Gandhy, Malê Debalê e Grupo Étnico Cultural Bairro da Paz.

O projeto atendeu cerca de 1.500 alunos de diferentes idades, com aulas realizadas na Casa da Ponte e em polos instalados no Centro Histórico/Pelourinho, Candeal/Brotas, Curuzu/Liberdade, Pirajá e Bairro da Paz. A segunda edição do Ponte Para a Comunidade deve abrir inscrições nos próximos dias.

Além das atividades de formação, a instituição mantém uma programação de concertos, ensaios abertos da Afrosinfônica e apresentações musicais de alunos. A agenda também inclui ações em outros bairros de Salvador e municípios baianos, como o projeto Ponte Para as Filarmônicas, que reuniu bandas de Santo Amaro, Cruz das Almas, Cachoeira, Muritiba, Acupe e São Félix.

A partir de dezembro, a Orquestra Afrosinfônica deve iniciar uma série de concertos com participações especiais nas escadarias da Fundação Jorge Amado, no Pelourinho.

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