A banda Olodum desfilou neste domingo (16) no circuito Batatinha, no Campo Grande, em Salvador.

O cortejo foi marcado por uma multidão que acompanhou o bloco ao som de seus tradicionais tambores e de músicas que retratam a história negra.
Antes de chegar à avenida, os jovens integrantes se preparam ao longo de todo o ano para garantir um espetáculo vibrante aos foliões. Entre eles está a dançarina Larissa Stephanie, de 24 anos, que participa do grupo há 15 anos. Em entrevista ao Portal Umbu, ela destacou a importância do Olodum em sua trajetória pessoal e artística.
“Eu entrei na escola aos 12 anos como aprendiz de dança e, junto com as aulas, participei da formação de liderança para afrodescendentes”, contou.
E continuou: “Nessa formação, aprendemos sobre a África, sobre a colonização e também sobre identidade. Foi ali que passei a me reconhecer como mulher preta. Quando cheguei, usava o cabelo alisado, depois assumi meu cabelo natural, black, e isso mudou minha forma de me ver no mundo”.
Sobre a expectativa para o desfile, Larissa afirma que o momento é resultado de muito preparo e carrega forte carga emocional.
“A gente se preparou o ano inteiro para apresentar um carnaval com ancestralidade, cultura e representatividade, para que as pessoas consigam nos enxergar e se enxergar no bloco. Para mim, o Olodum representa resistência e pertencimento. É um lugar onde eu me vejo”.
Ao lado dela, o dançarino Vanderson Silva, de 25 anos, que também integra o grupo há mais de uma década. Ele afirma que o bloco representou uma oportunidade de transformação em sua vida.

“A minha expectativa para este desfile é reafirmar que jovens negros e periféricos têm potencial para vencer e crescer também no meio artístico. Nós, baianos, soteropolitanos, temos essa veia artística, precisamos apenas de oportunidade e reconhecimento”, afirmou.
Vanderson também destacou o papel formador da Escola Olodum em sua trajetória.
“A escola foi um divisor de águas para mim. Encontrei representatividade e espaço de fala. Mais do que aprender música, tive acesso a oportunidades de crescimento pessoal. A escola me transforma ano após ano. É uma honra participar de mais um carnaval com o grupo e com o Bloco Mirim”, concluiu o jovem.


