Em mais um ano de desfile no Carnaval de Salvador, o Malê Debalê saiu às ruas neste sábado (14), no circuito Osmar, no Campo Grande, com o tema “Malê – Na Corte de Oxalá”.

Fundado em 1979, o bloco traz como música de destaque “Negros Sudaneses”, que homenageia a Revolta dos Malês.
O desfile deste ano dá continuidade ao processo iniciado em 2025, quando levou para a avenida um tema dedicado a Exu, em uma proposta apresentada à sociedade civil de Salvador, da Bahia, do Brasil e do mundo.
Em entrevista ao Portal Umbu, Antônio Carlos, de 62 anos, contou que frequenta o Malê desde os primórdios. Ele já integrou a banda oficial do bloco, mas hoje prefere desfilar na ala.
“São mais de 36 anos de história com o Malê. Antes eu tocava na banda, e hoje sair no Malê é tudo de bom, reforça as nossas raízes africanas. Moro em Itapuã há 30 anos e gosto de aproveitar: curto o Malê, o Gandhy e o Ilê Aiyê também. Hoje, venho para o Carnaval principalmente para curtir os blocos afro”.
Para Noélia Araújo, de 65 anos, a manutenção dos blocos afro no Carnaval baiano é uma forma de reverenciar uma história viva.

“Eu vivo o axé, vivo ser negra. Então, quando vejo os blocos afro, é como dar luz a um modo de viver muito importante para a cultura negra. Para mim é algo natural, porque eu sou afro e sempre serei”.
Contudo, a mãe de santo aponta que alguns aspectos que ainda poderiam melhorar em relação ao respeito aos blocos.
“Os demais blocos deveriam ter mais respeito. O povo de trio passa na frente, faz o que quer, e eu acho isso uma falta de respeito, principalmente com os blocos afro, onde pessoas de mais idade gostam de desfilar por serem blocos mais calmos”, destacou a foliã.
Noélia também deixou uma mensagem para os mais jovens.“Eu diria que a juventude, principalmente a juventude baiana, a juventude negra, deveria se aproximar mais dos blocos afro, conhecer melhor suas raízes e suas origens, porque isso só fortalece quem somos”, finalizou.


