Entidade fundada em 1982 exaltou a herança africana no Centro e emocionou foliões com mensagem de afirmação e beleza negra

Foto: Ascom/ SecultBA
Vestidos com fantasias nas cores vermelha, amarela e branca, os integrantes do Os Negões desfilaram neste domingo (15) no circuito Osmar, no Campo Grande, em Salvador. Com tema deste ano, “Congo: império na Bahia”, o bloco conduziu o cortejo com referências à ancestralidade e à herança africana.
Para o folião Paulo Victor Magalhães, de 34 anos, que recebeu o abadá de um familiar, a expectativa era alta para acompanhar o bloco por todo o percurso.

Foto: Bruna Rocha
“Estou muito animado com o desfile deste ano e pretendo ir até o fim do circuito”, disse o folião ainda no início do percurso.
“ O bloco contribui para a autoestima da população negra. Mesmo não sendo tão retinto, minha família é, e eu me reconheço como negão. Sou do gueto”, concluiu.
A saída também foi especial para Nayara Conceição, de 31 anos, que comemorou aniversário no desfile.

Foto: Bruna Rocha
“São três anos saindo no bloco. Conheci por meio de uma amiga e nunca mais deixei de vir. Minha autoestima está altíssima. É uma representatividade importante e uma oportunidade de sermos vistos”, disse a enfermeira.
A noite de desfile do Os Negões também foi especial para Ashe Bukkwan, de 50 anos, artista plástica natural de Moçambique.
“Conheci Paulinho, presidente do bloco, que me fez o convite. Já estávamos tentando firmar uma parceria e nada melhor do que estar no bloco para compreender melhor a dinâmica. É a minha primeira vez em Salvador e também meu primeiro Carnaval, então tinha que ser com Os Negões”, afirmou.
A artista destacou ainda a conexão cultural que percebe na capital baiana. “A expectativa é alta porque, com a presença de convidados vindos da África, eu sinto que a África está pulsando em Salvador. Não há lugar melhor para prestigiar o meu continente”, declarou.
História
O Os Negões foi fundado em 1982 com a proposta de valorizar a estética negra e promover a afirmação social de homens negros, conforme destaca a própria instituição.
Para além da música afro, a agremiação desenvolve, ao longo de todo o ano, ações de enfrentamento às desigualdades, promoção da cultura afro-brasileira e geração de renda para a comunidade.
Texto e foto: Bruna Rocha


