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Carnaval 2026: Afoxé Filhos de Korin Efan desfila no circuito Batatinha e leva espiritualidade ao centro da festa

Agogôs e cabaças ecoam no Pelourinho em desfile que exaltou a fé e a resistência negra na folia

Foto: Korin Efan

O domingo (15) de Carnaval no circuito Batatinha foi marcado pelo desfile do Afoxé Filhos de Korin Efan, que tomou as ruas ao som dos agogôs e das cabaças. Neste ano, o grupo apresentou uma celebração à espiritualidade, à resistência e à afirmação negra no espaço público.

“Celebraremos a ancestralidade, as expressões, os rituais e a importância desses grupos na promoção social e cultural do povo negro. Levaremos para a avenida elementos que simbolizam a origem dos afoxés e a conexão com a fé de matriz africana. Festejaremos também o reconhecimento do desfile dos afoxés como patrimônio imaterial da Bahia, assim como o candomblé”, explicou Elisângela Silva, presidente da Sociedade Cultural e Carnavalesca, em coletiva.

Com o tema “Afoxés da Bahia: uma história de ancestralidade, fé e resistência”, o desfile, segundo a organização, reforçou nas ruas do Centro Histórico o compromisso com a preservação dos afoxés. Além disso, os organizadores destacaram que o enredo apresentou elementos fundamentais dessas agremiações, como o babalotim, estandartes, alas de dança, o ritmo ijexá, os adereços, as fantasias, além das figuras do rei (babá afoxé) e da rainha (iyá afoxé).

O grupo também relembrou a presença histórica dos afoxés antes da chegada da popularização do Carnaval.

“Muito antes da consolidação do modelo atual de festa, os afoxés já reuniam multidões pelas ruas do Centro Histórico de Salvador. Inspirados nos rituais do candomblé, com suas indumentárias, danças, cânticos em iorubá e instrumentos percussivos, reverenciavam a ancestralidade africana”, destacou a diretoria do bloco.

O Afoxé Filhos de Korin Efan mantém a tradição desde 1980, quando foi criado por Erenilton Bispo dos Santos, Elemaxó da Casa de Oxumarê, ogã alabê da época.

Por fim, o desfile também prestou homenagem a grupos históricos, como Afoxé Pândegos da África, Embaixada Africana e Badauê, que não existem mais, além de reverenciar agremiações que permanecem ativas, como Olorum Babá Mi, Filhas de Gandhy, Filhos de Gandhy e Dança Bahia, mantendo vivo o legado ancestral. O enredo teve direção de Elisângela Silva, com participação de Babá PC e Babá Atinsá Pai Tinho, do Terreiro Casa de Oxumarê.

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