Ebó D’si Fazê Acendê tem participação de Deusa Sued, Dudu Reis, Pokett Nery, Afrobapho, DJ Preta Barros e a Quadrilha Junina Imperatriz do Forró

O mês de junho acabou de chegar e com ele as bandeirolas, a fogueira e toda diversão dos festejos de São João. A cantora Pedra Homem celebra a maior festa popular do Nordeste brasileiro com seu mais recente trabalho: “Ebó D’si Fazê Acendê”. Para quem quiser conferir, o single e o videoclipe já estão disponíveis em todas as plataformas de áudio e vídeo.
O novo trabalho de Pedra valoriza artisticamente as matrizes afro-indígenas do gênero, bem como a resistência da comunidade LGBT+ no contexto junino. Nesse movimento, ela se contrapõe a uma narrativa de que o forró teria origem em culturas brancas e, para isso, a artista montou uma rede de referências, parcerias e afetos para a construção visual e sonora de “Ebó D’si Fazê Acendê”.
A canção conta com o arranjo de Eduardo Reis (Dudu Reis), que trabalha com artistas como Mariene de Castro, Carlinhos Brown, Margareth Menezes e Daniela Mercury, dentre outros. A música é o primeiro trabalho de Pedra Homem que contém um feat, cuja convidada é Deusa Sued, do coletivo Afrobapho. Já os beats da participação foram produzidos por DJ Preta Barros, idealizadora do coletivo ForroSound.
No videoclipe, a participação da Quadrilha Junina Imperatriz do Forró e da Rainha do Samba Junino, Pokett Nery, foram essenciais para abrilhantar os trabalhos. O coletivo Afrobapho também participa junto com demais brincantes. A direção de arte e cena é assinada pelo Caboclo de Cobre, multiartista da cultura cênica, visual e musical afro-indígena de Salvador.
O objetivo da artista é mostrar que o forró continua sendo e sempre foi para o seu público. “É justamente com lascas desse passado que tentam apagar para se apropriar que faço faísca de reacender meu próprio corpo e minha própria história através do forró. Não estou inventando a roda, apenas retorno, e com isso, vou buscando formas de atualizar o sentido dessa roda desse lugar de agora”, ressalta.
Pedra defende que o ritmo e a dança do Forró surgem de uma série de criações artísticas de matrizes africanas e indígenas que o povo do norte e nordeste brasileiro expressava. “Nomes como Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, João do Vale, Ary Lobo, Marinês e Clemilda, por exemplo, formaram o gênero, tornando-lhe conhecido mundo afora e o consolidando como um dos mais tocados no Brasil, até hoje”, declara.
Ao se reconhecer como uma Cabra Bixa, Pedra Homem construiu esse novo trabalho a partir de dois momentos cruciais na sua trajetória. O primeiro, é a reaproximação com a sua avó Maria, em Tucano (BA), na primeira trégua da pandemia de COVID-19, em 2021. Com esse encontro, Pedra reestabelece suas origens indígenas e acende a vontade de fazer essa homenagem nesse novo trabalho: “vou ouvir minh’avó que é Kiriri” é o verso que abre a canção.
O segundo momento é o processo de pesquisa, quando Pedra se depara com uma reportagem que falava sobre a resistência brincante LGBT+ periférica na cena junina de Salvador e região. “Essas histórias confluíam muito com minhas vivências, afetos e tensões com o mercado do forró. Foi envolvida nos afetos que me atravessaram após a leitura da matéria que nasceu a letra do trap que atravessa e conflui nesse arrasta-pé com alujá”, revela Pedra.
O projeto Ebó D’si Fazê Acendê foi contemplado pelo edital SalCine, com recursos financeiros da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Prefeitura de Salvador e da Lei Paulo Gustavo, Ministério da Cultura, Governo Federal.
Assista a produção:
Sobre a artista:
Pedra Homem se reconhece como uma Cabra Bixa, multiartista que compõe e canta seu forró com o intuito de reacender as raízes afro-indígenas desse legado e expressar diferentes identidades de gênero e sexualidades que atualizam e ampliam os Ori-zontes narrativos da música nordestina.
Em “Te Perder de Vista é Bom” (2018), seu primeiro lançamento, Pedra versa em xote sobre a potência de ocupar os próprios sertões como forma de se reinventar após o término de relação com um moço. Em “Inocença” (2022), Pedra une baião e agueré (ritmo ligado a Iansã e Oxóssi) para passear sobre sua infância-viada-periférica no bairro do Vale das Pedrinhas, na capital baiana. Em “Ebó D’Si Fazê Acendê” (2024), Pedra celebra as origens, os saberes de aldeia, quilombos e terreiros, a resistência brincante periférica LGBT+ e o pertencimento à cultura junina com arrasta-pé, trap e alujá, o toque de Xangô.