Prefeito afirma que mantém diálogo institucional para captar recursos federais e cita obras e financiamentos dos dois governos; ex-ministro atribui liberação inicial de verba para o BRT à gestão Michel Temer

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), comparou os investimentos federais destinados à capital baiana durante os governos de Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendeu a continuidade da busca por recursos da União, independentemente do resultado da eleição presidencial. As declarações, feitas na terça-feira (20), provocaram uma contestação do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que negou a participação do governo Bolsonaro na liberação inicial de recursos para o BRT de Salvador.
Durante uma agenda na capital baiana, Bruno Reis afirmou que a prefeitura tem capacidade técnica e administrativa para buscar financiamentos e convênios federais, independentemente de quem ocupe a Presidência da República. O prefeito também destacou a execução de obras com recursos próprios do município e disse que a captação de verbas depende da apresentação de projetos e do cumprimento das exigências legais.
Ao comentar a relação com o governo Bolsonaro, Bruno citou recursos destinados ao BRT, financiamentos para o programa Salvador Social 2, obras de mobilidade urbana e emendas parlamentares. Já sobre a atual gestão federal, mencionou projetos apresentados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), incluindo intervenções no Pé Preto e no Nordeste de Amaralina, a construção de um multicentro de saúde e de uma policlínica na região da Avenida 29 de Março, além de financiamento para a aquisição de ônibus.
A lista de iniciativas citadas para o governo Lula foi mais extensa, embora o prefeito também tenha destacado investimentos e financiamentos relacionados ao período de Bolsonaro. Ao tratar dos projetos do PAC, Bruno ressaltou que a prefeitura apresentou as propostas e solicitou os recursos federais.
Geddel contesta declaração sobre recursos do BRT
A declaração de Bruno Reis sobre o BRT foi contestada pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima. Em publicação nas redes sociais, Geddel afirmou que os recursos iniciais para o empreendimento foram liberados durante o governo de Michel Temer (MDB), quando ele ocupava o Ministério da Secretaria de Governo.
“Mentira. Os recursos do BRT inicialmente saíram no governo Michel Temer, liberados por mim. Oh arrependimento. Desminta”, escreveu o ex-ministro, segundo o portal Política ao Vivo.
A divergência envolve a atribuição dos recursos federais utilizados no projeto de mobilidade urbana. Bruno Reis associou a liberação de recursos para o BRT à gestão Bolsonaro, enquanto Geddel reivindicou participação na liberação inicial durante o governo Temer.
A contestação, porém, não esclarece, por si só, a totalidade dos repasses realizados ao longo da execução do empreendimento. Para estabelecer a origem e a cronologia dos investimentos, seria necessário detalhar os contratos, os financiamentos e as liberações efetuadas em cada período presidencial.
Prefeito defende autonomia financeira de Salvador
Ao defender a capacidade de investimento do município, Bruno Reis afirmou que a prefeitura executa obras e mantém serviços públicos com recursos próprios.
“A maioria de todas as ações, 99% foram com recursos próprios da Prefeitura”, declarou o prefeito, ao mencionar intervenções urbanas e o custeio dos hospitais municipais. O gestor também argumentou que a administração municipal precisa manter projetos preparados, certidões regulares e condições técnicas para se habilitar a financiamentos.
O prefeito disse ainda que Salvador continuará buscando recursos federais, independentemente do resultado eleitoral. Para ele, a relação entre a administração municipal e o governo federal deve ser pautada pelo diálogo institucional e pelo atendimento às demandas da população.
“Espero que quem vier escolher tenha compromisso com o cidadão soteropolitano, afinal de contas, nós somos aí a quarta maior cidade do Brasil”, afirmou.
A discussão sobre os investimentos federais em Salvador reúne, assim, dois aspectos: a defesa da prefeitura de que a capacidade técnica e financeira do município permite manter projetos e buscar recursos em diferentes governos e a divergência política sobre a atribuição de investimentos específicos, como os destinados ao BRT.



