Valor é 34% a mais do que em 2023, quando a categoria recebia no mínimo R$ 60 pela diária

No ano de 2017, blocos de carnaval e cordeiros assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) elaborado pelo Ministério Público do Trabalho (MPB-BA) com a participação da Superintendência Regional do Trabalho da Bahia (SRT).
No TAC, estão garantidos direitos como o valor diário de trabalho, o fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), fornecimento de água e lanches, um contrato por escrito e outras atribuições, todas asseguradas pelo MPT-BA.
Com a concretização do termo, todo início de ano as entidades carnavalescas e o Sindicato dos Cordeiros (Sindicorda) se reúnem em negociações para tratar, principalmente, sobre o valor que será pago no dia de trabalho. O MPT é responsável por fiscalizar o cumprimento dos acordos.
Em 2024, a categoria pedia o aumento da diária para R$ 150, no entanto, o acordo firmado na manhã da última terça-feira (9) fixou o valor de R$ 80 por dia, cerca de 34% a mais do que foi proposto em 2023, quando os cordeiros receberam no mínimo R$60.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Cordeiros da Bahia (Sindicorda) Matias Santos a justificativa dos blocos para rejeitar a proposta inicial da classe é a falta de condições, principalmente pelo período de retoma do carnaval no pós-pandemia.
“Os blocos pequenos não têm condições de pagar acima do teto, os blocos grandes, por exemplo, vão pagar R$ 100, a gente estabelece o mínimo e quem pode pagar mais dá mais”, explica à reportagem de A Tarde.
Diretos
O presidente do sindicato informou que além do acordo sobre o montante, outros pontos também foram adicionados.
“Os blocos também vão criar um plano de ação para estimular. Terá uma bonificação, alguns blocos vão pagar com cesta básica e outros com R$ 50 extra, que é o caso do bloco Camaleão. Paralelo a isso, vai ser homologado o seguro de vida no sindicato e a gente vai tentar ver quantos blocos vão sair com cordeiros, a quantidade de profissionais, quantos dias e vamos garantir que esses blocos que vão sair proporcionem o seguro de vida”, adiantou.
Segundo o presidente, a oficialização e divulgação das informações devem acontecer após a análise da ata da reunião de acordo por parte do Ministério Público.
Já para o ano que vem, os cordeiros já estimam pedir 20% do valor de 2024, além de um pedido à prefeitura para um local de apoio.
“Para esse ano, como o carnaval é para ontem, agora não tem condições de realizar, mas dentro da nossa ata, junto com o MP, foi colocado um local de apoio, que eles chamam de ‘espaço de convivência’, mas a gente acha melhor um ‘espaço de apoiamento’, que é um apoio que tem que ter, nesse lugar, a gente propõe que a prefeitura entre com os órgãos, um vem com uma estrutura de isopor, outro com reforço alimentício, outro com a água”, ressaltou Matias.
O Ministério Público, que fiscaliza as condições da categoria, acompanha de perto as negociações de acordo com a procuradora do órgão Marina Pimentel e busca garantir a aplicação das garantias firmadas com os blocos e entidades carnavalescas.
“Existe a necessidade deles, todo ano, refazerem a negociação das diárias. A gente também fiscaliza a entrega da questão dos EPIs, do fornecimento de água, de lanche, o contrato por escrito e se os acordos estão sendo cumpridos. Caso não sejam, existem multas. Para serem aplicadas, a gente tem que ter a comprovação, então precisa chegar ao MP notícias formais que esses acordos não foram cumpridos”, explicou a procuradora do órgão, Marina Pimentel à reportagem de A TARDE.
Conselho do Carnaval
No ano passado, o vereador Augusto Vasconcelos (PCdoB) enviou uma emenda referente a uma Lei Orgânica do Município, que garante a presença de catadores de materiais recicláveis e cordeiros no Conselho Municipal do Carnaval. A medida foi aprovada pelo plenário da Câmara Municipal de Salvador (CMS).
A emenda sobre Lei Orgânica não passa por sanção, ou veto do prefeito, ela é comungada diretamente pela Casa, o que já aconteceu com a alteração proposta e já encontra-se em vigor. No entanto, pequenos detalhes para o ajuste final ainda devem ser concluídos e segundo o líder do sindicato dos cordeiros, a categoria passará de fato a fazer parte só ano que vem.
Augusto também detalhou que o que tem tomado um certo tempo é a regulamentação do conselho sobre a forma de eleição dos representantes, pois os cordeiros já possuem um sindicato, já os catadores ainda precisam de uma representação.
Foto: Olga Leiria /Ag. A TARDE




