...

Portal UMBU

Bahia Filmes: Entenda os bastidores e os próximos passos da nova empresa de audiovisual do estado

Em entrevista, o cineasta e gestor cultural Pola Ribeiro detalha os trâmites burocráticos que envolvem a criação da empresa, explica a importância de um “atraso estratégico” e projeta o funcionamento para fevereiro.

Foto: Divulgação

Sancionada em fevereiro de 2025 com a promessa de revolucionar o audiovisual baiano, a Bahia Filmes gerou enorme expectativa no setor. Passados quase um ano, a pergunta que ecoa na classe artística é: quando a empresa, de fato, se tornará operacional? Em entrevista, o cineasta Pola Ribeiro, diretor do Museu de Arte da Bahia (MAB-BA) e integra a comissão para agilização dos processos, esclareceu os trâmites, os desafios e a visão estratégica que moldam a primeira empresa pública estadual de audiovisual do Brasil.

O objetivo, segundo ele, é construir uma fundação sólida, mesmo que isso exija mais tempo do que o inicialmente previsto. “Não é fábrica de pipoca, é uma indústria que vai precisar realmente se desenvolver com passos firmes, com cautela, com estrutura bem organizada”, afirma.

O “Atraso Estratégico”: Por que a espera foi necessária?

O prazo inicial de 90 dias para o início das operações não foi cumprido devido a uma série de exigências legais e burocráticas complexas, essenciais para garantir a sustentabilidade e a governança da empresa. O principal desafio, segundo Pola Ribeiro, foi a definição de um sócio para a empresa de economia mista.

“A Bahia Filmes precisa ter um sócio, e esse sócio não poderia ser qualquer um. A gente sabe que precisava ser uma empresa que, de fato, agregasse valor ao conceito”, explica. A solução foi trazer a BahiaInveste (Agência de Fomento do Estado da Bahia) para a sociedade.

Contudo, para que essa parceria fosse possível, foi necessário alterar o estatuto da própria BahiaInveste, um processo que exigiu que o projeto retornasse à Assembleia Legislativa por duas vezes. “Estamos atrasados, mas somos a primeira empresa pública estadual do Brasil. É um atraso, mas a promessa do governador está sendo concluída”, pondera Ribeiro, que compara o cronograma ao da Spcine (empresa de cinema de São Paulo), que também levou mais de um ano para se tornar operacional.

A expectativa é que o processo seja finalizado em breve. “Acreditamos que em fevereiro nós teremos o nosso CNPJ e poderemos então partir para a contratação da estrutura da equipe. Começar a funcionar”, projeta.

Mais que um balcão de editais: A visão da Bahia Filmes

Pola Ribeiro faz questão de diferenciar o papel da nova empresa do modelo tradicional de fomento. A Bahia Filmes não será apenas um “balcão” para distribuir recursos, mas uma empresa com inteligência de mercado, focada em ligar os pontos da cadeia produtiva e fortalecer a economia do setor.

“Nós colocamos, as universidades baianas colocam por ano 1.100 profissionais de cinema e audiovisual no mercado. E elas não conversam entre si”, exemplifica. O papel da Bahia Filmes será fazer essa “costura”, atuando em eixos como:

  • Captação de Recursos: Atrair investimentos nacionais e internacionais, indo além do Fundo Setorial do Audiovisual.
  • Formação e Diagnóstico: Mapear o mercado para entender as necessidades e profissionalizar a mão de obra.
  • Distribuição e Difusão: Criar canais para que as produções baianas cheguem ao público, seja em cinemas, na TV ou no streaming.

“O setor está acostumado com o modo operante de ir ao balcão, apresentar o projeto e receber o recurso. A gente vai ter que fazer uma comunicação muito grande para entender o que é a Bahia Filmes: uma empresa para ligar as competências, qualidades e forças que o audiovisual da Bahia tem”, detalha.

O Coração da Bahia na tela: diversidade como prioridade máxima

Questionado sobre como garantir que a diversidade cultural da Bahia seja a protagonista, Pola Ribeiro é enfático. Segundo ele, a força da Bahia Filmes virá justamente de sua capacidade de espelhar a potência cultural do estado.

“O que vai garantir a potência do audiovisual baiano é justamente essa mistura com a música baiana, com a literatura, com o teatro, com a dança. E essa Bahia é uma Bahia preta também, tem uma força negra culturalmente incrível, e essa força vai bater no audiovisual, vai ser uma voz da Bahia”, afirma.

A visão é de uma empresa que represente a pluralidade dos territórios baianos – do Recôncavo ao Oeste – e que se torne uma plataforma para que a identidade cultural do estado dialogue com o Brasil e com o mundo. “O projeto tem que espelhar essa cara que a Bahia tem. Esse pensamento está o tempo inteiro na construção e não vai poder se desviar disso”, conclui.

Inscrever-se
Notificar de
guest
1 Comentário
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Suzana
Suzana
10 dias atrás

Pola é o cara que faz acontecer. Conhece muito o audiovisual e tem visão de toda a sua cadeia produtiva. Além de ser agregador, conecta pessoas, constrói redes… Muito animada e otimista com a Bahia Filmes.

POSTS RELACIONADOS

plugins premium WordPress
Ir para o conteúdo