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As movimentações de Jerônimo e ACM Neto e as fissuras na base aliada

A aparente “calmaria” na política baiana é apenas a superfície de um mar de intensas articulações. De um lado, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) avança em sua ofensiva municipalista; do outro, seu provável adversário em 2026, ACM Neto (União Brasil), colhe os frutos de um trabalho contínuo nos bastidores. No centro dessa disputa, a fidelidade dos partidos aliados será o fator decisivo.

A ofensiva de Jerônimo e o Cavalo de Troia

Nos corredores do governo, a estratégia é clara: fortalecer a base no interior do estado. A cada prefeito da oposição que se aproxima, a cada foto e convênio assinado, a base petista celebra o que parece ser uma vitória esmagadora. Contudo, essa onda de novos apoios, comemorada como um trunfo, pode ser um perigoso Cavalo de Troia se instalando nas fundações do governo. Por fora, o presente parece valioso: a imagem de um ACM Neto isolado e de um governo que expande sua influência. Por dentro, porém, esconde-se o pragmatismo de gestores cuja lealdade principal é com a sobrevivência de suas próprias administrações. O apoio a Jerônimo hoje é a busca por recursos. Amanhã, na campanha, quando a máquina do estado já tiver sido utilizada, nada impede que esses mesmos prefeitos “abram os portões” e retornem ao palanque de Neto, revelando a fragilidade da base governista quando for tarde demais.

O capital de Neto: articulação contínua

Subestimar o capital político de ACM Neto é um erro crasso. Como vice-presidente nacional do União Brasil, ele possui forte influência em Brasília e, fiel ao seu estilo, mantém uma atuação constante de articulação nos bastidores, combinada com ataques pontuais e estratégicos ao governador petista. Os resultados dessa estratégia agora se tornam públicos. Movimentos de impacto, como o anúncio do deputado Nelson Leal (PP) para a coordenação de sua campanha e a declaração de apoio do deputado Cafu (PSD) — um golpe vindo de dentro de um dos principais partidos da base —, materializam esse trabalho silencioso. O discurso adotado por eles é um só e mira no “cansaço” de 20 anos do mesmo grupo no poder e a urgência de mudança.

O dilema dos aliados: onde ficam o PSD e o MDB?

A governabilidade de Jerônimo depende de uma base ampla, que inclui partidos com projetos próprios, como o PSD de Otto Alencar e o MDB dos irmãos Vieira Lima. A dissidência de Cafu mostra que nem mesmo no PSD a unidade é garantida, elevando a tensão sobre as negociações para a chapa majoritária. A disputa por uma vaga no Senado é o principal foco. O senador Jaques Wagner (PT) articula sua reeleição, enquanto crescem os indícios de que o ministro Rui Costa (PT) também almeja a cadeira. Se o PT decidir ocupar as duas vagas, terá que sacrificar um aliado histórico como o PSD. Uma decisão com potencial para reconfigurar todo o cenário político.

As movimentações estão em andamento. De um lado, Jerônimo testa a elasticidade de uma base que já mostra fissuras internas. Do outro, Neto capitaliza o desgaste e atrai dissidentes. E, nesse cenário, os grandes aliados calculam qual passo lhes garantirá o protagonismo.

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