Pães foram encontrados preservados em meio ao sedimento misturado a cinzas do antigo forno
Os arqueólogos da equipe do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia (LAP), do Departamento de Educação (DEDC) do Campus VII da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em Senhor do Bonfim, encontraram pães mumificados de cerca de 80 anos – período da II Guerra Mundial e ditadura do governo de Getúlio Vargas – durante escavação do sítio arqueológico Garimpo Prateado.
O sítio fica localizado na Serra de São Francisco, município de Campo Formoso, e representa um espaço pouco documentado, pois está ambientado em área rural e semiárida nordestina.
Durante os estudos arqueológicos, a equipe da Uneb localizou uma área que era destinada ao acampamento da mineração, contendo restos de garrafas, principalmente de bebidas alcoólicas e de medicamentos para gripes e tosses, juntamente a tralhas de uso doméstico.
Outra área consistiu na padaria do garimpo, única construção existente e hoje em ruínas, tendo sido justamente durante as escavações dessa área que a equipe de arqueologia encontrou os pães preservados em meio ao sedimento misturado a cinzas do antigo forno.
De acordo com Cristiana Santana, docente da UNEB e coordenadora da pesquisa, “como se trata de pães queimados, acreditamos que os mesmos foram descartados nas cinzas do forno da padaria, o que resultou na dessecação e consequente mumificação natural desse vestígio arqueológico”.
A pesquisadora do LAP Joyce Avelino salienta que “os vestígios arqueológicos recuperados na área do Garimpo Prateado dão a indicação de que se tratava de uma área de mineração ampla, mas sem estrutura, onde os cristais de quartzo eram coletados sem utilização de maquinário eficiente, apenas com o uso de ferramentas metálicas simples e improvisadas”.
Os pães escavados se parecem com pães ainda vendidos na região do estudo, conhecidos como “pães de cesto” ou “pães amassados por pés”. Contudo, os que foram recuperados pela equipe são menores, possivelmente porque estão desidratados, perderam parte do volume.
De acordo com os pesquisadores, a uma distância de aproximadamente 600 metros do sítio arqueológico, localiza-se o cemitério do garimpo, com alguns enterramentos humanos, mas sem lápides ou identificações. Observam-se apenas ondulações na área, indicando as covas.
Hoje, os artefatos arqueológicos do garimpo, incluindo os pães mumificados, são os derradeiros testemunhos dessa história ocorrida nos sertões semiáridos da Bahia.