Parte de programa de proteção do governo, liderança foi assassinada a tiros em Simões Filho, em 2023

Os familiares da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, receberam uma indenização após firmarem um acordo com o Estado da Bahia pela morte da liderança, assassinada em agosto de 2023, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. O valor pago não foi divulgado por conta de uma cláusula de confidencialidade.
O pagamento foi viabilizado por meio de um acordo administrativo firmado entre o governo estadual e a família, conduzido pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) e pela Procuradoria Geral do Estado (PGE). A solução ocorreu de forma extrajudicial, informou o governo baiano.
Na ocasião em que foi assassinada, Mãe Bernadete estava sob proteção da Polícia Militar, por meio da própria SJDH, havia pelo menos dois anos, por conta de constantes ameaças que sofria. “Bernadete recebia ameaças de várias frentes, que foram intensificadas quando madeireiros ilegais passaram a ameaçá-la. Ela sempre deixou claro os riscos que corria e ficou sob o programa a pedido dela mesma”, disse na ocasião o advogado da família.
De acordo com o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, a negociação buscou evitar que os parentes enfrentassem um processo judicial prolongado, além de reafirmar a política estadual de proteção a defensores de direitos humanos.
Crime e andamento do caso
Mãe Bernadete foi morta a tiros em 17 de agosto de 2023, dentro do território quilombola, em Simões Filho. As investigações apontaram que o crime estaria ligado a disputas territoriais e ao enfrentamento da líder contra o uso de áreas da comunidade por grupos criminosos associados ao tráfico de drogas.
Dois homens foram acusados pelo assassinato: Arielson da Conceição Santos, que está preso preventivamente, e Marílio dos Santos, considerado foragido. Ambos vão a júri popular por homicídio qualificado, em julgamento marcado para 24 de fevereiro deste ano.




