
Salvador recebeu, nesta terça-feira (16), a abertura da primeira edição nacional do AfroBusiness Comunicação, evento que reúne profissionais, pesquisadores, estudantes, empreendedores e gestores públicos para discutir os desafios e as oportunidades da comunicação negra no Brasil. A programação segue até esta quinta-feira (18), na Biblioteca Central da Bahia, com entrada gratuita.
O encontro promove palestras, oficinas, mesas temáticas, rodadas de negócios e atividades de networking voltadas ao fortalecimento de profissionais e empreendedores negros que atuam em diferentes segmentos da comunicação.

Durante a abertura, representantes do setor destacaram a necessidade de ampliar a representatividade racial nos meios de comunicação e fortalecer iniciativas independentes produzidas por pessoas negras.
Chefe de gabinete da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais da Bahia (Sepromi), o jornalista e escritor Richard Santos afirmou que a realização do evento em Salvador contribui para ampliar o debate sobre a comunicação como ferramenta de desenvolvimento econômico para a população negra.

“Historicamente, o Brasil tem uma comunicação pasteurizada que não mostra exatamente a nossa história nem a pluralidade étnico-racial do país. Quando se fala em AfroBusiness, dialogamos, por exemplo, com o meu livro Branquitude e Televisão, que discute como o Brasil pasteurizou a nossa imagem, levando quem vem de fora a acreditar que não somos um país de maioria negra. Somos, sim, uma nação de maioria negra, mas essa população foi invisibilizada e afastada desse espaço social e do imaginário construído pela televisão e pelas múltiplas telas”, disse.
Para o jornalista Genilson Coutinho, editor-chefe do portal Dois Terços, iniciativas como o AfroBusiness Comunicação também ajudam a fortalecer veículos independentes e ampliar discussões sobre sustentabilidade financeira na mídia negra e LGBTQIAPN+.
“Falamos muito das mídias tradicionais, mas quais são os veículos criados e comandados por pessoas negras que estão promovendo transformações e que também precisam ser sustentáveis para movimentar a economia?”, questionou.

A programação de abertura contou ainda com o painel “Quem contrata a Comunicação Negra? Oportunidades em Empresas, Governos e Agências”, mediado pela publicitária, gestora cultural e diretora da Umbu Comunicação e Cultura, Mirtes Santa Rosa. O encontro reuniu nomes como Juliana Jozzolino, Preto Zezé e Miguel Silveira.
Vice-presidente nacional da Central Única das Favelas (Cufa) e presidente da entidade na Bahia, Márcio Lima avaliou que a realização de eventos do segmento no estado fortalece o protagonismo de lideranças negras e amplia o debate sobre o potencial econômico das periferias.
“Estar em Salvador para prestigiar figuras como Preto Zezé, André Santana e Maíra Azevedo é valorizar vozes que são referências para nós. São pessoas que admiramos e que nos representam. Quando falamos de AfroBusiness Comunicação e favela, estamos falando de uma movimentação econômica superior a R$ 300 bilhões por ano”, afirmou.

Também presente no evento, o produtor musical e gestor social Preto Zezé defendeu uma maior aproximação entre empresas, comunicadores independentes e lideranças comunitárias. Segundo ele, iniciativas como o AfroBusiness ajudam a conectar diferentes agentes do setor e a criar oportunidades de negócios.
A programação cultural da abertura contou com apresentação do cantor Alex Xella, que divulgou o espetáculo e EP “Xella, Orixá Convida”. O artista destacou a importância de espaços voltados ao fortalecimento da autonomia financeira de profissionais negros da cultura.
“Eventos como este são fundamentais porque fortalecem um movimento negro que precisa acontecer de forma permanente. É uma oportunidade para estarmos juntos, compartilhando conhecimento e discutindo autonomia financeira, especialmente no campo da música. Ainda vejo esse cenário como um tema que precisa de mais debate e mais apoio. Houve avanços importantes, mas podemos avançar ainda mais enquanto movimento negro para alcançar maior fortalecimento econômico e ampliar a circulação do black money”, afirmou.

O AfroBusiness Comunicação é uma iniciativa da Associação Folia Africana, Zumbi Comunicação e Umbu Comunicação & Cultura. O evento conta com apoio da Fundação Pedro Calmon, patrocínio da Caixa Econômica Federal e do Governo Federal.
Texto: Patrícia Bernardes – jornalista, redatora, mobilizadora de projetos de impacto social em educação, letramento e cultura identitária, e repórter colaboradora do Portal UMBU.



