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“A Última Sessão de Freud” retorna a Salvador para temporada em outubro

Espetáculo dirigido por Elias Andreato e estrelado por Odilon Wagner e Marcello Airoldi será apresentado de 8 a 11 de outubro no Teatro Sesc Casa do Comércio

Foto: João Caldas

O encontro fictício entre Sigmund Freud e o escritor C.S. Lewis volta aos palcos de Salvador em outubro. “A Última Sessão de Freud”, texto do dramaturgo norte-americano Mark St. Germain, terá nova temporada no Teatro Sesc Casa do Comércio, entre os dias 8 e 11 de outubro. As apresentações acontecem na quinta, sexta e sábado, às 20h, e no domingo, às 17h.

Dirigida por Elias Andreato, a montagem é protagonizada por Odilon Wagner, no papel de Freud, e Marcello Airoldi, como C.S. Lewis. Em cartaz desde 2022, o espetáculo já soma mais de 400 apresentações e foi visto por mais de 180 mil pessoas, segundo a produção.

A história se passa em Londres, em 1939, no consultório de Freud, pouco antes da entrada da Inglaterra na Segunda Guerra Mundial. Exilado no país após fugir da perseguição nazista na Áustria, o fundador da psicanálise recebe o escritor e professor de Oxford, que havia sido ateu e se tornou um defensor da fé cristã.

A partir desse encontro imaginado pela dramaturgia, os dois personagens travam um embate sobre a existência de Deus. A discussão, porém, ultrapassa a questão religiosa e passa por temas como sentido da vida, natureza humana, sexo, morte e relações pessoais.

Freud representa uma posição crítica em relação à religião, enquanto Lewis defende a possibilidade de conciliar fé e razão. O confronto entre as duas visões é conduzido com humor, ironia e sarcasmo, mas também abre espaço para uma discussão sobre a importância da escuta e da convivência entre pessoas que pensam de maneiras diferentes.

“Essa peça é um elogio ao diálogo, tão necessário em nossos tempos. Saio do teatro todos os dias mais convicto que podemos e devemos conviver pacificamente com aqueles que pensam diferente de nós”, afirma Odilon Wagner.

O texto de Mark St. Germain foi inspirado no livro “Deus em Questão”, do psiquiatra Armand M. Nicholi Jr., professor clínico da Harvard Medical School. Para criar a situação dramática, o autor situou o encontro no momento em que a Inglaterra ingressava na Segunda Guerra Mundial.

“A peça mostra um embate de ideias. Isso é uma armadilha, e eu não queria que o espetáculo se transformasse em um debate. Por isso, pelo bem da ação dramática, situei o encontro entre Freud e Lewis no dia em que a Inglaterra ingressou na Segunda Guerra Mundial”, explicou o dramaturgo.

Palavra em primeiro plano

A encenação de Elias Andreato prioriza o texto e o confronto entre as ideias dos personagens. O cenário de Fábio Namatame reproduz o consultório de Freud, onde se desenvolve praticamente toda a ação.

Para o diretor, a força da montagem está justamente na possibilidade de apresentar duas visões de mundo distintas sem transformar a peça em uma disputa pela razão. O diálogo alterna momentos de ironia, tensão e humor e coloca os personagens diante de questões que continuam presentes no cotidiano.

“O diálogo entre os dois personagens é, por vezes, irônico, por vezes violento, mas surpreendentemente sociável, e é justamente aí que reside sua força: na prova de que é possível conviver com as diferenças de forma inteligente, crítica e sobretudo, humana”, afirma Andreato.

A montagem também marca uma experiência importante na trajetória de Odilon Wagner, que completa 56 anos de carreira. O ator foi indicado aos prêmios Shell, APCA e Bibi Ferreira pelo trabalho como Freud. “Tem sido uma das experiências mais fascinantes de minha carreira, é um privilégio poder representar uma personagem tão potente como Freud, um dos grandes pensadores do século XX”, afirma o ator.

Já Marcello Airoldi destaca a relação entre a montagem e a busca do público por obras que estimulem a reflexão. “Num mundo dominado por algoritmos da superficialidade, é maravilhoso encontrar plateias sedentas pelo bom debate, humor de qualidade, poesia e pela história de bons personagens como estes”, diz.

A temporada em Salvador tem produção nacional da Diaféria Produções e Itaporã Comunicação, com produção local da Carambola Produções.

Serviço

Espetáculo: “A Última Sessão de Freud”
Texto: Mark St. Germain
Quando: 8 a 11 de outubro de 2026
Horários: quinta, sexta e sábado, às 20h; domingo, às 17h
Onde: Teatro Sesc Casa do Comércio, Salvador
Ingressos: de R$ 70 a R$ 180
Classificação: 14 anos
Duração: 90 minutos
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

Ingressos: Sympla
Mais informações: Site oficial do espetáculo

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