Em entrevista exclusiva, a professora de história, Tamires Costa, explica os fatos históricos das celebrações
Durante o século XIX, os “peças do tabuleiro” estavam sendo mexidas em busca de uma nova estrutura política e econômica. Salvador, ou como era conhecida antigamente Cidade de São Salvador ou lá Cidade da Bahia, recebia a chegada da Família Real Portuguesa.
Segundo os historiadores, a vinda da Família Real Portuguesa para o país foi o primeiro sinal da independência do Brasil.
E para explicar melhor todo esse contexto, o primeiro episódio do Umbupodcast conversou com a professora Tamires Costa, natural de Cachoeira. Tamires possui graduação em História pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (2013), tem experiência na área de História, com ênfase em patrimônio, história e memória e mestrado em História da África, da Diáspora e dos povos Indígenas (2017).
Segundo Tamires, falar do Brasil no final do século XIX e início do século XX é, consequentemente falar da Bahia, isso porque o estado tem grande relevância na história do país.
“Se eu for falar sobre o Brasil colônia eu posso falar sobre a participação do Recôncavo, o quanto essa região foi importante para a economia da colônia, para o enriquecimento do país e de Portugal”, disse a educadora.
O Dia do Fico, comemorado em 9 de janeiro, acredita Tamires, não passou de interesse de Dom Pedro, motivado inicialmente pelo desejo do seu pai pela demarcação do espaço. Neste momento o Brasil não era mais colônia de Portugal, o país já praticava o livre comércio e Portugal estava perdendo muito com isso.
“A população queria se aproveitar daquele momento da saída da família real para o Rio de Janeiro, e vê em Dom Pedro essa oportunidade de consolidar a separação. Por outro lado o Dom João, junto com as cortes, estava querendo recolonizar”, conta.
Ao que conta a educadora, esta questão do ‘endeusamento’ do dia do fico e do sete de setembro está atrelada à construção da imagem, uma vez que somos levados a essa dedução por livros didáticos em época escolar.
“Os alunos pegam o livro e se deparam com aquela imagem de Dom Pedro todo bonitão naquele cavalo lindo em um rio que não era nem rio. Hoje em dia você já encontra livros sobre o sete de setembro que fazem uma alusão ao dois de julho, mas não com a importância real que tem”, revela.
De acordo com ela, o quadro que conta melhor o processo de independência do Brasil é o “O PRIMEIRO PASSO PARA A INDEPENDÊNCIA” de Antonio Parreira, feito em Cachoeira. A cena sintetiza os acontecimentos do dia 25 de Junho de 1822, quando a vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira foi bombardeada por tropas portuguesas, após aclamar o Príncipe Regente D. Pedro de Alcântara. O episódio deflagrou a guerra pela independência do Brasil, somente consolidada em 2 de Julho de 1823.

“O dois em julho, ele é a realidade. É uma confusão quando você tá na sala de aula para tentar explicar que não foi o dia 7 de setembro e sim o dia 2 de julho. E aí a gente vai analisar o que que acontece e a ideia da criação simbólica, de criar uma imagem para que a população acreditasse naquilo”, finaliza.
Atualmente, Tamires trabalha na rede municipal de ensino de Feira de Santana. Tem experiência na elaboração de projetos culturais, organização de oficinas e palestras. Desenvolve atividades de mediação e guia pedagógico/turístico de escolas e grupos visitantes no Recôncavo.
Confira o Podcast completo deste bate-papo:




