Iniciativa da Companhia Cultural Mont’Arte e do Centro de Teatro do Oprimido da Bahia promove formação gratuita e circulação da peça “O Pregador” até dezembro

Sete municípios baianos recebem, até 14 de dezembro, atividades gratuitas de formação teatral e apresentações do espetáculo “O Pregador – Teatro-Fórum Antirracista”. A programação integra o projeto “Teatro do Oprimido é Arte Pública!: Transformação dos Territórios”, realizado pela Companhia Cultural Mont’Arte, de São Francisco do Conde, em parceria com o Centro de Teatro do Oprimido da Bahia (CTO-BA).
Iniciada em 30 de outubro, a iniciativa passa por Salvador, Vera Cruz, São Francisco do Conde, Ilhéus, Feira de Santana, Senhor do Bonfim e Alagoinhas. A proposta combina oficinas, intercâmbio artístico e circulação teatral para ampliar o acesso ao método desenvolvido pelo dramaturgo brasileiro Augusto Boal, além de estimular a criação de novos grupos e fortalecer a Rede Baiana de Teatro do Oprimido (RBTO).
As atividades são voltadas a artistas, educadores, agentes culturais, integrantes de movimentos sociais e demais interessados. O projeto busca compartilhar ferramentas teatrais que possam ser utilizadas pelos participantes em seus próprios espaços de atuação, promovendo o diálogo e o enfrentamento de situações de opressão por meio da arte.
Oficinas e formação nos territórios
A formação reúne aulas teóricas remotas e atividades práticas presenciais. As aulas síncronas acontecem às segundas-feiras, das 19h às 20h30, com conteúdos acessíveis aos participantes dos sete municípios. A aula inaugural, realizada em 30 de outubro, contou com a participação de Licko Turle, ator, diretor, professor de teatro e coordenador artístico-pedagógico do projeto.
Já os encontros presenciais são realizados em dois dias consecutivos, com jogos teatrais, exercícios e experimentações baseadas nas técnicas do Teatro do Oprimido. Ao final dos processos formativos, os participantes apresentam os resultados das oficinas em mostras abertas ao público, compartilhando as experiências e criações desenvolvidas em cada localidade.
A proposta utiliza o teatro como ferramenta de leitura crítica da realidade e de construção coletiva de alternativas para situações de desigualdade e opressão.
Espetáculo convida público a intervir na cena
Um dos destaques da iniciativa é a circulação de “O Pregador – Teatro-Fórum Antirracista”, montagem da Companhia de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em parceria com o CTO-BA. Dirigido por Licko Turle, que também assina a dramaturgia coletiva ao lado de Helen Sarapeck, o espetáculo aborda o racismo nas relações de trabalho e convida os espectadores a participar da construção de outras possibilidades para a história apresentada.
A peça acompanha Clara dos Anjos, uma mulher negra que conclui o curso de Direito, mas enfrenta discriminação ao buscar uma oportunidade profissional. Durante uma entrevista para uma vaga de advogada, ela é preterida e acaba aceitando um posto de auxiliar no departamento jurídico da empresa Padrão Global Sociedade Anônima, de propriedade do Dr. Jones.
A montagem utiliza a metodologia do Teatro-Fórum, que rompe com a separação tradicional entre palco e plateia. A experiência começa com jogos e exercícios de interação entre elenco e espectadores. Em seguida, apresenta o chamado antimodelo, que expõe uma situação de opressão. Na etapa final, o público é convidado a assumir o papel de “espect-ator”, entrando em cena para experimentar alternativas de enfrentamento ao conflito.
Com tema, direção, elenco e equipe de criação compostos por pessoas negras, a obra homenageia mulheres negras que enfrentam cotidianamente o racismo e o machismo. Também reconhece a trajetória de luta antirracista do bloco afro Ilê Aiyê.
Licko Turle atua como curinga, responsável pela mediação do Teatro-Fórum. O elenco é formado por Cilene Canda, Bruno Maia, Emille Barbosa, Matheus Zola, João Caetano, Matias Santana, Thaísa Ingrid e Taíse Paim.
Circulação percorre sete municípios
As apresentações gratuitas de “O Pregador” estão previstas para acontecer sempre às 18h, com participação aberta ao público. A circulação conta com parcerias de organizações culturais, instituições de ensino e movimentos sociais em cada município.
Em Salvador, a articulação é feita com o Mandato da Resistência e o CTO-BA. Em Vera Cruz, com o GAIAH; em São Francisco do Conde, com a Companhia Cultural Mont’Arte e a Unilab; em Ilhéus, com o Coletivo Teatro Popular de Ilhéus; em Feira de Santana, com o Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA); em Senhor do Bonfim, com a Universidade do Estado da Bahia (UNEB); e, em Alagoinhas, com o Instituto Federal da Bahia (IFBA).
O projeto conta com apoio da Emenda Parlamentar nº 2881/2026, do deputado estadual Hilton Coelho, viabilizada pela Secretaria de Cultura do Governo do Estado da Bahia.
Serviço
Projeto: “Teatro do Oprimido é Arte Pública!: Transformação dos Territórios”
Período: 30 de outubro a 14 de dezembro de 2026
Municípios: Salvador, Vera Cruz, São Francisco do Conde, Ilhéus, Feira de Santana, Senhor do Bonfim e Alagoinhas.
Espetáculo: “O Pregador – Teatro-Fórum Antirracista”
Horário das apresentações: 18h
Entrada: Gratuita
Informações: ctodabahia@gmail.com | Instagram: @ctodabahia



