Instituição já atendeu mais de 300 crianças e oferece assistência multidisciplinar; campanha busca doações para manter os serviços

Fundada em 2016 por famílias afetadas pela síndrome congênita associada à infecção pelo vírus Zika, a ONG Abraço à Microcefalia completa dez anos de atuação em 2026. Com sede em Salvador, a instituição já atendeu mais de 300 crianças da capital baiana e de municípios do interior do estado, oferecendo acompanhamento terapêutico, assistência social e apoio às famílias. Atualmente, o trabalho conta com o apoio da Fundação José Silveira.
A organização surgiu para acolher crianças com microcefalia e outras malformações congênitas, além de oferecer suporte aos familiares diante dos desafios relacionados aos cuidados e à reabilitação. Entre os serviços disponibilizados estão atendimentos de fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição e assistência social, além da distribuição de itens essenciais, como fraldas, fórmulas e alimentos.
O trabalho também busca fortalecer a rede de apoio entre as famílias, especialmente as mães, que enfrentam uma rotina de cuidados e acompanhamento das crianças. Os relatos de pessoas atendidas pela ONG destacam a importância do acolhimento e da troca de experiências ao longo da última década.
“Ao longo desses dez anos, temos muitas conquistas para comemorar, como a possibilidade de reabilitação para alguns associados e a luta por uma vida mais digna, pela inclusão e por políticas públicas. Cada dia de trabalho vale a pena, mas os desafios são grandes, especialmente diante da dificuldade crescente de conseguir doações e manter a instituição em funcionamento”, afirma Elyana, tesoureira da ONG.
Para Edjane Carvalho, mãe de Marco Antônio Souza, a contribuição da instituição se reflete tanto no desenvolvimento do filho quanto em sua própria trajetória.
“A ONG representa cuidado, troca de experiências, momentos de descontração, parceria e desenvolvimento. São dez anos de trabalho que transformaram não só a vida do meu filho, que recebe todos os acompanhamentos necessários, mas também a minha vida”, relata.
Jiliane Santos, outra mãe atendida pela organização, também destaca o acolhimento oferecido às famílias. “Lá você chega chorando e sai sorrindo. Você passa a entender que não está sozinha, outras pessoas compartilham da mesma dor e lutam pela mesma causa”, afirma.
Para James Ramos, pai de Samira, a ONG foi um suporte importante em um momento de vulnerabilidade. “A ONG representa segurança, estabilidade, conhecimento e acolhimento. Tudo isso foi oferecido à minha filha quando nenhum outro espaço estava totalmente aberto”, diz.
Além dos atendimentos terapêuticos e sociais, a organização auxilia as famílias na busca por direitos. Entre as iniciativas está o suporte jurídico para acesso à pensão especial mensal e vitalícia e à indenização por dano moral previstas na Lei nº 15.156/2025, destinadas a pessoas com deficiência permanente decorrente da síndrome congênita associada à infecção pelo vírus Zika. A concessão dos benefícios depende do cumprimento dos requisitos legais.
ONG recebe doações para manter atendimentos
Apesar dos avanços alcançados desde a fundação, a instituição enfrenta dificuldades para manter os serviços diante da redução das doações. Para dar continuidade aos atendimentos e às ações de assistência, a ONG solicita contribuições financeiras e doações de materiais utilizados no cuidado diário das crianças.
Entre os itens necessários estão fraldas, alimentos não perecíveis, leite, produtos de higiene clínica, detergentes enzimáticos utilizados em hospitais, desodorizadores de ambiente, sapatilhas descartáveis, oxímetros e termômetros.
As contribuições ajudam a custear os serviços e a garantir o acesso das crianças aos cuidados oferecidos pela organização. As doações financeiras podem ser feitas por Pix.
Como contribuir
- Pix: 71996307875
- Banco: Inter
- Instagram: @abracoamicrocefalia
- Site: www.abracoamicrocefalia.org.br



