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Extremismo: Agressões, ataques e denúncias marcam reta final do segundo turno em várias cidades

Casos foram registrados antes e depois da votação; enquanto algumas ocorrências são investigadas como violência política, aliados de Flávio Bolsonaro ampliaram a contestação do resultado eleitoral

Imagem: Reprodução/NSC TV/ICL/Reprodução

A reta final do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 foi marcada por registros de agressões, ataques a manifestações políticas, disparos de arma de fogo e denúncias de violência em diferentes cidades brasileiras. Ocorrências em Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso foram noticiadas por veículos de imprensa e relatadas por usuários da rede social X, antigo Twitter, que divulgaram vídeos e denúncias de casos ainda em apuração.

O cenário de violência e hostilidade coincidiu com o aumento das manifestações de contestação ao resultado eleitoral por integrantes do bolsonarismo. Antes da divulgação oficial da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP) criticaram a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação até as 19h nas seções que ainda não haviam encerrado os trabalhos. A medida foi adotada após pedidos relacionados a dificuldades de transporte de eleitores. A campanha de Lula solicitou a extensão em todo o país, enquanto a equipe de Flávio Bolsonaro também pediu a prorrogação em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Os dois parlamentares fizeram referências à possibilidade de impeachment de Zanin. Nikolas chegou a escrever que haveria “mais um impeachment para o ano que vem”, enquanto Pavanato também questionou a decisão do ministro.

Após a confirmação da reeleição de Lula, Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que não reconheceria o resultado das urnas e que pediria a anulação do pleito. O senador questionou a decisão de Zanin, embora sua própria campanha também tivesse solicitado a extensão do horário de votação em localidades afetadas por dificuldades de acesso. A declaração foi publicada pelo Portal Umbu na matéria sobre a prorrogação da votação e os registros feitos após as 17h.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que a votação continuou apenas nas seções em que os trabalhos ainda não haviam sido encerrados às 17h e que a totalização dos votos seria retomada após as 19h.

Agressões e denúncias após a votação

Em Rio Verde, no sudoeste de Goiás, um vídeo divulgado após o resultado eleitoral mostra um homem caído no chão sendo agredido com chutes por um grupo de pessoas. Algumas tentam intervir, mas também acabam atingidas. A Polícia Civil informou que o caso foi comunicado ao Grupo de Investigação de Homicídios do município e estava sendo investigado sob sigilo.

A ocorrência ganhou repercussão após publicações no X afirmarem que apoiadores de Lula estavam sendo mortos e que hospitais da cidade estavam lotados de pessoas feridas. O perfil viniragusa publicou um vídeo em que é possível ver o homem sendo espancado e afirmou ter reunido registros e denúncias de agressões atribuídas a apoiadores de Flávio Bolsonaro. As imagens são fortes.

Apesar da gravidade das imagens, a Polícia Militar de Goiás informou que não havia sido acionada para atender à ocorrência e que não houve registro de mortes na cidade naquele domingo. A Polícia Civil confirmou que o caso estava sob investigação, mas não confirmou a existência de mortes relacionadas ao episódio. Também não havia confirmação de que a agressão tivesse motivação política. Os desdobramentos foram noticiados por veículos como Metrópoles, Jornal Somos e CNN Brasil.

Antes disso, em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, a vereadora Iara Pimentel (PT) foi ferida no rosto durante uma carreata em apoio a Lula na noite de sábado (24). Segundo relatos divulgados pela parlamentar e por integrantes do ato, o carro de som foi atingido por pedras, tijolos, garrafas e outros objetos. A vereadora recebeu atendimento médico, prestou depoimento à Polícia Federal e, segundo relatos publicados posteriormente, teve alta e foi votar no domingo (25).

Registro da agressão contra a vereadora | Imagem: X/Cláudio Castro/Agência Brasil/Reprodução

A agressão também foi acompanhada pela circulação de informações falsas sobre a morte da parlamentar. A Agência Brasil noticiou a abertura de investigação pela Polícia Federal.

Em Santos, no litoral paulista, o engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, foi encontrado desacordado após ser agredido nas proximidades de uma atividade cultural ligada a um ato de apoio a Lula. A família levantou a hipótese de motivação política e homofóbica, mas as circunstâncias do ataque dependem de investigação.

As informações sobre o estado de saúde de Marcelo tiveram atualizações divergentes. A CartaCapital publicou que a morte encefálica havia sido confirmada. Posteriormente, o ICL Notícias informou que ele continuava vivo e internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Paulo.

Casos fatais e motivação ainda não comprovada

Duas ocorrências com mortes por disparos de arma de fogo foram registradas na noite de sábado (24), em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Em Bonito (MS), Ewerton Rodrigues da Silva, de 34 anos, morreu depois de ser atingido por tiros durante uma briga nas proximidades de uma carreata em apoio a Flávio Bolsonaro. Um adolescente de 16 anos é investigado como suspeito de ter efetuado os disparos.

Segundo informações divulgadas sobre a investigação, o conflito começou depois que um motorista foi abordado e agredido por um homem que participava da manifestação. Amigos do motorista reagiram, e o filho adolescente do agressor teria buscado uma arma e atirado contra o grupo. Ewerton morreu em decorrência dos ferimentos. A motivação do confronto ainda precisa ser estabelecida a partir das investigações. Informações preliminares da Polícia Civil apontaram uma desavença pessoal, enquanto o contexto político em que o episódio ocorreu também foi registrado pela imprensa.

Em Porto Esperidião (MT), Anderson Pires Bolandin, de 35 anos, e Sebastião Dusso Braga Neto, de 34, morreram após um confronto a tiros em um posto de combustíveis. Outras duas pessoas ficaram feridas. Segundo a CartaCapital, uma das vítimas relatou à Polícia Militar que o tiroteio começou após uma discussão por divergências políticas. A motivação, contudo, ainda dependia de apuração pelas autoridades.

Os casos mostram a importância de distinguir a ocorrência de um crime durante ou próximo de uma manifestação da confirmação de que ele foi motivado pela disputa eleitoral. A proximidade temporal ou espacial, por si só, não comprova a motivação.

Ataques, hostilidade e violência policial

No Rio de Janeiro, uma eleitora foi filmada fazendo uma saudação nazista ao sair de um local de votação. Segundo a reportagem da Folha de S.Paulo sobre os episódios de violência no segundo turno, a mulher também ofendeu um homem judeu que a questionou sobre o gesto. O caso foi registrado na Polícia Civil como injúria por preconceito.

Imagem: Ricardo Brajterman/Instagram/Reprodução

Em São Paulo, uma mulher foi esfaqueada na mão no Terminal Rodoviário do Tietê, no domingo (25). De acordo com relatos de testemunhas publicados pela Folha, o agressor teria gritado “Bolsonaro 22” antes de se aproximar de um casal de mulheres lésbicas e atacá-las após uma discussão. O episódio foi noticiado como um caso com possível motivação política e homofóbica, mas a motivação ainda dependia de apuração.

Em Florianópolis (SC), uma viatura da Polícia Militar Rodoviária (PMRv) atropelou um motociclista na noite de domingo (25), durante as comemorações pela reeleição de Lula. O caso ocorreu na rodovia SC-403, no bairro Ingleses, e foi registrado em vídeos que circularam nas redes sociais. As imagens mostram a viatura atravessando o canteiro central da avenida, entrando na contramão e atingindo a motocicleta.

Segundo o ICL Notícias, o jovem sofreu fraturas na perna, no pulso e em um osso da face. Ele foi levado ao Hospital Governador Celso Ramos, onde passou por exames e cirurgia. De acordo com informações da unidade de saúde divulgadas na segunda-feira (26), o paciente estava clinicamente estável e se recuperava em um quarto, mas permanecia sob custódia policial.

A defesa do motociclista afirmou que ainda tentava obter autorização para conversar diretamente com ele. Familiares também relataram dificuldades para visitá-lo. A advogada Sandra Annueck informou que reunia vídeos e outros elementos para esclarecer as circunstâncias da ocorrência. Testemunhas, por sua vez, denunciaram uma possível demora no atendimento após a colisão.

Em nota, a Polícia Militar de Santa Catarina afirmou que os agentes retornavam de uma ocorrência de trânsito quando encontraram motociclistas realizando manobras consideradas perigosas na região. Segundo a corporação, os policiais tentaram abordar um dos condutores e, durante a intervenção, houve uma colisão entre a viatura e a motocicleta. A PM informou que encaminharia o caso à Corregedoria do Comando de Polícia Militar Rodoviária para apurar as circunstâncias.

O vereador de Florianópolis Leonel Camasão (PSOL), que acompanha o caso, anunciou que preparava uma representação ao Ministério Público de Santa Catarina. O parlamentar também questionou a atuação dos policiais e pediu que a investigação apure a conduta dos agentes, além das circunstâncias envolvendo o motociclista.

A possibilidade de que o atropelamento tenha relação com o contexto político das comemorações foi levantada pelo vereador, mas não está comprovada. Até o momento, as circunstâncias da colisão seguem sob apuração.

Nas redes sociais, o perfil lemoss_zn publicou um relato sobre o motociclista, afirmando que ele teria sofrido ferimentos graves. Em outra publicação, a mesma conta alegou que uma mulher grávida teria sido atingida por um disparo ao tentar intervir. Essa segunda informação não foi confirmada de maneira independente pelas fontes consultadas e deve ser tratada como denúncia não verificada.

O perfil ZAMENZA também divulgou uma denúncia de tentativa de agressão contra uma mulher que estaria vestida de vermelho.

Também circularam denúncias de violência policial em outras cidades. Uma publicação de swan86545562 afirmou que um policial teria aplicado um golpe conhecido como mata-leão em uma mulher em Guarapuava, no Paraná.

Já o perfil soniaresendeadv divulgou uma denúncia de agressão contra um apoiador de Lula no interior de Minas Gerais. Não foi possível confirmar independentemente todos os detalhes desses dois relatos.

Antes do segundo turno, outros episódios também foram registrados. Em Belo Horizonte, um homem de 67 anos foi atropelado durante um ato de apoio a Lula na noite de 17 de outubro. O motorista foi preso em flagrante por suspeita de tentativa de homicídio, mas alegou à polícia que manifestantes haviam arremessado objetos contra seu veículo. Em Curitiba, um carro com adesivos de Lula teve o vidro traseiro quebrado após um ato de apoio a Flávio Bolsonaro. Em São Paulo, uma discussão na Estação Pinheiros do metrô terminou com a intervenção de seguranças. Os três casos foram relatados pelo Brasil de Fato.

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