Coordenadora econômica da campanha prevê desligamento após 24 meses; proposta ainda precisa ser detalhada e contrasta com a promessa de retorno automático em caso de dificuldade financeira

A equipe econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República propõe estabelecer um período de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família que consigam emprego com carteira assinada ou abram o próprio negócio. Ao fim desse prazo, as famílias seriam desligadas do programa, conforme a proposta apresentada nesta segunda-feira (19) por Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha, em entrevista à rádio CBN Bahia.
A medida, segundo a equipe do candidato, pretende incentivar a entrada no mercado de trabalho e o empreendedorismo, permitindo que os beneficiários busquem autonomia financeira sem perder imediatamente a assistência. Daniella afirmou, porém, que haveria possibilidade de retorno automático ao programa caso a tentativa de obter renda fora do benefício não desse certo.
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“Vai ter regra de transição de dois anos para que possa abrir seu negócio, ou aceitar emprego de carteira assinada. E um retorno automático caso dê errado”, declarou a coordenadora.
A proposta abre uma discussão sobre o tempo necessário para que famílias de baixa renda alcancem estabilidade financeira e sobre o que aconteceria com aquelas que continuassem em situação de vulnerabilidade depois de dois anos. A obtenção de emprego formal ou a abertura de um pequeno negócio não garante, por si só, renda suficiente para cobrir despesas básicas de todos os integrantes da família.
Daniella defendeu que os beneficiários não permaneçam indefinidamente no programa e justificou a proposta afirmando que busca ampliar oportunidades de trabalho, capacitação e acesso ao crédito.
Como funciona a regra atual do Bolsa Família
O Bolsa Família já conta com uma Regra de Proteção para evitar que famílias percam o benefício imediatamente quando conseguem emprego ou registram aumento de renda. O mecanismo permite a permanência temporária no programa, com pagamento de parte do valor, enquanto a família se adapta à nova situação financeira.
As condições atuais variam conforme a data de entrada na regra e o tipo de renda. Famílias que ingressaram na Regra de Proteção a partir de julho de 2025, com renda considerada instável, podem receber 50% do benefício por até 12 meses. Para famílias cuja renda vem de fontes estáveis, como aposentadoria, pensão ou Benefício de Prestação Continuada (BPC) para idosos, o prazo geral é de até dois meses.
Já as famílias que entraram na regra até junho de 2025 mantêm as condições anteriores, que preveem até 24 meses de permanência, com recebimento de metade do benefício e limite de renda por pessoa de R$ 759. Para quem ingressa nas regras atualizadas a partir de julho de 2025, o limite de renda por pessoa para permanecer na proteção é de R$ 706.
O critério geral de entrada no Bolsa Família é renda mensal de até R$ 218 por pessoa, além da inscrição no Cadastro Único e do cumprimento das exigências do programa.
Portanto, a proposta de Flávio não parte de um cenário em que o benefício é necessariamente cortado assim que alguém consegue emprego. A legislação já prevê uma transição, mas com prazos e condições específicos. A campanha propõe um período de dois anos para a situação anunciada, sem ter detalhado como a nova regra seria aplicada às diferentes categorias de beneficiários.
Flávio já havia criticado o programa nas redes sociais
A discussão sobre a proposta também ocorre em meio à repercussão de antigas críticas do senador ao Bolsa Família. O Diário do Centro do Mundo publicou nesta segunda-feira (19) uma reportagem segundo a qual Flávio Bolsonaro apagou publicações de seu perfil na rede social X em que atacava o programa, chegando a chamar a inciativa de “bolsa-farelo”.
Confira alguns prints na galeria:
A proposta anunciada prevê o desligamento ao fim do período de transição, mas ainda não esclarece como seriam protegidas as famílias que permanecessem em situação de vulnerabilidade. Em declarações anteriores, Flávio afirmou que não acabaria com o Bolsa Família e que garantiria o benefício a quem precisasse. A equipe econômica agora defende uma transição de dois anos associada à obtenção de emprego formal ou à abertura de negócios, com promessa de retorno em caso de insucesso.







