
Acho que não existe momento melhor para falar sobre o poder das nossas escolhas do que no período eleitoral.
Estou falando isso porque, na grande maioria das conversas sobre planejamento ou organização financeira, o que mais ouço é que não é possível fazer uma escolha ou não se sabe o que escolher ou priorizar, mesmo sabendo que estamos falando do planejamento econômico das suas próprias vidas.
E eu realmente entendo a dificuldade, principalmente quando temos em vista os bombardeios diários das ofertas, promoções e oportunidades de compras que recebemos todos os dias. É um verdadeiro oceano de ofertas e opções, e o cidadão precisa ser realmente muito focado e escolado para não se transformar em um peixinho dourado, pegar um desses anzóis e acabar comprando o que não queria ou não precisava neste momento.
E, vivendo esse momento eleitoral, comecei a pensar. Como é que essas pessoas que eu tenho contato e tantas outras conseguiram escolher, militar e até mesmo brigar pelos partidos e candidatos da sua escolha?
Olhe que, assim como no comércio, as opções de partidos e candidatos também são muitas.
Segundo o site do TSE, Tribunal Superior Eleitoral, o Brasil tem, em 2026, 30 partidos políticos registrados e, nestas eleições, tivemos 12 candidatos a presidente da República. E, se formos levar em conta o número de candidatos a governadores, senadores, deputados federais e estaduais, arrisco dizer que há mais opções que o número de ofertas que recebemos por dia no e-mail ou visualizamos nas redes sociais.
E aí, o que era apenas um pensamento se transformou em uma pergunta direta e objetiva:
Como é que nosso jovem cidadão consegue escolher em quem votar ou em qual partido militar e não consegue definir um objetivo claro para seu próprio futuro?
Ninguém aqui está querendo simplificar ou dizer que é fácil planejar a vida ou criar uma reserva financeira, e muito menos acha que seja fácil segurar o impulso de compra. É mais difícil ainda, mas também é muito difícil escolher um candidato que pode definir o rumo da sua vida e a do país pelos próximos quatro anos.
Diante desse questionamento, resolvi escrever esse texto, expor meus pensamentos e trazer a todos a reflexão.
Será que, como o voto não tem um custo em dinheiro direto, as pessoas ficam mais tranquilas em fazer suas escolhas?
Ou
Como a consequência do voto é coletiva, a pessoa não consegue visualizar com clareza o impacto que essa escolha vai trazer para sua própria vida?
Ou
Será que estão vivendo cada dia e é mais fácil escolher seu governante pela simpatia, beleza ou pelo que ouve falar?
Antes que o lado de lá ou de cá comece a brigar, lembro que essas são só hipóteses, viu, gente! Mas poderiam explicar muitas coisas, ah, sim, como explicariam.
Ainda olhando para a política e considerando que os nossos eleitores escolheram seus candidatos com base nos planos de governo que cada um deles escreveu e apresentou na campanha, é possível que tenham notado que cada um desses planos não é nada mais que um planejamento do trabalho que deverá ser cumprido nos próximos quatro anos, caso os candidatos sejam eleitos. Observem que todos esses documentos seguem a seguinte estrutura:
- Objetivos claros – O que vai ser feito durante o período de mandato
- Projetos estratégicos – Quais as ações que deverão ser executadas neste período para cumprir o objetivo
- Prazos e prioridades – Cada projeto tem uma priorização de ações e prazos de realização
- Controle financeiro – Quanto de recursos (dinheiro) estará disponível para realizar cada uma dessas ações e como e quando esses recursos serão liberados e de onde sairá esse dinheiro
- Indicadores de desempenho – Neste momento se definem as metas e métricas para medir se as ações estão aproximando ou afastando o projeto dos seus respectivos objetivos
E aí vem o segundo momento de reflexão:
Se os jovens eleitores conseguem entender e confiar nos planos dos seus candidatos, por que não conseguem copiar o mesmo modelo para planejar suas vidas?
Lembre-se de que vocês são os presidentes vitalícios das suas próprias vidas.
Gente, trouxe a reflexão até aqui para provocar mesmo e chamar a atenção de que tudo na vida tem um objetivo e um planejamento. Às vezes, o objetivo é simples e rápido, e outros são mais complexos e necessitam de mais tempo, mas, inevitavelmente, todos exigem um plano. Sejam mentais ou escritos.
E, com base nesta provocação, o que você, que está lendo essa coluna até aqui, acha de tentar começar a escrever o plano da sua vida para os próximos quatro anos?
Não precisa inventar a roda, não. É só copiar o modelo do plano de governo do seu candidato e ajustar para sua realidade.
- Qual o seu objetivo para os próximos quatro anos?
- Como você pretende realizar esses objetivos?
- Qual a prioridade entre eles?
- De onde vai sair o dinheiro para realizar o que você deseja?
- Como você vai medir ou verificar se suas ações estão te aproximando ou afastando do objetivo?
Viu! É igualzinho. A vida imitando a política.
Então, meus jovens militantes e defensores da democracia, acho que chegou a hora de usar toda essa energia gasta nas ruas e na militância nas redes sociais para eleger você mesmo como o governador da sua própria vida. A receita está aí e é só seguir.
Mas, se não quiser, ok também! Tenho certeza de que você tem um monte de candidatos prontos e preparados para governar cada passo da sua vida ou para onde vai cada centavo que você conseguiu com o suor do seu trabalho.
A escolha sempre foi sua.
Um grande abraço e até a próxima.




Muito boa a reflexão!