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Incêndio na UFPE ocorre após ato pró-Lula e em meio a ameaças políticas contra estudantes

Fogo atingiu prédio de laboratórios no Recife na noite de quarta-feira (7), destruiu equipamentos e pesquisas; mensagens atribuídas a apoiadores de Flávio Bolsonaro citavam possível ataque à universidade, mas eventual relação com o incêndio ainda não foi comprovada

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um incêndio de grandes proporções atingiu, na noite desta quarta-feira (7), o prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (DINE) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Cidade Universitária, no Recife. O fogo destruiu parte da estrutura e atingiu equipamentos, amostras, dados e pesquisas científicas. Não houve registro de vítimas. As chamas foram controladas por volta das 6h desta quinta-feira (8), após a mobilização de cinco viaturas do Corpo de Bombeiros.

O episódio ganhou uma dimensão política porque ocorreu menos de 24 horas depois de uma manifestação realizada por estudantes da universidade em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e em defesa da democracia e da educação pública. O ato aconteceu na terça-feira (6), no campus do Recife, no contexto da disputa do segundo turno presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), marcado para 25 de outubro.

Nas horas que antecederam o incêndio, estudantes e integrantes da comunidade acadêmica também relataram ter recebido mensagens de ameaça direcionadas a setores da UFPE. Segundo o deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE), uma das mensagens falava em “explodir o departamento” e fazia referência ao nome de Flávio Bolsonaro. As capturas divulgadas nas redes sociais foram atribuídas a apoiadores do candidato, mas a autoria e a autenticidade do material ainda não foram oficialmente confirmadas.

Diante da sequência dos acontecimentos, Jones Manoel afirmou que pretende solicitar investigações à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal para apurar tanto as ameaças quanto a possibilidade de o incêndio ter origem criminosa. Até o momento, porém, não há conclusão oficial que estabeleça ligação entre as mensagens e o fogo. A própria UFPE informou que a origem do incêndio ainda não foi identificada.

A deputada eleita Bella Gonçalves (PT-MG) também repercutiu o caso nas redes sociais e chamou atenção para a proximidade entre a mobilização estudantil contra a candidatura de Flávio Bolsonaro e o incêndio registrado na universidade. A manifestação da parlamentar se soma à pressão por uma apuração capaz de esclarecer se houve qualquer conexão entre as ameaças e a destruição provocada pelo fogo.

Pesquisas e equipamentos foram destruídos

O prédio atingido abrigava laboratórios ligados às áreas de fármacos, informática e genética. De acordo com informações divulgadas pela UFPE e pelo reitor Alfredo Gomes, o incêndio alcançou amostras de pesquisas, equipamentos e dados científicos acumulados ao longo de anos. Entre os projetos afetados estavam estudos relacionados a câncer, obesidade, Covid-19, TDAH e autismo.

A estimativa inicial é de que o edifício concentrasse aproximadamente R$ 100 milhões em equipamentos, embora o levantamento dos prejuízos ainda esteja em andamento. Segundo a universidade, a rápida propagação das chamas foi favorecida pelo tipo de material armazenado no local.

O incêndio foi o terceiro registrado na UFPE em pouco mais de uma semana. Em 30 de setembro, um laboratório do Departamento de Física foi atingido durante a manipulação de uma substância em equipamento de alta temperatura. No dia 4 de outubro, outro fogo atingiu o Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. As duas ocorrências anteriores não deixaram feridos.

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, informou que o Ministério da Educação acompanha as investigações e mantém contato com a reitoria. O advogado-geral da União, Jorge Messias, determinou que a Procuradoria-Geral Federal designe uma comissão de procuradores para acompanhar as apurações e avaliar eventuais medidas jurídicas.

IFMG também registra ameaças em grupo associado a apoio a Flávio Bolsonaro

Enquanto a comunidade acadêmica da UFPE cobra esclarecimentos sobre o incêndio e as ameaças que o antecederam, estudantes e servidores do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), campus Ouro Preto, também passaram a ser alvo de preocupação com mensagens de violência de caráter político.

Capturas de tela que circularam nas redes sociais mostram conversas em um grupo de WhatsApp formado por estudantes e identificado com nomes como “IFMG COM FLÁVIO BOLSONARO” e “FLÁVIO BOLSONARO 2027”. O material reúne mensagens de incitação à violência contra petistas, além de ataques LGBTfóbicos. Entre os conteúdos divulgados estão uma imagem de um revólver apontado para o símbolo do movimento LGBT e uma enquete sobre o que fazer com petistas, com respostas violentas, além de uma referência a “fuzilamento”

Imagens: Revista Fórum/Reprodução

O conteúdo também menciona a manifestação “Mobilização pela Democracia”, prevista para esta sexta-feira (9), no campus da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Diante das ameaças, houve preocupação com a segurança do ato e mobilização de autoridades locais para reforçar a proteção dos participantes.

O IFMG registrou boletim de ocorrência, encaminhou denúncia à Polícia Federal e comunicou órgãos de segurança das esferas estadual e federal. A direção informou ainda que estudantes já identificados serão chamados para prestar esclarecimentos e poderão responder a procedimentos administrativos e legais. A instituição ressaltou que o grupo não é um canal oficial do instituto e que o conteúdo divulgado não representa o posicionamento do IFMG.

Em nota, o campus Ouro Preto reafirmou o compromisso com a democracia, a dignidade humana, a liberdade de expressão e a convivência plural, destacando que divergências políticas devem ser tratadas pelo debate e nunca por meio de ameaças, intimidação, violência ou discursos de ódio.

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