
As torcidas organizadas Bamor, ligada ao Bahia, e Os Imbatíveis, do Vitória, estão proibidas, pelo período de seis meses, de comparecer a eventos esportivos utilizando elementos que permitam sua identificação como grupos organizados. A medida foi determinada pela Polícia Militar da Bahia (PMBA), por meio do Batalhão Especializado de Policiamento de Eventos (Bepe), em alinhamento com o Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), e começa a valer nesta quinta-feira (3).
Durante o período de suspensão, ficam proibidos o uso de camisas, bandeiras, faixas, cartazes e outros materiais que identifiquem as torcidas, além de instrumentos musicais. A restrição vale para eventos esportivos estaduais, regionais, nacionais e internacionais, não apenas para partidas realizadas na Bahia.
A decisão foi formalizada nesta quarta-feira (2), durante reunião realizada na sede do Bepe, em Salvador. Participaram do encontro a promotora de Justiça Thelma Leal de Oliveira, do MPBA, o comandante do batalhão, tenente-coronel Carlos Flávio Góes Farias, e representantes da Bamor e de Os Imbatíveis.
Segundo as autoridades, a medida considera a reincidência de episódios graves de violência relacionados às torcidas organizadas. Entre as ocorrências citadas estão confrontos, agressões físicas, vandalismo, utilização de artefatos explosivos e porte de armas.
A punição ocorre após os episódios registrados horas antes do Ba-Vi disputado em 23 de agosto, no Barradão. Na ocasião, confrontos envolvendo integrantes das duas torcidas deixaram dois homens mortos, quatro pessoas feridas e seis suspeitos presos, segundo informações divulgadas após o episódio.
Uma das vítimas foi José Alexandre Souza Borges, de 28 anos, apontado como integrante da Bamor. Ele morreu durante uma agressão ocorrida em uma área próxima ao Barradão. A outra morte foi a de Lucas dos Reis Bonfim, de 19 anos, baleado no bairro de Castelo Branco. De acordo com informações da Polícia Civil divulgadas à época, não havia elementos que relacionassem a morte de Lucas ao confronto entre as torcidas.
Além das mortes, foram registrados episódios de vandalismo e ataques a ônibus do transporte público em diferentes pontos de Salvador. Um coletivo foi atingido por um rojão e teve um motorista ferido. Também houve danos a veículos e estabelecimentos comerciais durante as ocorrências relacionadas à violência daquele domingo.
A decisão do Bepe está respaldada na Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023) e nos Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados em 2022 entre o Ministério Público da Bahia e as torcidas organizadas. Os acordos estabelecem medidas para prevenir e combater a violência em eventos esportivos e preveem sanções como advertência e suspensão de acesso em situações de violência, tumulto ou comprometimento da ordem pública.
A medida, no entanto, não impede que torcedores frequentem os estádios individualmente. A restrição é direcionada às torcidas organizadas e ao uso de elementos que permitam identificá-las durante os eventos esportivos. Também não há determinação de suspensão das partidas dos clubes.


