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Psicólogo Lucas Veiga lança em Salvador livro sobre racismo, saúde mental e novas formas de cuidado

Em “Clínica do impossível”, autor propõe uma abordagem racializada da clínica e articula psicanálise, política, arte e ancestralidade

Lucas Veiga | Foto: Sergio Baia

O psicólogo e escritor Lucas Veiga lança nesta quarta-feira (2), em Salvador, o livro “Clínica do impossível”, publicado pelo selo Paidós, da Editora Planeta. A obra propõe uma reflexão sobre os impactos do racismo na subjetividade de pessoas negras e sobre os desafios de construir práticas de cuidado em saúde mental diante de uma sociedade marcada por desigualdades. O lançamento acontece a partir das 19h, na Livraria LDM do Shopping Bela Vista, com bate-papo seguido de sessão de autógrafos.

A partir de experiências da prática clínica, referências filosóficas e diálogos com diferentes manifestações artísticas, Veiga discute a possibilidade de uma abordagem terapêutica capaz de acolher as marcas provocadas pela violência racial sem reduzir a existência das pessoas negras a essas experiências. O título do livro parte de um paradoxo: embora não exista uma solução definitiva para o racismo, é necessário criar caminhos possíveis para viver, elaborar experiências e resistir às estruturas de violência.

Um dos conceitos centrais apresentados pelo autor é o de uma “clínica racializada”, que aproxima saúde mental, política e ancestralidade. A proposta busca ampliar as formas tradicionais de escuta clínica e considerar como fatores sociais e históricos interferem na construção da subjetividade, da identidade, do pertencimento e das possibilidades de existência.

Ao longo da obra, cenas inspiradas no cotidiano clínico são colocadas em diálogo com questões relacionadas à exclusão, identidade e pertencimento. O autor também investiga como, mesmo diante de estruturas que restringem possibilidades de vida, podem surgir forças criativas capazes de produzir novas formas de existência e afirmação.

A reflexão parte da psicanálise, mas também estabelece conexões com a arte, a filosofia e outras áreas do pensamento. Dessa forma, Clínica do impossível busca discutir não apenas os efeitos psíquicos do racismo, mas também maneiras de elaborar essas experiências e imaginar práticas de cuidado que não reproduzam perspectivas colonizadas sobre saúde mental.

Imagem: Divulgação

Mestre em Psicologia Clínica pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Lucas Veiga atua com atendimentos clínicos, cursos, palestras e consultorias voltadas à saúde mental e às relações raciais. Sua trajetória de pesquisa e atuação profissional também deu origem a cursos como “Introdução à Psicologia Preta”, “Frantz Fanon e a esquizoanálise” e “Clínica do impossível”, que aprofunda discussões sobre descolonização do cuidado psíquico.

A publicação também amplia um debate que vem ganhando espaço nas discussões contemporâneas sobre saúde mental: a necessidade de considerar os contextos sociais, históricos e políticos que atravessam a experiência subjetiva. Nesse sentido, o livro propõe uma escuta que reconheça as consequências da violência racial, mas que também enxergue possibilidades de criação e transformação para além dela.

“Clínica do impossível” conta ainda com textos de orelha e endossos de Ediane Ribeiro e Alexandre Coimbra Amaral. O lançamento em Salvador integra a circulação da obra e promove um espaço de diálogo entre o autor e o público sobre racismo, subjetividade, clínica e saúde mental.

Serviço

Lançamento do livro Clínica do impossível, de Lucas Veiga

Quando: 2 de setembro (quarta-feira)

Horário: 19h

Local: Livraria LDM, Shopping Bela Vista, Salvador

Programação: bate-papo com o autor e sessão de autógrafos

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