
A 2ª Mostra Nacional de Cinema Estudantil do 54º Festival Internacional de Cinema de Gramado, realizada de 12 a 22 de agosto, na cidade gaúcha, se destacou com curtas-metragens, documentários e filmes de animação da rede pública de ensino, além de oficinas nacionais.
O filme pernambucano “Reitor João Alfredo”, dirigido e representado pelo estudante Arthur Campos, da EMTI Reitor João Alfredo, ganhou os prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Edição na categoria Ensino Fundamental. “Invasão em Minas Gerais”, produzido pelos estudantes mineiros da Oficina Poeira de Animação/Escola Hub Pampulha, foi premiado como Melhor Animação.
“O Caminho do Boi de Prata”, produzido pela Escola do Horto, de Uruguaiana-RS, conquistou os prêmios de Melhor Ator, para Gustavo Rocha, e Melhor Fotografia. “Espectro” e “Destino Final”, curtas pernambucanos, também faturaram premiações estudantis e de animação associadas à abertura da mostra.
O professor Ricardo Poeira, coordenador das oficinas de animação, atua há 20 anos com alunos de 6 a 11 anos de escolas públicas e particulares em Belo Horizonte-MG. Ele elogiou a oportunidade de apresentar ao grande público a produção infantil, pelos avanços observados nos últimos anos e pela falta de visibilidade na mídia: “As crianças são o futuro do audiovisual brasileiro. É importante elas serem escutadas nas suas expressões numa mostra competitiva. As políticas públicas são importantes como incentivo, oferecem janelas de visibilidade para a formação dos estudantes através dos editais de cinema.”
Na categoria Ensino Médio, o vencedor de Melhor Curta-Metragem foi o filme “PSIC”, dirigido pela estudante Valentina Elias, representando o programa CineDohms, do Colégio Pastor Dohms, de Porto Alegre-RS, que se destacou na edição ao somar diversos prêmios.
O prêmio de Melhor Roteiro foi conquistado pelo curta “Como (não) arranjar um namorado”, produzido por estudantes do 3º ano da Escola Estadual de Ensino Médio São Rafael, em Flores da Cunha-RS. O curta “Entrelinhas”, produzido pelo Colégio Evangélico Alberto Torres (Ceat), levou o troféu de Melhor Filme pelo júri popular.
A mostra contou com obras selecionadas do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco, estado com forte produção de curtas-metragens da rede municipal de ensino, evidenciando o potencial criativo de novas gerações em diferentes regiões do Brasil.
“Eu sempre gostei de escrever, então ser reconhecida com esse troféu é muito marcante e uma enorme felicidade, não só para mim, mas para toda a turma”, comemora a roteirista do filme premiado “Como (não) arranjar um namorado”, Manuela Salvador dos Santos, 17 anos, que considera o momento único: “Ter ganho o prêmio de Melhor Roteiro é muito significante, pois coroa a história de um filme que estará para sempre nos nossos corações.”
O diretor do filme, Breno Carpeggiani, 17 anos, ressalta que, antes mesmo de receberem o prêmio, a felicidade já era enorme apenas por estarem participando do Festival de Gramado. “Foi uma sensação extremamente eufórica, que tornou o momento inesquecível. Ser agraciado com um prêmio de um dos maiores festivais de cinema da América Latina foi um momento muito especial para nós.”

O pernambucano Arthur Campos, diretor do filme premiado “Reitor João Alfredo” nas categorias Roteiro e Edição, Ensino Fundamental, enfatizou a importância do cinema para a preservação da memória histórica regional e a formação cidadã dos estudantes. “Estar hoje aqui em um dos festivais mais importantes da América Latina é impactante porque a maioria dos alunos da rede pública é negra e periférica. Passamos por muitas dificuldades, só os alunos conduzindo tudo dentro da escola, mas a Secretaria de Educação do Recife e os nossos professores acreditaram e confiaram na gente, deram todo suporte.”
Outra estudante de Recife presente na Mostra em Gramado, Polyana Barbosa, protagonista do curta-metragem “O Cabelo de Polyana”, destacou o papel de crítica social do cinema na abordagem de temas como o racismo: “Achamos o audiovisual uma ferramenta eficiente de conscientização das pessoas e de transformação social para abordar um tema sensível como o racismo. Eu tenho muita propriedade para falar de uma história minha, uma vivência pessoal e o quanto eu superei isso e tenho orgulho de quem eu sou hoje.”
O curta-metragem “O Cabelo de Polyana” foi dirigido pelo estudante Guilherme Telle, representando a Rede Municipal de Ensino do Recife, e produzido na Escola Municipal de Tempo Integral (EMTI) Maria Sampaio de Lucena.



