
A Biblioteca dos Barris, em Salvador, recebe no dia 4 de setembro a terceira edição do encontro “Poéticas Telúricas: Encontro entre África e América Latina”. Com programação gratuita, o evento acontece das 14h às 19h e propõe uma travessia por diferentes linguagens artísticas e formas de produção de conhecimento, aproximando filosofia, literatura, dança, música, oralidade e saberes ancestrais.
Realizado pelo AnDanças – Programa de Pesquisa e Extensão em Filosofia, Arte e Cultura, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), Campus dos Malês, o encontro é resultado de uma década de pesquisas desenvolvidas pelo programa. A iniciativa tem como ponto de partida experiências relacionadas às danças, à capoeira, à filosofia, à literatura africana e latino-americana e às manifestações culturais que compreendem o corpo e o território como espaços de conhecimento.
A programação também contará com acessibilidade em Libras e tem fomento do Edital PNAB Bahia – Dinamização de Bibliotecas, Espaços de Leitura e Espaços de Memória.
Corpo, literatura e ancestralidade
A programação começa às 14h, com a abertura conduzida pela equipe do AnDanças, formada pela filósofa e professora da UNILAB Elizia Cristina Ferreira, pela artista da cena, gestora cultural e professora de Artes Verónica Daniela Navarro, pela professora e pesquisadora de Letras da UNILAB Ludmylla Mendes Lima e pelo artista da dança, arte-educador, mediador e curador Thiago Cohen.
Às 14h30, o público acompanha “Saudações à Terra”, apresentação de um grupo de danças latino-americanas que estabelece a relação entre corpo, território e ancestralidade como ponto de partida para o encontro.
Na sequência, às 15h, a literatura entra em cena com “O livro como terreiro”. A atividade será mediada por Ludmylla Mendes Lima, que também apresentará o livro “Poéticas telúricas: filosofias que bailam e danças que filosofam na América Latina”, de Elizia Cristina Ferreira e Verónica Daniela Navarro.
A publicação reúne experiências de pesquisa e extensão do AnDanças e propõe uma reflexão sobre a filosofia a partir do corpo, das danças e das experiências culturais vividas nos territórios amefricanos.
Às 15h40, a programação recebe a Orquestra de Berimbaus do Nzinga, do Instituto Nzinga de Estudos da Capoeira Angola e de Tradições Educativas Banto no Brasil (INCAB), Núcleo Salvador.
Filósofo moçambicano participa de conferência
O pensamento filosófico ganha destaque às 17h, com a conferência “Narrar para compreender, narrar para pensar”, ministrada pelo filósofo e escritor moçambicano Jessemusse Cacinda e mediada por Elizia Cristina Ferreira.
A partir das narrativas e cosmopercepções do povo Makhuwa, do norte de Moçambique, Cacinda propõe uma discussão sobre o ato de narrar como ferramenta de compreensão, ensino, elaboração de experiências e produção de pensamento.
A atividade também aborda a importância da oralidade nas culturas de ancestralidade Bantu. Nesse contexto, contar histórias ultrapassa a dimensão do entretenimento e se relaciona à formação, à transmissão de valores e à construção de interpretações sobre a existência.
Às 18h, o corpo volta ao centro da programação com “El Cruce”, solo de dança de Verónica Daniela Navarro, com direção e dramaturgia de Thiago Cohen.
A obra parte da experiência de um carnaval andino e a desloca para Salvador como possibilidade de reelaboração da memória e criação de outros futuros. A performance investiga aproximações e diferenças entre os povos das Américas e dialoga com o conceito de Amefricanidade, formulado pela intelectual brasileira Lélia Gonzalez.
O encontro será encerrado às 19h, com um festejo de finalização. A proposta é reunir os diferentes saberes e linguagens apresentados ao longo do dia e reforçar o papel do corpo, da oralidade, da dança, da literatura, da música e da memória como formas de produção de conhecimento.
O projeto foi contemplado pelos editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, com recursos do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, e execução do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura.
PROGRAMAÇÃO
14h – Abertura
Fala de abertura com a equipe do AnDanças: Elizia Cristina Ferreira, filósofa e professora da UNILAB; Verónica Daniela Navarro, artista da cena, gestora cultural, produtora e professora de Artes; Ludmylla Mendes Lima, professora e pesquisadora da UNILAB; e Thiago Cohen, artista da dança, arte-educador, mediador e curador.
14h30 – “Saudações à Terra”
Apresentação de grupo de danças latino-americanas, celebrando a relação entre corpo, território e ancestralidade.
15h – “O livro como terreiro”
Mediação de Ludmylla Mendes Lima, professora e pesquisadora da UNILAB, com apresentação do livro Poéticas telúricas: filosofias que bailam e danças que filosofam na América Latina, de Elizia Cristina Ferreira e Verónica Daniela Navarro.
15h40 – Orquestra de Berimbaus do Nzinga
Apresentação da Orquestra de Berimbaus do Nzinga, do Instituto Nzinga de Estudos da Capoeira Angola e de Tradições Educativas Banto no Brasil (INCAB).
17h – Conferência “Narrar para compreender, narrar para pensar”
Com Jessemusse Cacinda, filósofo e escritor moçambicano, e mediação de Elizia Cristina Ferreira, filósofa e professora da UNILAB.
18h – “El Cruce”
Solo de dança de Verónica Daniela Navarro, artista da cena, gestora cultural, produtora e professora de Artes, com direção de Thiago Cohen, artista da dança, arte-educador, mediador e curador.
19h – Festejo de finalização
Celebração de encerramento do encontro.
Serviço
3º Encontro “Poéticas Telúricas: Encontro entre África e América Latina”
Quando: 4 de setembro de 2026, das 14h às 19h
Onde: Biblioteca dos Barris, Salvador
Entrada: gratuita
Classificação: livre
Acessibilidade: Libras


