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Escola Nacional Nego Bispo conclui primeiro ano com 2,1 mil participantes e avaliação positiva de cursistas

Programa coordenado pelo IFBA, em parceria com o MEC, realizou 100 cursos em todo o país para fortalecer a formação docente em educação para as relações étnico-raciais

Foto: Escola Nacional Nego Bispo

O primeiro ciclo do Programa Escola Nacional Nego Bispo de Saberes Tradicionais foi concluído com resultados que apontam avanços na formação de professores para a educação das relações étnico-raciais no Brasil. Coordenada nacionalmente pelo Instituto Federal da Bahia (IFBA), em parceria com o Ministério da Educação (MEC), a iniciativa reuniu 100 cursos em todas as regiões do país, com 2.500 vagas ofertadas e 2.190 matrículas efetivadas.

Inspirado no legado do intelectual quilombola Antônio Bispo dos Santos, conhecido como Nego Bispo, o programa promove o diálogo entre os conhecimentos acadêmicos e os saberes produzidos por povos indígenas, quilombolas, comunidades afro-brasileiras e outros povos tradicionais.

A iniciativa integra a Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ) e contribui para a implementação das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que estabelecem a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira, africana e indígena nas escolas brasileiras.

Os cursos foram desenvolvidos em todas as regiões do país, com destaque para o Nordeste, que concentrou 63 projetos. Também foram realizadas formações no Sudeste, Norte, Centro-Oeste e Sul, ampliando o acesso à formação continuada em diferentes territórios e contextos culturais.

Impacto na formação de educadores

O monitoramento inicial do programa indica alto nível de aprovação entre os participantes. Entre os 717 cursistas que responderam à avaliação, 86,5% deram nota máxima aos cursos. Além disso, 96% afirmaram que já aplicam ou pretendem aplicar os conhecimentos adquiridos em suas práticas profissionais.

Outro resultado apontado foi a evolução na percepção dos próprios participantes sobre seus conhecimentos relacionados aos saberes tradicionais. Antes das formações, a maior parte avaliava seu domínio como intermediário. Ao final dos cursos, 57,5% passaram a atribuir nota máxima ao próprio conhecimento, indicando avanço na compreensão dos conteúdos trabalhados.

O perfil dos participantes também evidencia o alcance social da iniciativa. Mulheres representam 73,5% dos cursistas, além da presença significativa de pessoas pretas, pardas e indígenas, incluindo integrantes de comunidades quilombolas, povos indígenas, povos de terreiro e movimentos sociais.

Para a coordenadora nacional do programa, Cláudia Santos Malenduka, os resultados demonstram a importância de aproximar a formação docente dos conhecimentos produzidos nos territórios tradicionais.

“A Escola Nacional Nego Bispo demonstra que é possível construir uma formação docente que reconheça os saberes tradicionais como parte constitutiva da educação brasileira. Pela primeira vez, uma política nacional coloca mestras e mestres dos territórios como protagonistas da formação, em diálogo com as instituições federais de ensino”, afirmou.

Saberes tradicionais chegam às salas de aula

Os impactos da formação já começam a ser percebidos no cotidiano escolar. A professora de Sociologia da rede estadual de Brumado, Renata Lourenço dos Santos, conta que a experiência ampliou seu repertório e passou a influenciar suas aulas.

“Foi uma experiência muito rica, tanto pela metodologia quanto pelas vivências. Ter aulas com a presença de lideranças indígenas foi algo transformador, principalmente no interior da Bahia, onde raramente temos acesso a esse tipo de formação. Hoje já estou levando esse conhecimento para as minhas aulas de Arte e Sociologia. O curso me deu mais embasamento e mais conteúdo para trabalhar os saberes indígenas com os estudantes”, relatou.

A professora de História Climeres de Souza Santa Rosa, das redes municipal e estadual de Feira de Santana, participou do curso “Eu Sou Mandacaru: Lutas e Resistências das Sabedorias Quilombolas” e destacou a importância do contato direto com comunidades tradicionais.

“O contato direto com mestres quilombolas e com as comunidades ampliou minha compreensão sobre as epistemologias quilombolas e reforçou a urgência de levar esses conhecimentos para a escola. A experiência renovou meu compromisso com uma educação contracolonial e despertou o desejo de desenvolver projetos que aproximem os saberes quilombolas das comunidades do entorno do cotidiano escolar”, afirmou.

Com a conclusão do primeiro ano, a Escola Nacional Nego Bispo consolida uma proposta de formação que busca valorizar os conhecimentos tradicionais como parte da construção da educação brasileira e fortalecer práticas pedagógicas alinhadas à diversidade cultural do país.

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