Cortejo do 2 de Julho é marcado por poluição visual e abandono de políticos após registros para redes sociais

Foto: Italo Pacheco
As ruas do Centro Histórico de Salvador tornaram-se, nesta quinta-feira (2), o palco final de exposição pública para candidatos detentores de cargos executivos antes do início das vedações eleitorais. O tradicional desfile, que celebra a Independência do Brasil na Bahia, encerra um ciclo de agendas oficiais intensas, visto que, a partir de 4 de julho, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impõe restrições severas para o pleito de outubro.
As regras do TSE para 2026 estabelecem que, nos três meses que antecedem o primeiro turno, agentes públicos não podem realizar transferências voluntárias de recursos da União aos estados e municípios, salvo em casos de emergência ou projetos já em andamento.
A caminhada entre a Lapinha e o Terreiro de Jesus é historicamente reconhecida como um termômetro da aceitação popular. Em anos de eleição, o evento ganha contornos mais rígidos devido à proximidade com o prazo da legislação. A partir do próximo sábado, candidatos ficam proibidos de participar de inaugurações de obras públicas e a publicidade institucional de órgãos governamentais sofre limitações drásticas. Com esse cenário, o desfile deste ano se transformou numa corrida por visibilidade .

Poluição visual e incômodo popular
O excesso de propaganda, no entanto, gerou irritação em quem acompanhava o cortejo. No trecho entre a saída do desfile e o Barbalho, a proliferação de pórticos manuais publicitários foi criticada pela poluição visual ostensiva. O empresário Bruno Lopes, que levou o filho Iago Lopes, de 4 anos, pela primeira vez ao evento, relatou que a experiência foi prejudicada pelo mar de anúncios. Segundo ele, “é o primeiro contato do Iago com o desfile, e é frustrante ver o mar de poluição desses pórticos publicitários. Em busca de chamar atenção, os políticos estão descaracterizando um evento popular bastante importante para o povo baiano”.
O “portal” do sumiço político
Outro fato observado durante o trajeto foi o abandono precoce da caminhada por parte de diversas figuras públicas. É perceptível que muitos políticos priorizam apenas o registro de imagens para as redes sociais, deixando o desfile logo após garantirem o conteúdo para a mídia digital. Esse comportamento reforça a crítica de que a importância histórica da data, consolidada como uma celebração de resistência popular, negra e indígena, tem sido secundarizada em prol de interesses eleitorais imediatos.


