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Governo intensifica articulação nos EUA para barrar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

O governo federal ampliou nos últimos dias sua ofensiva diplomática e política nos Estados Unidos para tentar impedir a adoção de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros proposta pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). Enquanto ministros negociam diretamente com autoridades norte-americanas, parlamentares da base governista viajaram a Washington para apresentar o que classificam como um contraponto às narrativas defendidas por setores da direita brasileira junto ao governo dos Estados Unidos.

A movimentação ocorre após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo USTR, que recomendou a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A medida ainda depende de decisão do presidente norte-americano Donald Trump e deverá passar por consulta pública antes da publicação do relatório definitivo, prevista para julho.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a eventual taxação poderá afetar diretamente cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. Entre os setores considerados mais vulneráveis estão os de máquinas e equipamentos, que possuem maior valor agregado e forte impacto sobre emprego e renda.

Entre os dias 3 e 5 de junho, uma comitiva formada pelos deputados federais Pedro Uczai (PT-SC), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Pedro Campos (PSB-PE) e André Janones (Rede-MG) esteve em Washington para reuniões com parlamentares e instituições norte-americanas. O grupo afirma representar bancadas que somam 114 deputados na Câmara Federal.

De acordo com os parlamentares, a missão teve como foco defender a soberania brasileira, contestar as tarifas propostas pelos Estados Unidos e rebater acusações consideradas infundadas contra o país. Um dos principais temas abordados foi o Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central, que passou a ser mencionado em discussões envolvendo a política comercial norte-americana.

A delegação também entregou documentos a autoridades dos Estados Unidos defendendo cooperação bilateral no combate ao crime organizado e argumentando que as medidas tarifárias têm motivação política e não encontram respaldo técnico ou econômico. Em reuniões realizadas na Organização dos Estados Americanos (OEA), os parlamentares discutiram ainda o cenário político brasileiro e questões relacionadas à segurança do processo eleitoral.

Paralelamente à atuação parlamentar, o governo Lula mantém negociações diplomáticas com Washington para evitar o agravamento da crise comercial. Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que ainda há espaço para uma solução negociada e apostam em conversas técnicas entre os dois países para reverter a proposta tarifária.

Nos próximos dias, representantes do Itamaraty e do MDIC devem participar de reuniões com integrantes do governo norte-americano para discutir alternativas à medida. Entre as possibilidades analisadas pelo governo brasileiro está a ampliação do acesso de determinados produtos dos Estados Unidos ao mercado nacional, como forma de facilitar um acordo e evitar novas barreiras comerciais.

A tensão comercial também deverá influenciar a agenda diplomática dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Ambos têm participação prevista na próxima cúpula do G7, e auxiliares do governo brasileiro consideram possível uma reunião entre os dois líderes, caso haja avanços nas negociações em curso.

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